Impeachment no Senado movimenta o mercado essa semana.

Mercado acompanha movimentação e avanço do impeachment no Senado. Comissão do impeachment será eleita nesta tarde. Meirelles mais próximo da Fazenda. A semana começa com o mercado monitorando a eleição da comissão especial que irá analisar o impeachment de Dilma Rousseff no Senado, enquanto as commodities voltam a ganhar espaço nos negócios domésticos. O flerte …

25/04/2016 09:16



Mercado acompanha movimentação e avanço do impeachment no Senado. Comissão do impeachment será eleita nesta tarde. Meirelles mais próximo da Fazenda.

A semana começa com o mercado monitorando a eleição da comissão especial que irá analisar o impeachment de Dilma Rousseff no Senado, enquanto as commodities voltam a ganhar espaço nos negócios domésticos. O flerte do vice-presidente Michel Temer com nomes fortes para sua equipe econômica em possível novo governo também é acompanhado de perto já nesta segunda-feira (25).

“Com exceção da formação da comissão especial do impeachment e da escolha de quem ficará responsável pela presidência e pela relatoria, as atenções estarão voltadas para a formação do próximo governo”, afirma Eduardo Roche, gestor da Canepa Asset Management.

A instalação oficial da comissão, com a eleição do presidente, do vice e do relator, está prevista para amanhã. A partir daí começa a contar o prazo de 10 dias úteis para o relator apresentar seu parecer sobre o processo, que precisa apenas de maioria simples para ser aprovado no Senado. Se indicar a admissibilidade do impeachment, Dilma fica afastada por seis meses da Presidência.

“O resultado está praticamente decidido”, afirmou a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), uma das cinco integrantes titulares, pelo PMDB, da comissão especial que discutirá o caso. De acordo com a parlamentar, neste momento, é mais fácil angariar votos pró-impeachment, que virar o jogo e manter Dilma no Palácio do Planalto, mesmo que, para tanto, o governo precise de apenas um terço mais um dos 81 senadores, ou 28 votos.

A mudança de tom da presidente Dilma Rousseff em relação ao impeachment seria o reconhecimento de que já perdeu a briga, segundo um parlamentar que passou recentemente pelo Palácio do Planalto.

Após a derrota na Câmara e a chegada do processo ao Senado, Dilma voltou a moderar seus comentários e a assinalar que, se se mantiver no cargo, vai buscar um pacto nacional para reestruturar o governo. Para o parlamentar ouvida por O Financista, contudo, isso não passa de jogo de cena. “Dilma quer, apenas, evitar uma derrota expressiva”, disse o congressista.

O governo estuda recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) caso a comissão especial do impeachment no Senado aprove a continuidade do processo, mesmo antes da votação no plenário. A medida seria tomada pelo fato de o governo não apresentar os votos necessários na Casa para barrar o impeachment na votação. O comentário no Palácio é de que a presidente não tem chance nessa primeira etapa no Senado, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

Dilma Rousseff também deve buscar apoio nos países vizinhos. Em entrevista a jornalistas estrangeiros, a presidente disse que poderá apelar para a cláusula democrática do Mercosul, se entender que seu impeachment feriu a democracia brasileira. Ela lembrou do caso da destituição do ex-presidente paraguaio Fernando Lugo, quando a invocação dessa cláusula levou à suspensão do Paraguai do Mercosul.

Para Roche, o afastamento temporário de Dilma do Palácio do Planalto já está precificado mesmo semanas antes da votação no Senado.

Com isso, ganha notoriedade a busca do vice-presidente Michel Temer para a definição de sua equipe de governo, principalmente a econômica, nos próximos dias. “Qualquer notícia de bastidor que indique um nome para a Fazenda ou para o BC (Banco Central) mexerá com o comportamento dos agentes locais”, disse Roche.

Segundo a Folha de S.Paulo, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles foi sondado, mas impôs condições para assumir o Ministério da Fazenda. Meirelles disse a Temer que só assumiria a pasta se tivesse a palavra final sobre os outros nomes da equipe econômica – Banco Central, BNDES, Caixa, Banco do Brasil e Ministério do Planejamento.

A conversa entre o ex-BC e o vice-presidente ocorreu no sábado (23), no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente. Aos repórteres que o aguardavam na saída, Meirelles disse que apenas aconselhou Temer e que não foi convidado a assumir nenhum posto.

Outra notícia favorável ao mercado é o provável descarte de qualquer chance de recriação da CPMF ou aumento de outros impostos por Temer. Segundos jornais, o vive avalia que o governo não consegue suportar maior carga tributária nesse período de recessão.

No mercado internacional, as bolsas chinesas recuaram com as crescentes preocupações com os riscos dos mercados de dívidas e de commodities. O preço do petróleo cai 1%. As bolsas europeias e os índices futuros de Wall Street também operam no vermelho.

No mercado de câmbio, o dólar perder para seus pares, mas trabalha misto em relação às divisas emergentes e ligadas às commodities. Por aqui, o dólar comercial deve seguir o exterior e abrir de estável para leve viés de queda, monitorando um possível anúncio por parte do BC de um novo leilão de swap reverso, caso o dólar volte para perto da casa dos R$3,50, segundo Jefferson Luiz Rugik, diretor-superintendente da SLW Corretora.

O Banco Central não anunciou – por enquanto – nenhum leilão de swap reverso – equivalente a compra futura de dólares – para o pregão de hoje após a alta de 1,07%, para R$ 3,5703, na última sessão.

 

Da Redação com informações de Marcelo Ribeiro, Weruska Goeking e Gustavo Kahil, jornalistas especialistas no mercado.