Mercado com foco em ações internas e externas

Monitorando possível governo Temer, mercado mira ações internas e externas, com foco no Copom, Fed e STF. Cresce nome de Serra em novo governo. BC não atua no câmbio. Em compasso de espera com as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, o mercado segue acompanhando nesta quarta-feira (27) a formação da …

27/04/2016 10:04



Monitorando possível governo Temer, mercado mira ações internas e externas, com foco no Copom, Fed e STF. Cresce nome de Serra em novo governo. BC não atua no câmbio.

Em compasso de espera com as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, o mercado segue acompanhando nesta quarta-feira (27) a formação da equipe econômica de eventual governo de Michel Temer e a cena internacional, especialmente de commodities.

Nesta que pode ser a última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) comandada por Alexandre Tombini, a decisão não deve trazer novidades e a Selic tende a ser mantida no patamar atual de 14,25% ao ano. A atenção do mercado se volta para o comunicado do BC, que pode trazer sinais sobre o rumo dos juros nas próximas reuniões.

O mesmo vale para a decisão do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano), que não deve mexer na taxa de juros, mas pode trazer recados em seu comunicado – divulgado às 15 horas e sem coletiva de imprensa neste mês.

“A taxa de juros deve permanecer inalterada, mas o mercado seguirá buscando pistas se terá aumento da taxa de juros dos Estados Unidos ainda em 2016”, pontuou Raphael Figueiredo, analista da Clear Corretora.

Temer continua ensaiando sua dança das cadeiras e, segundo o jornal Valor Econômico, o ex-ministro Moreira Franco pode comandar um novo órgão que seria criado para centralizar as concessões de obras de infraestrutura no país.

Quanto a outros nomes para ministérios, a participação do senador José Serra avançou com o discurso do PSDB de participar do governo sem ocupar cargos perder força. Ele é cotado para o Ministério da Educação. No Planejamento, Romero Jucá é considerado como certo.

Além disso, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles é o preferido para a Fazenda e ontem foi escolhido de forma indireta por Temer. Meirelles inclusive poderá dar a palavra final sobre a escolha dos presidentes dos bancos federais e do BC.

“O Copom precisa ser substituído. Para reconquistar a confiança, é crucial trazermos pessoas do mercado que não estejam suscetíveis a interferência política”, disse uma fonte que faz parte do círculo interno de conselheiros de Temer a Reuters.

Na agenda do dia, destaque para a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) se as dívidas dos Estados com a União devem ser corrigidas com juros compostos ou juros simples. A tendência é que a decisão seja adiada. Caso a decisão seja desfavorável ao governo, a União poderá ter um prejuízo de R$ 2,6 bilhões apenas em abril.

De acordo com o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, a mudança no método dos cálculos pode acarretar a uma perda de R$ 402 bilhões para os cofres públicos, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

Sem decisões importantes na comissão especial de impeachment no Senado, o mercado acompanha os preços das commodities nos mercados internacionais e as bolsas externas.

Nos mercados internacionais, as bolsas da China encerraram em queda diante das dúvidas sobre a sustentabilidade da recuperação da indústria local e preocupações sobre a restrição do governo chinês quanto a especulação nos negócios de commodities.

As bolsas europeias e os índices futuros norte-americanos operam em leve queda, enquanto os preços do petróleo sobem cerca de 2%.

No mercado de câmbio, o Banco Central não anunciou – por enquanto – nenhum leilão de swap reverso – equivalente a uma compra futura de dólares. A ausência de intervenção deve manter a queda da moeda norte-americana.

Na cena externa, o dólar opera em queda em relação à maior parte das moedas fortes e de países emergentes. “Na segunda sessão com a ausência de leilões pelo BC, devemos observar o dólar operando em queda em relação ao real, ‘chamando’ novamente a autoridade monetária ‘para o jogo’”, avalia Ricardo Gomes da Silva Filho, operador da Correparti Corretora.

 

Da Redação com informações de Marcelo Ribeiro, Weruska Goeking e Gustavo Kahil, jornalistas especialistas em mercado.