Todo o foco na expectativa do impeachment de Dilma

Expectativa do impeachment de Dilma concentra o foco do mercado. Articulação de Temer continua nos bastidores e economista do Itaú pode assumir o Banco Central. O fato de que os mercados domésticos vêm precificando desde dezembro deve ter um desfecho nesta quarta-feira (11). Está marcada para 9h a sessão do Senado que pode afastar Dilma …

11/05/2016 08:56



Expectativa do impeachment de Dilma concentra o foco do mercado. Articulação de Temer continua nos bastidores e economista do Itaú pode assumir o Banco Central.

O fato de que os mercados domésticos vêm precificando desde dezembro deve ter um desfecho nesta quarta-feira (11). Está marcada para 9h a sessão do Senado que pode afastar Dilma Rousseff da presidência por até 180 dias. A previsão é de que o resultado seja conhecido no fim da noite de hoje.

É necessária apenas a maioria simples para que o pedido de abertura do processo de impedimento de Dilma seja aceito. Se 41 dos 81 senadores votarem a favor, o processo estará aberto e ela será afastada do cargo por até seis meses, período em que ocorre, de fato, o julgamento da presidente.

De acordo com levantamento do jornal O Estado de S. Paulo, 50 senadores votarão a favor do impedimento de Dilma. Conforme o rito decidido por Renan Calheiros, presidente do Senado, a sessão será dividida em três blocos: de 9h às 12h, de 13h às 18h e de 19h em diante.

Senadores e a defesa de Dilma, representada pelo advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, terão direito a 15 minutos de declarações. O voto será por painel eletrônico, sem justificativas dos senadores.

Com levantamentos de jornais apontando para a aprovação do impeachment – tese aceita pelo próprio governo –, ganham ainda mais destaque os nomes que devem compor a possível equipe de governo do vice-presidente Michel Temer (PMDB). Segundo o jornal Valor Econômico, o economista-chefe do Itaú, Ilan Goldfajn, está praticamente confirmado como presidente do Banco Central, notícia que deve agradar os mercados.

A decisão do vice em retirar o status de ministro do cargo, e consequentemente o foro privilegiado, era o único problema na busca por um nome para o BC e teve de ser renegociado junto com Henrique Meirelles, provável novo ministro da Fazenda. Ficou acertado que o status de ministro será mantido até que a proposta de autonomia do BC seja enviada ao Congresso.

Com a equipe econômica praticamente montada, o vice-presidente já prepara o seu pronunciamento de posse. O teor do discurso deve ter um tom realista, destacando que a situação econômica é crítica, que a solução não será imediata, além de conter um apelo para a pacificação do país, segundo o jornal Folha de S.Paulo.

O vice também deve elogiar a Operação Lava Jato e citar programas sociais como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Pronatec e ProUni. “Ele vai dar sinal de confiança ao mercado e esperança aos mais pobres”, disse um interlocutor de Temer. O vice deve utilizar expressões como “autoridade” e “segurança jurídica”. Também estava sendo estudado anunciar medidas econômicas já no pronunciamento.

Enquanto isso, na reta final, o governo Dilma apelou para o STF (Supremo Tribunal Federal). O ministro Teori Zavascki vai analisar ainda hoje o pedido de liminar impetrado pela AGU (Advocacia-Geral da União) para suspender o processo de impeachment.

A AGU argumenta que o afastamento do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência Câmara pelo próprio Supremo confirma a tese de que houve desvio de poder dele ao aceitar o pedido de impedimento de Dilma.

Se a estratégia não der certo, Dilma Rousseff já sinalizou que desistiu da ideia de descer a rampa do Palácio do Planalto em sua saída, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. A avaliação do governo é de que a cena poderia ser interpretada como “entrega” do governo a Michel Temer.

Hoje a presidente deve fazer sua última reunião, onde vai aproveitar para agradecer a todos a seus auxiliares e dizer que irá resistir ao “golpe”. Nos mercados internacionais, as bolsas chinesas se recuperaram das perdas das últimas sessões e encerraram em leve alta puxadas pelos setores de consumo e saúde.

As bolsas europeias e os índices futuros norte-americanos operam em queda, devolvendo os ganhos do último pregão e pressionados pelo setor financeiro. Os preços do petróleo oscilam próximo da estabilidade.

Na agenda econômica, o destaque fica para as vendas no varejo de março, medidas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e divulgada às 9h.

 

Da Redação com informações de Weruska Goeking, Marcelo Ribeiro e Gustavo Kahil, jornalistas especialistas no mercado