Dólar – Reserva cambial do Brasil evita piora da crise

Reserva cambial evitou a piora da crise no Brasil, afirma Rosenberg. País passa por ajuste doloroso, mas não deve ter problemas no balanço de pagamentos. A dinâmica das contas externas brasileiras deve manter as reservas internacionais elevadas — ou até aumentar ainda neste ano, segundo a Rosenberg Associados. As reservas somavam US$ 376,7 bilhões no fim de …

25/05/2016 01:55



Reserva cambial evitou a piora da crise no Brasil, afirma Rosenberg. País passa por ajuste doloroso, mas não deve ter problemas no balanço de pagamentos.

A dinâmica das contas externas brasileiras deve manter as reservas internacionais elevadas — ou até aumentar ainda neste ano, segundo a Rosenberg Associados. As reservas somavam US$ 376,7 bilhões no fim de abril, no maior patamar mensal desde agosto de 2014, segundo o Banco Central.

“As reservas internacionais e o fato do Brasil ser credor líquido (dívida pública e privada menor que as reservas) evitam uma crise ainda mais aguda do que a atravessada pelo Brasil no momento”, avalia a consultoria em relatório assinado pela economista-chefe Thaís Zara.

De acordo com Zara, apesar do ajuste doloroso das contas externas que o país atravessa, o processo é saudável e não são esperados problemas no balanço de pagamentos.

O déficit externo deve ter significativa redução ao longo deste ano, impactado principalmente pelos efeitos positivos da balança comercial e das contas mais sensíveis ao câmbio e atividade econômica.

As transações correntes brasileiras registraram superávit de US$ 412 milhões em abril, o primeiro resultado positivo no mês desde 2009 e o maior desde 2007. Com isso, o déficit acumulado em 12 meses encolheu de US$ 41,4 bilhões (2,38% do PIB) em março para US$ 34,1 bilhões (1,97% do PIB) no mês passado.

Zara avalia que a velocidade do ajuste das contas externas está em linha com sua projeção de déficit corrente de US$ 13 bilhões (-0,87% do PIB) em 2016.

“O movimento de diminuição do déficit externo é uma das faces do reequilíbrio macroeconômico pelo qual o país está passando e tem um caráter positivo, apesar do perfil do ajuste (baseado na redução de consumo), pois reduz as necessidades de financiamento externo e ameniza pressões cambiais advindas do lado real da economia”, avalia a economista.

O setor externo vem dando contribuição positiva para o PIB, mas ainda insuficiente para reverter a recessão, na análise de Zara. “Outro desequilíbrio macroeconômico, o fiscal, começa a ter as primeiras medidas importantes anunciadas e é ponto chave para recuperação do crescimento”, opina a economista sobre as medidas divulgadas hoje pelo presidente interino Michel Temer.

 

Por Weruska Goeking, jornalista especialista do mercado