Opinião – O nome é Brasil

”O assalto aos cofres da União, a corrupção em todos os escalões…o descontrole na economia, os vergonhosos diálogos gravados por amigos e inimigos…” A quase ex-presidente abriu uma nova frente de resistência ao governo Temer; protestar! Inicialmente foram os “sem ter o que fazer” que obstruíram estradas e invadiram fazendas produtivas para criar clima de …

31/05/2016 02:58



”O assalto aos cofres da União, a corrupção em todos os escalões…o descontrole na economia, os vergonhosos diálogos gravados por amigos e inimigos…”

A quase ex-presidente abriu uma nova frente de resistência ao governo Temer; protestar! Inicialmente foram os “sem ter o que fazer” que obstruíram estradas e invadiram fazendas produtivas para criar clima de confronto. Não deu certo, a população se posicionou a favor do afastamento de Dilma e está dando voto de confiança ao governo, por enquanto, interino.

Em seguida foram os estudantes manipulados pela ex-UNE que decidiram ficar sem aulas e ocuparam as escolas, em sinal de que estudar não é fundamental dentro das características de governos populistas.

Logo surgiram milhares de artistas que ocuparam os órgãos da Cultura para protestar contra o fim do ministério. O presidente reavaliou a questão e manteve o ministério, nomeando um especialista na área. De nada adiantou. O movimento não era para reconquistar o espaço, mas sim atrapalhar as reformas necessárias ao país; mantiveram a ocupação como os jovens estudantes. Muitos perderam cargos comissionados e sobem ao palco para representar óperas bufas.

E os casos se sucedem; agora, dirigentes da Controladoria Geral da União na terra de Dilma pediram exoneração com o pretexto de exigir a manutenção do nome do importante órgão. A controladoria tem apresentado excelentes resultados no seu trabalho e não é razoável que funcionários responsáveis se prestem a invocar nomenclaturas para esconder o fato de que, por serem comissionados e escolhidos a dedo por Dilma, seriam naturalmente substituídos por servidores republicanos.

Se não bastassem a ira dos perdedores, agora culpam o governo de tudo, e até mesmo em manifestações tradicionais, como a “Parada Gay”, levantam faixas exigindo a saída do presidente constitucional.

Nos atos de repúdio à violência praticada contra uma jovem adolescente, placas políticas foram exibidas, demonstrando que o vale-tudo do governo afastado permanece e não se respeita nem o sofrimento alheio.

O desemprego, a violência, o assalto aos cofres da União, a corrupção em todos os escalões, o vergonhoso atendimento nos hospitais, o descontrole na economia, os diálogos gravados por amigos e inimigos, com ou sem autorização judicial, ocuparam os horários das novelas e enchem de desilusão cidadãos trabalhadores que acordam e vão dormir na escuridão.

Vivemos um tempo de reflexão e precisamos, ainda, conviver com aqueles que vieram de outros tempos nos quais era possível regularizar terras com simples pedidos feitos por políticos, tempos em que a elite, com breve intervenção, mandava prender e soltar seus apadrinhados, tempos em que o dinheiro público se confundia com o privado. Felizmente o Poder Judiciário é o fiel da balança e exerce suas funções com sabedoria e inflexibilidade, aplicando a Justiça para todos, sem distinções.

E para não deixar de falar em Brasília, o presidente do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), de saída, num golpe rasteiro, decidiu publicar portaria violando a preservação da cidade Patrimônio Cultural da Humanidade. Escandaloso!

O certo é que hoje estão sendo afastados dirigentes que não deveriam exercer funções, nas quais se exige reputação ilibada e notável saber, e, por outro lado, tem-se colocado na cadeia corruptos e corruptores. Em breve, nos palcos do mundo, será apresentado o novo Brasil, com novo diretor, outros personagens mais qualificados e com final feliz.

paulo castelo branco artigo

Por Paulo Castelo Branco é advogado e  escritor, autor do livro Ladrão de Histórias.