Opinião – Silêncio sepulcral

”…Alguns mensageiros eram sacrificados por desconfiança dos poderosos de que eles pudessem ter rompidos os lacres e causar danos entre conspiradores.” Há séculos o homem utiliza diversos modos de comunicação nos seus relacionamentos pessoais. A história relata sobre o exaustivo trabalho dos mensageiros para levar e trazer correspondências confidenciais especialmente entre autoridades; o fato acabou …

15/06/2016 02:11



”…Alguns mensageiros eram sacrificados por desconfiança dos poderosos de que eles pudessem ter rompidos os lacres e causar danos entre conspiradores.”

Há séculos o homem utiliza diversos modos de comunicação nos seus relacionamentos pessoais. A história relata sobre o exaustivo trabalho dos mensageiros para levar e trazer correspondências confidenciais especialmente entre autoridades; o fato acabou dando origem às maratonas que ocupam as ruas pelo mundo e premiam seus vencedores.

Nos tempos passados, alguns mensageiros eram sacrificados por desconfiança dos poderosos de que eles pudessem ter rompidos os lacres e causar danos entre conspiradores.

Evitando o uso dos portadores, os poderosos criaram o correio aéreo com o uso de pombos. Ao longo dos anos, após muitos vazamentos de informações, descobriu-se que os inimigos controlavam a saída das aves e as caçavam com falcões treinados para o ataque. A conduta foi deixada de lado com a descoberta do telégrafo.

É verdade que os índios americanos durante séculos mantiveram seus contatos com sinais de fumaça. Com o advento do “Código Morse”, até os índios passaram a utilizar o invento. O que se sabe é que inimigos descobriram a possibilidade de interceptação de mensagens nos fios do telégrafo e, afinal, chegaram os meios eletrônicos criptografados que, imaginava-se, seriam meios seguros de troca de informações confidenciais.

O segredo acabou com a intervenção dos “hackers” que invadem os equipamentos e desvendam qualquer mistério. As ações desses técnicos passaram a ser utilizadas, também, pelos órgãos de segurança pública e o mundo ficou desnudo.

Daí surgiram idéias novas para que as confidências não fossem decifradas; a primeira foi a contratação de moto-boys como maneira eficiente de troca de mensagens, logo a forma foi abandonada pelas mesmas razões dos antigos maratonistas: desconfiança e depoimentos à polícia que desmascararam falcatruas.

Por outro lado, nos estádios de futebol e reuniões públicas, a solução foi cobrir a boca com as mãos para que a leitura labial não pudesse ser conhecida.

Agora, com as inúmeras delações de companheiros e apreensões de equipamentos eletrônicos, os vários envolvidos no ataque ao erário estão buscando soluções práticas para combinarem as suas respostas às autoridades, uma delas foi voltar à infância e reaprender a língua do “P” a fim de confundir pessoas estranhas à conversa. Professores já foram contratados e as aulas são disputadíssimas, apesar de o método ser facilmente entendido pelos investigadores.

No interior do país foi descoberta uma turma de aprendizes sendo orientada por indígenas no domínio da linguagem da fumaça. A polícia, que também possui seus especialistas, já filmou conversas entre suspeitos e logo os levarão às barras da justiça.

Finalmente, a nova fórmula de despistar os investigadores é a utilização da linguagem de libras através do uso do FaceTime que não guarda imagens. Parece que os infratores estão se sentindo seguros. Devem ficar com os pés atrás, pois, o interlocutor, apesar de amigo, pode estar coletando provas para delação e gravando em vídeos as tratativas. Parece que em pouco tempo, obedecendo às constantes leis exigindo silêncio, o Brasil será um país sem voz, triste e sem graça, mesmo que a aprovação da cassação de Eduardo Cunha na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados possa nos renovar as esperanças.

 

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Por Paulo Castelo Branco