Opinião – Marina Silva, a eterna novidade

”Nos momentos de tensão política, já virou lugar-comum questionar o paradeiro de Marina Silva. Assim, não causa surpresa o sumiço quase completo da ex-senadora…” Nos momentos de tensão política, já virou lugar-comum questionar o paradeiro de Marina Silva. Assim, não causa surpresa o sumiço quase completo da ex-senadora durante a crise política pela qual passa …

19/06/2016 12:13



”Nos momentos de tensão política, já virou lugar-comum questionar o paradeiro de Marina Silva. Assim, não causa surpresa o sumiço quase completo da ex-senadora…”

Nos momentos de tensão política, já virou lugar-comum questionar o paradeiro de Marina Silva. Assim, não causa surpresa o sumiço quase completo da ex-senadora durante a crise política pela qual passa o Brasil. Poucas foram as opiniões dadas, e menor ainda foi seu comprometimento com qualquer facção política. Sobre a economia, o silêncio foi absoluto. O que vale a pena perguntar, agora, é sobre a viabilidade política dessa estratégia de desaparecimento quase completo que claramente está voltada para a disputa presidencial.

É fato que há bastante tempo o eleitorado está carente de novos nomes e propostas. Marina Silva tem buscado atender essa demanda desde 2010, quando obteve um incrível terceiro lugar na votação geral. Em 2014, apesar dos percalços, Marina teve a confirmação da avidez do público por mudanças: liderou as pesquisas de intenção de voto por muito tempo, sucumbindo apenas ao final, diante do jogo baixo dos dois principais partidos tradicionais. Está provado, portanto, que Marina semeia em solo fértil, e que tem plena consciência disso.

O que muitos veem como sinal de alheamento de Marina Silva em relação à realidade tem-se mostrado a longo prazo como uma estratégia acertada na disputa pelo eleitorado brasileiro. Por exemplo, a inércia da candidata acreana ao sofrer uma brutal campanha difamatória por parte de Dilma Rousseff em 2014 pode ter-lhe custado a vitória; porém, o infortúnio público e político da presidente afastada hoje tem o efeito de destacar Marina como a vencedora natural desse debate. No atual contexto, todo o discurso feito contra Marina durante a eleição mudou de significado: por exemplo, a desvinculação da ex-senadora de uma grande coalizão partidária, argumento atirado contra ela no passado, hoje aparece como uma vantagem para a imagem de Marina; afinal, todos os grandes partidos estão profundamente desgastados diante da população.

É claro que não faz sentido pensar que a ex-senadora sacrificou suas chances reais em 2014 em favor de uma vitória futura, mas é certo que sua postura de evitar envolvimento com as tramas e personagens da política tradicional fortalece sua imagem de “diferente” com o passar do tempo.

É nítida a percepção de que Marina Silva não tem pressa de chegar à Presidência da República: a persistência de Lula é um exemplo do qual ela, inclusive, participou. Sendo assim, os longos sumiços de Marina Silva nos períodos não eleitorais têm o sentido de preservar a aura de novidade em torno de seu nome, principal trunfo a seu favor no cenário atual de desgaste dos políticos e partidos tradicionais.

Os riscos que Marina corre ao adotar tal estratégia não são muitos. À parte um improvável esquecimento de seu nome pelo eleitorado, ela poderia ser superada na preferência popular por um inesperado candidato novato, que atrairia as esperanças populares ainda mais do que a ex-senadora. Entretanto, agora que seu nome surge associado a doações irregulares de campanha, resta saber se esse plano de ação vai se sustentar.

 

Por Paulo Diniz é jornalista