Disputa na Câmara – Veja os grupos que dão sustentação aos 3 candidatos

Favoritismo giram em torno de Rogério Rosso, Marcelo Castro e Rodrigo Maia. Opinião sobre impeachment de Dilma e cassação de Eduardo Cunha marcam as diferenças Os deputados elegem nesta quarta-feira (13) quem vencerá a disputa na Câmara para assumir a presidência da casa pelos próximos sete meses, para preencher a lacuna aberta pela renúncia de Eduardo …

13/07/2016 13:20



Favoritismo giram em torno de Rogério Rosso, Marcelo Castro e Rodrigo Maia. Opinião sobre impeachment de Dilma e cassação de Eduardo Cunha marcam as diferenças

Na noite de terça-feira (12), havia 14 candidaturas oficializadas. O elevado número de postulantes aumenta a imprevisibilidade do resultado, que será definido provavelmente em dois turnos de votação entre os 513 deputados.

Hoje há três principais blocos na Câmara: o “centrão” (grupo informal de 12 partidos aglutinados em torno de Cunha que apoia o presidente interino Michel Temer), a velha oposição que agora está no governo interino (e se opunha ao PT há mais tempo, como PSDB e DEM), e a nova oposição (como PT e PC do B), ligada à presidente afastada Dilma Rousseff, que será julgada definitivamente pelo Senado em agosto. O PMDB, maior partido da Casa, está dividido.

Esses grupos se aglutinam preferencialmente em torno dos seguintes candidatos:

Rogério Rosso (PSD-DF)

É o nome mais provável para representar o “centrão”, um bloco de partidos composto em torno da força aglutinadora de Cunha com legendas médias e pequenas.

Rosso foi o presidente da comissão especial da Câmara que analisou o impeachment de Dilma, votou pelo afastamento da petista e é aliado de Cunha. O líder do governo Temer na Câmara, André Moura (PSC-SE), também é do “centrão”. Entre os três candidatos com mais chance na Câmara, Rosso é o que tende a ser mais benevolente com a tramitação do processo de cassação de Cunha, que deve ir a plenário em agosto.

Pontos Fortes

Conseguiu conduzir os trabalhos da comissão do impeachment de forma a contemplar os denunciantes e a defesa de Dilma, sem sofrer grandes contestações. Se posicionou como o nome favorito do “centrão” e seu partido, o PSD, tem 35 deputados.

Pontos Fracos

O “centrão” tem mais de 250 deputados, porém há outros oito candidatos do grupo na disputa pela presidência da Câmara, que podem roubar votos decisivos para Rosso ir ao segundo turno. Além disso, há uma acusação recente que pode prejudicá-lo. Segundo o jornal “Correio Braziliense”, em depoimento concedido em 28 de junho à Justiça, o técnico em informática Francinei Bezerra disse que Rosso teria sido gravado recebendo dinheiro de Durval Barbosa, que denunciou o “mensalão do DEM” em 2009. Ao jornal, Rosso afirmou ser inocente e considerou o depoimento uma “tentativa sorrateira” de denegrir sua imagem em meio à disputa.

RESUMO

Pró-impeachment e benevolente com Cunha.

Marcelo Castro (PMDB-PI)

É o candidato oficial do PMDB, mas não representa a maioria do partido, e sim os deputados que oscilam em relação ao governo Temer. Foi escolhido com 28 votos entre os 66 da bancada. Ex-ministro da Saúde de Dilma, votou contra o impeachment, recebeu o apoio de parte dos deputados do PT e tenta buscar também os votos de PDT e PCdoB. Em 2015, impôs a primeira grande derrota a Cunha na Presidência da Câmara, durante a votação de projeto de reforma política. Afirma que a cassação do mandato do ex-presidente da Câmara é “inevitável”.

Pontos Fortes

Com o piso de 28 votos do PMDB, mais parcela dos deputados do PT, PDT e PCdoB, pode chegar ao segundo turno. Foi escrutinado pela imprensa quando assumiu o Ministério da Saúde e não entrou no alvo de denúncias de corrupção.

Pontos Fracos

Se for ao segundo turno, terá contra si a força política do “centrão” e, possivelmente, da velha oposição. Caso seja eleito, o PMDB acumulará as presidências da República, da Câmara e do Senado, o que pode fomentar insatisfação nos partidos aliados ao governo.

RESUMO

Contra o impeachment e rigoroso com Cunha.

Rodrigo Maia (DEM-RJ)

Tenta aglutinar o apoio da antiga oposição (PSDB, DEM, PPS e PSB). Filho do ex-prefeito do Rio Cesar Maia, está no quinto mandato consecutivo na Câmara. Chegou a negociar o apoio do PT com o objetivo de unir forças contra o “centrão”, mas os petistas decidiram não votar em deputados que apoiaram o afastamento de Dilma, como Maia. Tende a ser rigoroso no processo de cassação de Cunha.

Pontos Fortes

Atraiu o apoio consistente do PSDB, terceira maior bancada da Câmara com 50 deputados, e conta com o respaldo de seu partido, o DEM, com 35 deputados.

Pontos Fracos

Sua candidatura perdeu força após o acordo frustrado com o PT. Além disso, parcela do PSDB pode votar em outros candidatos, como Beto Mansur (PRB-SP), um ex-tucano. O PSB tem nome próprio na disputa, Júlio Delgado (MG), que tende a apoiar Marcelo Castro no segundo turno.

RESUMO

Pró-impeachment e rigoroso com Cunha.

 

Demais Candidatos

Há uma grande variedade de perfis entre os postulantes ao cargo de presidente da Câmara. Desde deputados estreantes na Casa, como Fausto Pinato (PP-SP), primeiro relator do processo de cassação de Cunha, até o decano (há mais tempo na Câmara) Miro Teixeira (Rede-RJ), no 11º mandato consecutivo.

Entre os 14 candidatos, duas são mulheres: Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha do ex-deputado Roberto Jefferson, condenado no processo do mensalão, e Luiza Erundina (PSOL-SP), pré-candidata a prefeita do município de São Paulo.

 

Da Redação com informações de Bruno Lampion no Expresso Nexo