Opinião – Nomes, Alcunhas e Apeldidos

”Dizem que algumas provas mostram relatos de encontros secretos entre agentes corruptos e corruptores. Um deles, cheio de interrogações e exclamações…” Há alguns anos, crianças e jovens eram chamados por seus parentes com diminutivos. Primeiro, meu amorzinho, após o batismo, surgiam os apelidos: Bibi, Pê, Zé, PX, Chico, Lili, Gabi, Quinha, Toni, Beto e outros …

04/11/2016 11:45



”Dizem que algumas provas mostram relatos de encontros secretos entre agentes corruptos e corruptores. Um deles, cheio de interrogações e exclamações…”

Há alguns anos, crianças e jovens eram chamados por seus parentes com diminutivos. Primeiro, meu amorzinho, após o batismo, surgiam os apelidos: Bibi, Pê, Zé, PX, Chico, Lili, Gabi, Quinha, Toni, Beto e outros milhares de apelidos.

No período escolar, os colegas, de acordo com o tipo físico, recebiam apelidos que hoje são consideradas politicamente incorretas, mas, à época, não passavam de brincadeiras que, de modo geral, não deixavam sequelas. Peito de pombo, indicativo de criança com deformação que desaparecia com a prática da natação; baleia, fora do peso ideal; sarará, cabelo encaracolado e de cor indefinida; pintor de rodapé, de baixa estatura; burro, desatento, e por aí seguiam até chegar ao curso superior quando, pelas opções de cursos, os apelidos se tornavam mais raros, apesar de, pelas costas, alunos e professores eram conhecidos pelas qualidades que não tinham.

Na fase adulta, os que seguiram a vida política aproveitaram as alcunhas que escondiam seus nomes verdadeiros para se lançar candidatos a cargos eletivos.

Agora, nas campanhas eleitorais é que se nota a criatividade dos postulantes ao se apresentarem aos eleitores; nesta hora há de tudo: Ximbica, Costas Largas, Da Navalha, Nas Bocas, e outros nomes que acabam prejudicando o candidato quando ele começa a compreender que a política marca os seus personagens e, se a carreira se tornar importante, fica difícil se livrar do apelido. Imagine-se um presidente da República, numa reunião internacional, e ser anunciado como “Lulu Vaselina””” os presentes logo perceberão que a fala do sujeito não goza de credibilidade.

Nesses tempos de “Lava Jato”, com milhares de planilhas aprendidas pela Polícia Federal e o Ministério Público, alcunhas variadas dissimulam os verdadeiros destinatários das propinas.

A lista mais recente, e há muito esperada pelo cidadão comum, é um primor de falta de imaginação dos assessores e intermediários da entrega da grana previamente fixada.

Os codinomes escolhidos não conseguem despistar nada; ao contrário, chegam aos beneficiários como se eles tivessem entregue as suas carteiras de identidade e posado para fotos nas portarias dos prédios.

Dizem que algumas provas mostram relatos de encontros secretos entre corruptos e corruptores. Um deles, cheio de interrogações e exclamações, é mais ou menos assim:

27.3. 1º tempo do início do jogo!!! atenção!!!! – place? – pilotis ON 2º piso& – chave @pombalpraça – acesso $$ – camisa 10 aguarda 13hs!!!. Resposta: Cod 01 OK! O e.mail foi decifrado em 30 segundos pelo filho de um analista que aguardava o pai para levá-lo à escola.

13.12. 43′ 2º T!!!! – Hot???? – dog bus/// seguir p/ pasto???? Cuidado, não empurrar a porteira com força!!! Curral 7 –  D’Uomo missa corpo presente 23 hs. O perito já preocupado com o menino, pediu ajuda a um auxiliar e deu a dica: – Isto tem relação com as coisas do bambino, é só checar, e saiu.

Com essas descobertas, é possível que os pais passem a manter os nomes de seus filhos para sempre, assim não correrão o risco de saberem por último as alcunhas usadas por eles para esconder falcatruas; as pessoas serão conhecidas por seus nomes e sobrenomes, assumirão os seus malfeitos e facilitarão o trabalho dos investigadores.

 

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Por Paulo Castelo Branco