Opinião – Apertem os cintos, Trump vem aí!

”Aos mais lúcidos, recomendo que apertem os cintos. Emoções fortes estão reservadas com Donald Trump no comando do leme do mais importante país do mundo.” Entre a perplexidade e o temor pelo futuro, o mundo recebeu a notícia sobre a vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas. Trump fez uma campanha em tom de populismo autoritário, …

21/11/2016 13:10



”Aos mais lúcidos, recomendo que apertem os cintos. Emoções fortes estão reservadas com Donald Trump no comando do leme do mais importante país do mundo.”

Entre a perplexidade e o temor pelo futuro, o mundo recebeu a notícia sobre a vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas. Trump fez uma campanha em tom de populismo autoritário, contra o establishment, contra os políticos (já vimos esse filme perto de nós, radicalizando o discurso conservador, mas fora dos padrões tradicionais, em que não foram poucas as declarações desastradas). Trump derrotou não só o Partido Democrata, Hillary Clinton e Obama. Derrotou também todo o sistema político, inclusive o comando institucional do próprio Partido Republicano.

A vitória de Trump revela, em meu ponto de vista, um fenômeno universal das democracias contemporâneas: o distanciamento crescente da sociedade do quadro partidário clássico. Há hoje na Europa e nos Estados Unidos um mal-estar com os caminhos da civilização. Os riscos são enormes.

A democracia é assim. Não é um sistema perfeito. É tentativa e erro, aprendizado permanente. Acerta sempre no atacado e no longo prazo, apresenta, às vezes, surpresas desagradáveis no varejo e no curto prazo. Trump surfou em cima do desemprego produzido pela crise de 2008 e pelos efeitos da globalização. Ganhou em regiões industrializadas, tradicionalmente democratas, com um agressivo discurso de recuperação de empregos pela expulsão de imigrantes e por retrocessos protecionistas.

Mas o que nós aqui, nos trópicos, temos a ver com isso? Tudo e mais alguma coisa. Os EUA, gostemos ou não, são a nação que lidera o mundo ocidental. No plano das relações internacionais, o horizonte é nebuloso e sombrio. Trump prometeu desinvestir na Otan, é perigosamente próximo de Putin, prometeu esmagar o Estado Islâmico (o que levará ao aumento das ações terroristas), acenou diálogo com a Coreia do Norte e ameaça parceiros tradicionais dos EUA, como Japão, Coreia do Sul e Austrália. É contra as iniciativas de combate ao aquecimento global e prometeu apoiar fontes poluidoras de energia, como o carvão.

No plano interno, a tragédia não é menor. Trump acenou com a piora na legislação de controle às armas. Prometeu construir um muro na fronteira com o México, orçado em R$ 25 bilhões. Defendeu o endurecimento de ações e leis anti-imigração. Criticou e disse que vai acabar com o Obamacare, que garantiu a democratização do acesso ao sistema de saúde.

Mas o que mais afeta o Brasil é o que se anuncia no plano econômico. Alinhado com o espírito do Brexit no plebiscito no Reino Unido, advoga uma perspectiva retrógrada antiglobalização, opondo-se ao Acordo do Transpacífico e ao Acordo de Livre Comércio Norte-Americano (Nafta). Propõe diminuir impostos, aumentar o protecionismo e as tarifas de produtos importados. Setores como os de suco de laranja, soja, carne e produtos siderúrgicos terão, entre outros, dificuldades adicionais. O Brasil perderia um de seus maiores mercados, que poderia alavancar a retomada de nosso crescimento.

Em resumo, apertem os cintos. Emoções fortes estão reservadas com Trump no leme do mais importante país do mundo.

 

marcus pestana
Por Marcus Pestana é deputado federal pelo PSDB-MG