Opinião – As eleições de 2018 podem ser o início de uma nova política

”A população brasileira precisa conscientizar seu voto. A massa que aí está, sabe muito bem o porque estará votando e especialmente em quem, ao menos, não deve votar…” Reuniram-se, na semana passada, no seminário Reage, Rio, o historiador e professor titular de história contemporânea da UFF, além de articulista do jornal “O Globo”, Daniel Aarão …

27/02/2018 15:11



”A população brasileira precisa conscientizar seu voto. A massa que aí está, sabe muito bem o porque estará votando e especialmente em quem, ao menos, não deve votar…”

Reuniram-se, na semana passada, no seminário Reage, Rio, o historiador e professor titular de história contemporânea da UFF, além de articulista do jornal “O Globo”, Daniel Aarão Reis, a desembargadora Jacqueline Lima Montenegro, da 15ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, e o CEO do aplicativo Nova Voz, Jean Michel Dias. Os três especialistas foram unânimes em afirmar que a solução, em 2018, “está na conscientização do voto, já que os quadros políticos estaduais tradicionais estarão fora da disputa eleitoral do próximo ano”.

Concordo quando os três defendem a conscientização do voto. Discordo, porém, quando excluem “os quadros políticos estaduais tradicionais” da próxima disputa eleitoral. Isso é utopia, indispensável, mas utopia. A referência talvez se deva, em especial, ao ex-governador Sérgio Cabral e seu bando, sem similares na história do Brasil. Todavia, a solução que se busca para o país e, em particular, para o Rio de Janeiro não se efetivará sem a participação dos políticos tradicionais. Ainda há gente, na política do Rio de Janeiro, que tem condições de contribuir para retirá-lo do lamaçal em que se meteu há muitos anos. Cariocas e fluminenses têm sido vítimas de maus gestores. Espero que Sérgio Cabral tenha sido o epílogo dessa trágica história.

A virtude do seminário Reage, Rio está, em primeiro lugar, na preocupação com o infeliz Estado do Rio de Janeiro e, particularmente, com sua belíssima capital; em segundo lugar, insisto, os três especialistas acertaram em cheio quando afirmaram que a solução, para o Brasil, está na conscientização do voto. Isso veio ao encontro, modéstia à parte, do que já disse movido não só pelo sentimento que nutro por meu país, mas, também, pelo sentimento de esperança que, apesar do peso dos anos, não morre, nem morrerá nunca. Assim espero.

Daniel Aarão Reis, além da conscientização do eleitor e da “redução drástica” do foro privilegiado, sugeriu mudanças no sistema eleitoral, pois só assim, explicou, o cidadão poderá voltar a acreditar no político. Sugeriu, também, outras mudanças, que incluem “a limitação do número de mandatos ao máximo de dois consecutivos para deputados”, providência que, segundo ele, “levaria a uma oxigenação do Congresso”.

Já o criador do aplicativo Nova Voz acredita que “a informação e a aproximação do cidadão com a política servem para criar um eleitor mais consciente, mas isso ainda não terá resultados eficazes em 2018. A descrença das pessoas na política é muito grande, e um dos caminhos para diminuir essa descrença é aproximar o cidadão da política, da vida pública”, concluiu, finalmente, Jean Michel Dias.

Na opinião da juíza Jacqueline Lima Montenegro, a falta de informação impede que os cidadãos se transformem em eleitores conscientes e menos interessados em trocar o voto por algum benefício: “Esse discurso que estou fazendo – ver como o candidato se formou, quais são suas propostas, a que partido ideológico está ligado – é para quem tem informação. Temos imensa massa que não tem capacidade de avaliar e julgar. Temos eleitores que trocam voto por dentadura”.

A conscientização do voto é necessária, mas o eleitor brasileiro não é exatamente esse ao qual se referiu a desembargadora. A maioria maciça dessa “massa” a que se refere a ilustre juíza sabe perfeitamente por que está votando e, sobretudo, em quem está votando.

Essa “massa” precisa de um governo que a enxergue.

E a paz, no país, só virá com esse governo.

Acílio Lara Resende artigo
Por Acílio Lara Rezende