Opinião – A mídia precisa cessar a doutrina da desconstrução

”Em um ambiente como este, é infelizmente previsível que alguns decidam trocar os votos pelas facas na ânsia de fazer com que os seus preferidos cheguem ao poder” Assisti atentamente, até por dever de ofício, a cobertura do atentado. Observei caras e bocas aparentemente chocadas com o acontecido, mas surpreendentemente não vi nada que pudesse …

10/09/2018 12:13



”Em um ambiente como este, é infelizmente previsível que alguns decidam trocar os votos pelas facas na ânsia de fazer com que os seus preferidos cheguem ao poder”

Assisti atentamente, até por dever de ofício, a cobertura do atentado. Observei caras e bocas aparentemente chocadas com o acontecido, mas surpreendentemente não vi nada que pudesse sequer lembrar uma autocrítica. A verdade é que apresentadores e apresentadoras miravam as câmaras com semblantes entristecidos, lamentando um ódio que muitos deles ajudam a propagar.
A violência pode se apresentar de várias formas. A mais simples talvez seja através de uma faca na mão de um assassino. Todavia, existem outras. A acusação falsa. O mancheteamento pernicioso. A perseguição indevida. A criminalização prévia. O indevido processo legal. O vazamento seletivo. A destruição de reputações. A prisão preventiva desarrazoada… É verdade que estas não furam barrigas, mas causam danos tão ou mais graves e semeiam o ódio que empunha facas.
Assisti quinta-feira à noite o JN e nada havia mudado. Continuava aquela perseguição absurda ao presidente Temer, onde ilações são postas como fatos, afirmações são transformadas em confirmações e vontades são alardeadas como realidades. Respeito a pessoa ou a função presidencial? Nenhum.
O Brasil precisa encontrar um caminho de conciliação onde adversários divirjam, mas não se esfaqueiem. Porém, para isto, é fundamental que a grande mídia desista da “Doutrina da Desconstrução” que tem guiado seus passos. Aquela ideia de que imprensa só existe para falar mal tem que ser abandonada. Construir também tem que ser o seu papel. Não é possível que a política não tenha produzido nada de positivo. Produziu, e muito. Então por que que quem assiste a maior dos nossos grupos de comunicação ou lê o maior dos nossos jornais não toma conhecimento de nada de bom que tenha sido produzido pelos políticos?
Desta forma é natural que a política seja odiada. E daí para este ódio se estender a Democracia como um todo é um simples passo.
Em um ambiente como este, é infelizmente previsível que alguns decidam trocar os votos pelas facas na ânsia de fazer com que os seus preferidos cheguem ao poder.
As eleições têm que se constituir em um momento de pacificação. Mas para que isto aconteça, mudar é preciso, e com urgência.

 

Por Caros Marun é ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República.