Opinião – PT, um guardão da Democracia?

”Se nos anos do PT  o Brasil não foi transformado numa Venezuela, não foi pela falta de empenho e vontade de seus líderes de seguir o mesmo caminho que o país vizinho” A professora Maria Hermínia Tavares de Oliveira, cujas qualificações acadêmicas são de excelência indiscutível (inclusive um pós-doutorado pela Universidade da California, em Berkeley), …

25/09/2018 17:46



”Se nos anos do PT  o Brasil não foi transformado numa Venezuela, não foi pela falta de empenho e vontade de seus líderes de seguir o mesmo caminho que o país vizinho”

A professora Maria Hermínia Tavares de Oliveira, cujas qualificações acadêmicas são de excelência indiscutível (inclusive um pós-doutorado pela Universidade da California, em Berkeley), em entrevista recente à Globonews, permitiu que o entusiasmo que alimenta em relação ao Partido dos Trabalhadores prejudicasse a isenção analítica que os telespectadores dela esperavam.

A escorregadela ocorreu após a entrevistadora ter-se referido a declaração do candidato Geraldo Alckmin, em programa eleitoral, de que tanto Jair Bolsonaro quanto o candidato petista ungido por Lula (Fernando Haddad) representariam, ambos, uma “ameaça à democracia”. Maria Hermínia reagiu: Bolsonaro, sim; o PT não, pois o partido já teria demonstrado nos governos Lula e Dilma seu entusiasmo pela democracia, suas regras e instituições.

Esse entusiasmo petista pela democracia, convenhamos, é inexistente.  Se nos anos do PT  o Brasil não foi transformado numa Venezuela, não se deveu à falta de empenho e vontade de seus líderes de seguir o mesmo caminho, mas à relativamente maior solidez das instituições brasileiras vis-à-vis as venezuelanas.

No país vizinho – até hoje percebido como modelo de democracia pelo PT – a imprensa independente deixou de existir; o Judiciário foi aparelhado, opositores foram a para a cadeia e o comando das Forças Armadas comprado por benesses. Sem críticas ou instituições que permitissem modificações de rumo, o país foi, virtualmente, para o brejo.

É por tanto amor à democracia que para as próximas eleições o PT escolheu como candidata à vice uma deputada do Partido Comunista do Brasil (PC do B).  O mesmo partido cujo secretário de relações internacionais, José Reinaldo Carvalho (colega, amigo e admirador de Marco Aurélio Garcia, que exerceu a mesma função no PT e foi o ministro de fato das relações exteriores nos governos Lula e Dilma), em recente exaltação ao centenário da Revolução Comunista de 1917 declarou que o triunfo das classes oprimidas, na Rússia, “demonstrou que somente a revolução pode abrir caminho à conquista da emancipação nacional e social, às transformações sociais e políticas progressistas.”

José Reinaldo, que num eventual governo Haddad poderia vir a ocupar a mesma função que já foi a de Marco Aurélio Garcia, declarou em alto em bom tom que a estratégia do movimento operário não deve contar com a colaboração das demais  classes sociais. Que se faça no Brasil, o que se fez na Rússia de há cem anos, onde o “Partido (Comunista) conseguiu separar as massas da influência dos partidos oportunistas e derrotou as suas tentativas e do Governo Provisório de impedir o desenvolvimento e a vitória da revolução socialista”.

 

 

 

Por Pedro Luiz Rodrigues