Opinião – O PT e o PC do B querem o controle da política externa

”Em comum, PT e PCdoB têm grande admiração pelo eixo Venezuela-Cuba, que em caso de vitória de Haddad voltaria a ser (…) as administrações dos 13 anos precedentes” As eleições ainda não ocorreram, e a chapa dos candidatos Fernando Haddad-Manuela d’Ávila não está lá com a bola muito cheia. Mas mesmo assim, os internacionalistas da …

03/10/2018 19:03



”Em comum, PT e PCdoB têm grande admiração pelo eixo Venezuela-Cuba, que em caso de vitória de Haddad voltaria a ser (…) as administrações dos 13 anos precedentes”

As eleições ainda não ocorreram, e a chapa dos candidatos Fernando Haddad-Manuela d’Ávila não está lá com a bola muito cheia.

Mas mesmo assim, os internacionalistas da dobradinha PT-PCdoB estão com as penas eriçadas diante da possibilidade de seus candidatos saírem vitoriosos.

A excitação é grande, em particular no PCdoB, que pela primeira vez em sua existência percebe-se diante de uma possibilidade concreta de chegar ao poder.

A visão que ilumina a todos é a da entrada apoteótica de  Manuela no  Palácio do Jaburu, a residência oficial da Vice-Presidência da República.

O PCdoB já deixou claro a seus interlocutores petistas que não entrou na coligação com fins apenas decorativos. Quer tratar de tema relevante, e ficará feliz em assumir o comando da política externa de um governo Haddad, por considerar que não lhe faltam credenciais para isso.

Nesse período de campanha, o Partido dos Trabalhadores evita comentar; acha que não é o momento de se falar do assunto. Para não ferir suscetibilidades, tem desestimulado que o tema prospere no noticiário.

Não obstante, sabe-se que o PT não tem a menor intenção de entregar de bandeja a área externa ao PCdoB, caso vença as eleições.

Os comunistas, muito mais pautados pela ideologia e os métodos marxistas do que o PT, precisam de uma área para fortalecer o trabalho militante de base, via a construção de células, consideradas o principal alicerce para assegurar a aplicação das linhas, princípios e políticas do partido. A área internacional é percebida como um campo de exercício ideal.

Na percepção do partido de Manuela, desde o falecimento de Marco Aurélio Garcia (julho de 2017) – que foi o ministro das Relações Exteriores de fato, nos governos Lula e Dilma -, o PT perdeu muito de seu foco na área internacional, diferentemente do que ocorre no PCdoB.

De fato, são muitos o que consideram o novo secretário de Política e Relações Internacionais e vice-presidente nacional do PCdoB, Walter Sorrentino, mais preparado para assumir a função que foi de Garcia do que sua colega Monica Valente, secretária de relações internacionais do PT.

Além de vice-presidente de seu partido, Sorrentino é médico (pediatra e sanitarista), presidente do Conselho Curador da Fundação Maurício Grabois e diretor da União Brasileira de Escritores. Sorrentino substituiu na função o jornalista José Reinaldo Carvalho.

Mais, o PCdoB vê como vantagem relativa seus vínculos internacionais,  mais antigos e sólidos do que os do PT.  Sorrentino anda ativo. Há dias, visitou o embaixador do Irã em Brasília, de quem recebeu convite para participar das celebrações dos 40 anos da revolução iraniana, em fevereiro do ano que vem. Visitou, igualmente, os embaixadores da Rússia e da Síria, com cujos governos seu partido nutre grande simpatia.

Em comum, PT e PCdoB têm grande admiração pelo eixo Venezuela-Cuba, que em caso de vitória de Haddad voltaria a ser alçado ao status prioritário que mereceu nos 13 anos precedentes das administrações do Partido dos Trabalhadores. Outro ponto de convergência: o ex-Chanceler Celso Amorim, que chegou a se considerar pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, não ocupará cargo algum na área externa de um eventual governo Haddad.

 

 

Por Pedro Luiz Rodrigues