Opinião – Bolsonaro no Qatar e plano de cooperação com América Latina

”Tudo será favorecido, em razão da inequívoca determinação em crescer, que é uma realidade no Qatar, embora sofra cruel embargo econômico injusto…” O autor deste texto acaba de chegar do Qatar, em visita privada à Doha, para análises e observações. Ao voltar, a impressão é altamente positiva. O Qatar, outrora dependia da pesca e da …

28/10/2019 10:27



”Tudo será favorecido, em razão da inequívoca determinação em crescer, que é uma realidade no Qatar, embora sofra cruel embargo econômico injusto…”

O autor deste texto acaba de chegar do Qatar, em visita privada à Doha, para análises e observações.

Ao voltar, a impressão é altamente positiva.

O Qatar, outrora dependia da pesca e da coleta de pérolas por mergulhadores.

Hoje transformou-se em nação pioneira e líder, sobretudo em relação ao novo mercado energético global.

Atualmente, é considerada a nação mais rica do mundo. Tem a maior renda per capita, de US$ 127.660, segundo os dados mais recentes do Banco Mundial.

Pelo que vi, estou convencido de que as maiores oportunidades de relacionamento e atração de novos investimentos destinados à América Latina e, especialmente, para o Brasil, no atual momento global, estarão no Qatar, cuja capital Doha será visitada nesta segunda, feira, 28 pelo Presidente Jair Bolsonaro e seus ministros.

Não se pode negar que a política externa do governo Bolsonaro começa a dar resultados positivos. Na China, Japão e Arábia Saudita evoluem já temas de pautas anteriores, em decorrência da visita atual.

Todavia, os grandes avanços e perspectivas de inovações e novos negócios poderão ocorrer, a partir da visita do Presidente Bolsonaro à cidade de Doha, que tem o que oferecer.

QATAR E LIDERANÇA DO GOVERNO

Ninguém duvide: a “bola da vez” na economia mundial é o Qatar.

A hora desse país árabe aproximar-se da América Latina e Caribe é o momento atual, quando  a sua capital Doha sediará o mundial de futebol, em 2022.

O país cresce vertiginosamente, através da determinação de uma liderança que sabe o que quer, o Xeque Tamim Bin Hamad Al-Thani, um líder preparado para o exercício do poder e com ideias lúcidas de modernidade e relacionamento internacional.

PLANO DE RELACIONAMENTO QATAR/AMÉRICA LATINA        

Pela firmeza como o Qatar vem sendo governado, o autor lembra que seria o momento propício para a execução de um amplo programa multidisciplinar de relacionamento desse país com a América Latina e o Caribe, especialmente o Brasil, através de instituições universitárias, ONGs, entidades civis, associações de profissionais e empresários e órgãos dos próprios governos.

Há muita falta de informação sobre o Qatar entre os latinos americanos, assim como acerca do potencial de negócios a serem identificados.

CHINA APROVOU RELACIONAMENTO COM AMÉRICA LATINA

A propósito, recordo que em 2002, a China, que também crescia na proporção do atual Qatar, buscou aproximação com a América Latina e Caribe, o que lhe trouxe até hoje frutos positivos, sobretudo na economia.

Tudo começou, através do autor deste artigo, que exercia na época (2002) a presidência do Parlatino Americano (PARLATINO).

Por solicitação dos chineses propus  pessoalmente um plano de relacionamento da República Popular da China com a América Latina e o Caribe, que teve absoluto sucesso e perdura, até hoje.

Resultou na construção, com ajuda dos chineses, de uma monumental sede permanente do PARLATINO às margens do canal do Panamá, em pleno funcionamento.

O plano submetido à China visava em 2002, através da proposta que subscrevei ao então embaixador Jian Yuande,  aproximar esse país  da América Latina e realizar intercâmbios, visitas recíprocas, atividades e projetos de cooperação de interesse comum, aporte de investimentos, pesquisas de biotecnologia, inteligência artificial, sobretudo em tecnologia, tais como, fóruns, seminários, conferências e também intercambiar informações, conhecimentos e experiências, em matéria política e de programas, projetos e atividades, em todos os âmbitos relacionados aos objetivos de cooperação, desenvolvimento e integração.

Envolvia a participação não apenas de governo, mas de pessoas e instituições privadas recrutadas em vários países.

A sugestão que dei à China mereceu o reconhecimento público do país.

Em 01 de setembro de 2006, o deputado Wu Banghoo (o terceiro homem na hierarquia chinesa), presidente da Assembleia Popular Nacional, veio ao Brasil, pessoalmente,  agradecer a proposta de intercâmbio com o seu país. Na ocasião lhe outorguei no PARLATINO a Comenda Grã Colar de Honra ao Mérito Latino-Americano.

SUGESTÃO DE PLANO PARA QATAR E AMÉRICA LATINA

Em pleno século XXI, um plano semelhante de relacionamento entre a América Latina/Caribe e o Qatar poderá ser desenvolvido, caso aprovado pelo Governo Nacional.

Envolveria Universidades, órgão empresariais, de trabalhadores, estudantis, cientistas (inovação) e governos da União, estadual e municipal.

Um grande banco de “conhecimentos & inovações” poderia ser montado, com repercussões em várias áreas do conhecimento humano.

Na área da mídia internacional, o campo estaria aberto, através da “Al Jazeera”, cuja independência editorial em relação aos veículos de mídia internacional proporciona vasto campo de divulgação de informações e conquistas que favoreçam a humanidade.

Além da “Al Jazeera” o Qatar dispõe da melhora empresa aérea do mundo, a Catar Airways, além de museus de primeira linha. O país sedia eventos esportivos desde os Jogos Asiáticos, em 2006. Conquistou o direito de realizar a Copa do Mundo de 2022.

AÇÕES CONCRETAS DE COOPERAÇÃO QATAR / AMÉRICA LATINA

Há casos concretos que poderão, desde logo, integrar um plano integrado de ações de cooperação entre o Qatar com o Brasil e América Latina.

Por exemplo, um grupo multidisciplinar de profissionais brasileiros (arquitetos e profissionais da saúde) já desenvolve atualmente estuados ligados a “neuro arquitetura”, cujo objetivo é relacionar os projetos arquitetônicos (urbanos, ou individuais) às necessidades reais da pessoas e dos órgãos, considerando aspectos e aspirações emocionais e psíquicos, nas construções a serem projetadas e edificadas, tornando as obras mais saudáveis para a vivência humana.

Essas pesquisas de “neuro arquitetura” cabem muito bem no  Qatar, que atualmente é um canteiro de obras (construções generalizadas para a Copa de 2022), favorecendo tal iniciativa tecnológica, com efeitos positivos para a humanidade.

Parcerias nas áreas de energia solar e eólica serão igualmente  itens fundamentais nesse relacionamento. O Brasil e América Latina detêm grande experiência nesses campos.

Tudo será favorecido, em razão da inequívoca determinação em crescer, que é uma realidade no Qatar, embora sofra cruel embargo econômico injusto, por terra, mar e ar, dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein e Egito.

A causa do “embargo” é que os países embargantes impuseram ao Qatar o rompimento das relações com o Irã,  país fronteiriço e os catarianos não se submeteram a tal imposição.

O Qatar nega parcerias com o terrorismo e defende apenas a sua autodeterminação.

Desde 1990, quando o Iraque de Saddam Hussein invadiu o Kuwait, surgiu o pesadelo no Qatar, de que um dia a Arábia Saudita fizesse o mesmo em seu território.

Essa visão de estadista é do atual Emir Hamad bin Khalifa Al Thani. Ele nunca admitiu que o Qatar, país pequeno territorialmente, fosse simplesmente  anexado.

Por isso, são tomadas medidas preventivas, mesmo diante das ameaças do embargo, que não consegue inibir o desenvolvimento do país, cuja riqueza não provém apenas do petróleo (situação única no Golfo Pérsico).

O Qatar dispõe de reservas comprovadas de gás natural, cerca de 890 trilhões de pés cúbicos, o que significa  quase 15%total de reservas mundiais.

Após a Rússia detém a maior reserva desse combustível no mundo. Portanto, os demais países do Golfo Pérsico é que precisam do Qatar, pois vivem à base do petróleo, com  as fontes consideradas reservas esgotáveis.

Não se sabe até quando durará o Embargo atual, que foi imposto por Trump, para atender interesses da “aliada americana” (despótica) Arábia Saudita.

A conclusão é que vale a  pena visitar o QATAR.

Doha, a capital, é uma cidade surpreendente e em intenso crescimento.

E em matéria de cooperação e troca de experiências, o Qatar é uma fonte inesgotável.

Deus queira que vingue um programa multidisciplinar de cooperação entre o Qatar e América Latina, priorizando o Brasil.

Este seria um bom caminho!

 

 

 

 

ney lopesPor Ney Lopes – na condição de Presidente do Parlamento Latino-Americano (Parlatino) viveu a experiência de aproximar a República da China da América Latina e propõe Plano idêntico para o Qatar.  É advogado, jornalista, ex-deputado federal, professor de Direito Constitucional – – nl@neylopes.com.br – blogdoneylopes.com.br

Imagem da Qatar News Agency AFP