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Opinião – GDF, pegando o touro da pandemia pelos chifres

”Aceitei o convite para essa missão temporária (…) principalmente por conhecer sua seriedade e sua garra, quando se dispõe a pegar o touro pelos chifres. E essa luta contra o coronavírus vale o desafio”

A Gripe Espanhola (vírus Influenza A, do subtipo H1N1) – que em 1918-1919 deixou o saldo aterrorizante de 50 milhões de mortos no Hemisfério Norte, chegou bem mais suave entre nós – matando (pelos cálculos mais conservadores) 35 mil brasileiros.

Naquela época, a população do País beirava os 30 milhões de habitantes. Se a mesma proporcional “suavidade” apresentar o novo coronavírus (Covid19), cuja presença nefasta já se espalhou por todos os Estados brasileiros, estaremos falando de um potencial de cerca de 240 mil vítimas fatais no Brasil.

Seja este número, ou um décimo dele, o fato é que estamos diante de um assunto da maior gravidade, a exigir tratamento sério e responsável por parte de nossos dirigentes.

Não é, simplesmente, momento de brincadeiras, de desconversas,  ou de maus exemplos. Não estamos diante de uma gripezinha à toa, como insiste em repetir o Presidente da República, mas de uma ameaça de dimensão colossal. Para ser eficazmente combatida, são necessárias liderança, organização, seriedade e pulso firme.

Por felicidade, o Governo Federal como um todo não se distrai com leviandades, e já vem adotando medidas sérias para conter as primeiras ondas do tsunami que se alevanta.

O número ainda relativamente baixo de infectados e falecidos no Brasil não devem nos iludir, como  os  primeiros números na Itália iludiram o presidente da região do Lácio e secretário do Partido Democrático daquele país, Nicola Zingaretti,

Zingaretti, em 27 de fevereiro, numa cerimônia para a promoção da atividade econômica e contra o medo do contágio (‘Milano non si ferma’, ‘Milão não para’) deixou sabedoria e precaução de lado e foi filmado brindando com jovens correligionários milaneses, ocasião em que declarou que não havia razão para ninguém mudar de hábitos.

Dez dias depois, o político falastrão  estava contaminado pelo Covid19. No período, o número de infectados na Itália havia passado de 400 para 5.883, e o de mortos, de 14 para 233. Hoje, com mais de 53 mil pessoas infectadas e cinco mil mortos, não apenas Milão parou, mas toda a Itália. Só no sábado, 793 italianos morreram.

Hoje, diante da tragédia instalada em seu país, não existem mais políticos italianos engraçadinhos ou piadistas. Seus líderes e seus médicos em uníssono advertem o resto do mundo para que não sigam o seu exemplo e que tomem com toda a urgência as medidas necessárias, duras quanto o sejam, não só para isolar as áreas mais afetadas, mas para limitar efetivamente o movimento de pessoas.

No Brasil, a liderança no setor público quanto à adoção de medidas estritas relacionadas à pandemia, restritivas de movimento e de convivência pública, coube ao governador do  Distrito Federal, Ibaneis Rocha.

No dia 11 de março, duas semanas depois da identificação da primeira pessoa contaminada no Brasil pelo Covid19, o governo do DF determinou a suspensão das aulas em as escolas, universidades e faculdades, das redes de ensino pública e privada localizadas em seu território.

A reitoria da Universidade de Brasilia, que é federal, pensou num primeiro momento em desacatar a regulamentação do governo local por considerá-la precipitada. Mas acabou por enfiar a viola no saco, cumprindo com a decisão. Sorte da senhora reitora que livrou-se de um possível processo judicial, já que uma semana depois da decisão ‘precipitada’ um aluno na universidade foi diagnosticado com a doença.

No mesmo decreto de onze de março, foram suspensos eventos, como shows e competições esportivas, com público superior a cem pessoas. São exemplos desses eventos shows e competições esportivas. Bares e restaurantes tiveram de observar, na organização de suas mesas, a distância mínima de dois metros entre elas.

Essas medidas, inicialmente vigentes por cinco dias, foram prorrogadas, em 13 de março, por mais 15, por decreto que também um grupo de enfrentamento da doença, determinou a realização de exames compulsórios em pacientes e permitiu a contratação temporária de médicos e enfermeiros. Ainda de acordo com o texto, a Secretaria de Saúde e a Secretaria de Segurança Pública passaram a atuar conjunto, quanto à tomada de medidas como isolamento, quarentena e determinação de realização compulsória de exames médicos e testes laboratoriais. Empresas e estabelecimentos não essenciais tiveram seu funcionamento proibido.

O governador Ibaneis Rocha chamou-me, na sexta-feira, para ajudar o Governo do Distrito Federal a reforçar as iniciativas de cooperação internacional no que se refere ao combate à pandemia. Aceitei o convite para essa missão temporária, não apenas por ser seu amigo, mas principalmente por conhecer sua seriedade e sua garra, quando se dispõe a pegar o touro pelos chifres. E essa luta contra o coronavírus vale o desafio.

Ibaneis conta com o apoio irrestrito do vice-governador Paco Brito e de um secretariado competente e muito qualificado. Vou trabalhar em estreita coordenação  com a diretora de assuntos internacionais de seu gabinete, Renata Zuquín, que conduz com competência e profissionalismo a ativa e complexa área das  relações internacionais do GDF.

 

 

 

Por Pedro Luiz Rodrigues, diplomata e jornalista.

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