Opinião – Vencendo o novo corona

”A atenção para tais particularidades e cuidados concorrerão certamente para o enxotamento desta praga e o retorno a nossa saudoso quotidiano” Os brasileiros estão alarmados com a pandemia que estamos atravessando, assim declarada pela Organização Mundial da Saúde, provocada pelo vírus classificado como Covid 19, sentidamente em propagação pelo mundo. Uma palavra de serenidade se …

17/04/2020 00:11



”A atenção para tais particularidades e cuidados concorrerão certamente para o enxotamento desta praga e o retorno a nossa saudoso quotidiano”

Os brasileiros estão alarmados com a pandemia que estamos atravessando, assim declarada pela Organização Mundial da Saúde, provocada pelo vírus classificado como Covid 19, sentidamente em propagação pelo mundo.

Uma palavra de serenidade se reserva aos especialistas em diagnósticos de saúde, mas, ante o pânico ora instalado no país, com o concurso de uma parte da imprensa que requinta comunicações da tragédia, é importante que uma mínima informação de alento e de conforto seja dita, a menos erudita e mais compreensível. Se não houver um pouco de reflexão e otimismo alastra-se uma onda terrorista de efeitos irrecuperáveis, que não contribui para o resultado que se aguarda, de extinção desta ameaça de genocídio.

Historicamente, este coronavirus que nos atinge, descende de uma família viral conhecida desde 1960, e não causa desconfortos maiores do que um resfriado comum, cientificamente classificado como Alpha coronavirus. A síndrome respiratória aguda, que é grave, causada por outro coronavirus, está denunciada na literatura médica, e os primeiros relatos, de 2002, identificaram-no originariamente na China, controlado em 2004. Outro corona foi isolado em 2012, surgido em países do Oriente Médio, todos com um período de incubação de até 14 dias.

Quem melhor tem se pronunciado neste sofrido episódio é o Dr. Anthony Wong, brasileiro filho de mãe chinesa (natural da província de Wuhan, berço do vírus), assessor da Organização Mundial de Saúde em farmacovigilância, membro da Academia Americana de Toxicologia e colaborador da Lancet, a mais acreditada publicação médica mundial, isto é, reúne credenciais suficientes para fazer-se ouvir. A criação da cidade de Wuhan remonta há 3.500 anos. Chegou a sediar a capital do país, em 1.927, e hoje, como extraordinário centro de alta tecnologia tem uma população de dez milhões de habitantes. Então, conta-nos esse prestigioso profissional que, primeiramente, a China não parou, os meios de produção funcionam normalmente, restringindo-se a ação policial do governo exclusivamente ao local do acidente inicial. O clima de confinamento, nem sequer, ajuda, porque o vetor da doença é a proximidade na convivência humana, a distância social deve ser mantida rigorosamente no espaço de dois metros. O isolamento só conflagra a vida das famílias, porque nem todas dispõem de espaço para acomodarem-se adequadamente, aí criando um ajuntamento que só desserve ao esforço de todos, e é agravado com os problemas sociais que dele surgem, alcoolismo e divórcios, principalmente, além de depressões. O que vale como eficaz é respeitar o distanciamento entre interlocutores e, diariamente, todos tomarem sol (o melhor antídoto), e caminharem para injetar oxigênio novo nos pulmões, órgão preferencial de instalação do corona. O isolamento só é recomendado aos pertencentes a grupos de alto risco.

O que a imprensa ainda não precisou, e é importante para melhor compreensão do fenômeno é que, embora os aparatos de impedimento de acesso e saída sejam rigidamente obedecidos, é que o vírus se instala e se propaga no inverno, especialmente quando rigoroso, como estão passando os EUA, toda a Europa, a China e mais populações orientais, com temperaturas entre sete e oito graus. Daí se conclui, inapelavelmente, que a humanidade ainda vai chorar por muitos óbitos pela inclemência do tempo, principalmente nos grupos de alto risco (diabetes, cardiopatias, ocorrências oncológicas, entre outras).

A atenção para tais particularidades e cuidados concorrerão certamente para o enxotamento desta praga e o retorno a nossa saudoso quotidiano.

 

 

 

Por José Maria Couto Moreira é advogado.