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Opinião – Notícias da morte da imprensa foram exageradas

”O jornalismo continua sendo 1 dos mais importantes campos de influência da sociedade. Preocupado com as fake news; brasileiro confia mais em notícias”

Não há dúvidas de que a pandemia revigorou o papel do jornalismo profissional como fonte de informações confiáveis. Mesmo antes da chegada do vírus ao país, os brasileiros já estavam mais confiantes no noticiário, como mostra o Reuters Digital News Report, mais relevante estudo global sobre consumo de notícias, divulgado nesta feira.

A pesquisa foi realizada de janeiro a fevereiro e abrange pessoas com acesso à internet que tinham lido notícias no mês anterior à pesquisa. Vale dizer: como a proporção de cidadãos conectados no país é de 70%, o estudo deixa de fora cerca de 60 milhões de brasileiros.

O número de entrevistados que dizem que “se pode confiar na maior parte das notícias a maior parte do tempo” subiu para 53% no Brasil, leve alta em relação 2019 –o número já foi de 59% em 2018.¡

É provável que essa proporção esteja ainda maior hoje. Em pesquisa do Datafolha realizada em entre 18 e 20 de março, que coincide com o pico de audiência de sites informativos auditados pelo IVC (Instituto Verificador de Comunicação), 61% da população dizia confiar nos telejornais, 56% no jornais impressos e 38% nos sites de notícias.

A confiança do brasileiro em notícias está entre as 5 mais altas nos 40 países pesquisados no Digital News Report, e bem acima da média mundial de 38%.

Ao mesmo tempo, o país segue tendo maior nível global de “preocupação com o que é real e o que é falso” na internet –84% dos entrevistados. A aflição é principalmente com o WhatsApp (35%), na comparação (não totalmente adequada, a meu ver) com Facebook, Youtube e Twitter. Entre as fontes que mais causam preocupação com informações falsas, políticos vêm em primeiro lugar.

Ao Datafolha, apenas 12% dos entrevistados tinham dito confiar nas informações recebidas via WhatsApp.

É bem verdade que nossa preocupação com desinformação deve ser lida com um grão de sal: uma coisa é o brasileiro respondendo uma pesquisa; outra é seu comportamento entre “quatro paredes” digitais.

Mesmo assim, dados de audiência e pesquisas com os leitores levam a uma mesma conclusão: o jornalismo continua sendo um dos mais importantes campos de influência da sociedade, e erra quem acha que pode ignorá-lo ao traçar estratégias –de governo, de negócio, de comunicação.

Como Mark Twain em 1897, a imprensa pode dizer que o relato de sua morte foi um exagero.

 

 

 

Por Juliano Nóbrega, 42 anos, é CEO da CDN Comunicação. Jornalista, foi repórter e editor no jornal Agora SP, do Grupo Folha, fundador e editor do portal Última Instância e coordenador de imprensa no Governo do Estado de São Paulo. Está na CDN desde 2015. Publica, desde junho de 2018, uma newsletter semanal em que comenta conteúdos sobre mídia, tecnologia e negócios, com pitadas de música e gastronomia

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