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Editorial – ”Beija-flor” contra as queimadas

”Cuiabá registrou a maior temperatura de todos os tempos, graças ao círculo de fogo que a envolve, ocasionado pelas queimadas no Pantanal, São Vicente e Chapada”

Após o corte de recursos do Governo Federal, Estados vítimas dos incêndios nessa época do ano, destaque para as regiões de maior densidade florestal e cerrados – Pará, Tocantins, Amazonas, MS e MT – o cenário é simplesmente apocalíptico.

Certo de que Mato Grosso nunca teve lá sua infraestrutura de combate a incêndios florestais a contento ou como deveria, mesmo isso sendo tão óbvio pela sua grande massa vegetal envolvendo três biomas.

Nos governos que antecederam a atual gestão, os investimentos em equipamentos, aparatos, veículos e na corporação como um todo, foram limitados para uma capacidade de incidentes urbanos/suburbanos, de pequena e média magnitude. O atual Governo, na gestão do então secretário de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, o qual disse ter realizado um amplo levantamento desde quando assumiu a pasta em janeiro/19 e que recebeu ”uma herança podre, com R$ 614 milhões em restos a pagar, dívida de R$ 30 milhões só com a locação de veículos e depois de uma gestão responsável, reduzimos o espólio negativo para R$ 312 milhões e agora não devemos mais ninguém com prazo superior a 60 dias”.

Ocorre que, mesmo com um projeto para uma nova realidade à frente do combate à grandes incêndios, o então secretário foi pego de surpresa com o imprevisível. Mesmo porque, os investimentos iniciais desse projeto visaram também ocorrências em áreas urbanas, entregando mais de 140 utilitários equipados às corporações de todo o Estado.

Mato Grosso entra então, num arco de chamas sem precedentes. Recorre com urgência ao Governo Federal, este já de rédeas curtas com ações prévias de Reformas acontecendo e se avizinhando. Ainda assim, delega um breve atendimento, mas eis que surge de repente e não mais que de repente, um corte dos recursos e amparo para com os Estados que presenciam uma catástrofe ambiental em suas faunas e floras.

Os cuiabanos presenciam nos seus últimos 21 dias, o céu recoberto por uma densa fumaça, esta somada com uma onda de calor típica da época e intensificada por uma massa de ar quente advinda dos incêndios das reservas que os cercam: planície pantaneira, Serra de São Vicente e o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães. Não é atoa que se registrou a maior temperatura da história da famosa nacionalmente ”hell city”.

Mesmo com todas as providências ao alcance tomadas e demais dificuldades percebidas e enfrentadas eque não poderão se repetir nos anos seguintes, o  Governo do Estado, através da Secretaria de Meio Ambiente (SEMA) vem atuando de forma incansável na tentativa de ao menos amenizar o desastre anunciado com uma velocidade assombrosa. Testemunhos são os moradores das 3 regiões citadas. Alguns órgãos não governamentais e sem fins lucrativos, como a Ecotropica também trabalham em conjunto com a SEMA em pontos de maior intensidade incendiária, seja no combate as chamas, como no resgate de animais.

Se mesmo com amparo Federal já era difícil a contenção do cenário infernal no Estado, sem o mesmo, aprofunda ainda mais as chances de um combate efetivo. Pois mesmo a atuação da SEMA junto a ONGs, diante da dimensão registrada, seria como o clássico verso de ‎Herbert José de Souza, o ”Betinho”, sociólogo e ativista ambiental sobre um devastador incêndio em uma floresta:

”…em meio as chamas famintas, um leão tentando fugir das chamas, nota um beija-flor, que ia no riacho com seu minúsculo bico, sugava o que podia de água e voava até as chamas e lá soltava as gotículas do seu bico. O leão perplexo, indagou: – Você nunca conseguirá apagar esse incêndio dessa forma. Quando, sem deixar de fazer seu trajeto das águas ao fogo, o pequeno pássaro responde: – Você tem razão. Mas, estou eu fazendo a minha parte”.

O ”beija-flor” seria o Governo e ONGs. O ”leão” seriam os críticos ao Governo.

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