Análise – Quais serão as tendências da tecnologia para o setor imobiliário em 2021

Por Luiza Sato

12/01/2021 11:49



Edifícios inteligentes, big data
Blockchain e realidade virtual
São algumas delas

Um dos edifícios da Esser, o Metrô Office & Mall, em Santo Amaro (SP)

Um dos setores da economia que mais vem sofrendo transformações é, sem dúvida, o imobiliário. A pandemia causou alterações de longo prazo em nossos hábitos, estilos de vida, dinâmicas de lares, formas de trabalhar e a formatação das cidades. Isso tudo impacta, inevitavelmente, o futuro do setor imobiliário.

Neste artigo, exploramos as prováveis tendências do setor para o ano de 2021.

USO DA NUVEM

Serviços baseados em nuvem eliminam a necessidade de se manter fisicamente presente perto de um servidor para obter informações sobre locatários, incluindo, mas não se limitando a dados para contato, datas de ingresso ou desocupação do imóvel, valores em inadimplência, bem como tais serviços facilitam a obtenção de dados para fins de análise de risco de uma transação imobiliária ou investimento.

Neste sentido, o arquivo de documentos e informações em nuvem não apenas facilita a vida dos administradores de imóveis, mas também reduz os custos operacionais e acelera a tomada de decisões, sem prejudicar a segurança jurídica do negócio.

EDIFÍCIOS INTELIGENTES

Considerando a redução de eventos presenciais, a tendência é que as pessoas passem mais tempo em suas residências, o que aumentará a busca por empreendimentos residenciais mais seguros, confortáveis e sustentáveis.

Com base nisso, os edifícios inteligentes se tornam bastante atrativos, uma vez que aproveitam a conectividade da internet das coisas, sensores e a nuvem para monitorar e controlar remotamente diversos sistemas, como iluminação, ar condicionado e segurança, conforme personalização de seus ocupantes.

BIG DATA

O big data pode dar aos empreendedores, administradores de propriedades e investidores uma visão mais ampla do mercado imobiliário e melhor direcionar os imóveis ao público alvo. Ainda, o big data ajuda administradores, usuários e proprietários de imóveis a obter, rapidamente, informações precisas quanto ao consumo de energia, gás, água e eletricidade, permitindo a tomada de decisões de forma mais eficiente.

Sob a ótica dos proprietários e adquirentes de imóveis, o big data possibilita a avaliação e precificação de um imóvel em tempo real. Com a análise de dados específicos é possível verificar, por exemplo, todos os apartamentos transacionados no bairro de Higienópolis, em São Paulo, nos últimos 15 anos e, assim, determinar uma faixa de preço adequada para comercialização de determinado imóvel no local.

Apesar de toda essa facilidade, um grande cuidado deverá ser tomado pelas construtoras e incorporadoras em relação ao uso de dados pessoais aos quais terão acesso. Isto porque, com a vigência da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), o setor imobiliário deve estar atento para evitar práticas costumeiramente adotadas, a fim de evitar danos reputacionais, perda de negócios e penalidades.

BLOCKCHAIN

A tecnologia Blockchain já vem revolucionando o mercado, antes mesmo da pandemia, sendo inegável sua atuação no aprimoramento dos processos de compra e venda e avaliação de imóveis. As operações realizadas via Blockchain, além de excluir a papelada, burocracia e necessidade de envolvimento de intermediários, aumentam a transparência da transação e até mesmo a segurança, devido à checagem de dados cadastrais e biométricos das partes contratantes junto à base de dados oficiais do governo.

Blockchain lida, basicamente, com duas tarefas: armazenamento de dados e registro digital para transações e contratos, tornando as transações automatizadas, aceleradas, acessíveis, rastreáveis e mais confiáveis.

REALIDADE VIRTUAL

Muitos proprietários com a intenção de vender ou locar seus imóveis oferecerão tours virtuais de 360° da propriedade para os interessados, visando a praticidade e economia de tempo, evitando locomoção e custos decorrentes de uma visita presencial. Além disso, os óculos de realidade virtual vão permitir que os potenciais clientes explorem os imóveis imersos num modelo 3D interativo, otimizando e tornando ainda mais atrativa sua experiência.

MACHINE LEARNING E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Chatbots e assistentes virtuais, ferramentas utilizadas para o primeiro contato, tornam a comunicação locatário-locador mais rápida e eficiente. A inteligência virtual também poderá ser usada para avaliar o mercado e fazer previsões e análises de tendências futuras.

ASSINATURAS DIGITAIS

Dentre as burocracias para o fechamento de um negócio, está a assinatura física e reconhecimento de firma das partes, assim como de testemunhas, legalmente exigidas para validade de um contrato entre particulares. Atualmente, as assinaturas digitais são amplamente utilizadas para celebração de contratos no mercado imobiliário, bastando, para tanto, o envio do contrato por e-mail para todos os envolvidos assinarem ao mesmo tempo, independentemente do local que estiverem.

A utilização da tecnologia já é uma realidade nos cartórios de notas e registros de imóveis, embora estas inovações tenham sido implementadas pela maioria para a continuidade dos serviços durante o período de pandemia, é inegável o aumento da agilidade e eficiência dos procedimentos, como por exemplo, a lavratura de escrituras públicas, atas notariais e procurações públicas por videoconferência, com a realização das assinaturas mediante uso de certificado digital no padrão da infraestrutura ICP-Brasil.

O GRANDE BOOM DA LOGÍSTICA

Com o aumento das compras online, as empresas precisarão adaptar sua infraestrutura no mercado de logística. Em razão desta alta demanda, a procura de imóveis para instalação de centros de distribuição e depósitos deve se intensificar no próximo ano.

ESPAÇOS DE ESCRITÓRIOS

Para se adaptarem ao trabalho remoto, muitos escritórios precisaram ser reestruturados. Com o fim da pandemia, estima-se que o trabalho remoto continue sendo adotado pela maioria das empresas, ainda que mantido um sistema de rodízio de profissionais no local de trabalho, o que deve ocasionar na redução do espaço físico utilizado para escritórios. Por outro lado, nos escritórios físicos mantidos, serão necessárias adaptações inteligentes de ambientes e tecnologias de comunicação aprimoradas.

Os escritórios deverão implementar recursos para reuniões remotas, com equipamentos de comunicação e sistemas de TI mais sofisticados. Ainda, outras mudanças incluirão melhor HVAC e eficiência energética em vista da preocupação crescente com ambientes de trabalho internos.

MULTIPROPRIEDADE

Definitivamente são novos tempos e a palavra de ordem é: Compartilhar! Nesse sentido, e na contramão do acúmulo individual de bens, em um mundo onde tudo se compartilha, desde veículos até o espaço de trabalho, por que não compartilhar também a moradia?

A multipropriedade é um exemplo concreto dessa tendência e seu conceito se resume na possibilidade de um mesmo imóvel possuir diversos proprietários, sendo cada um titular de uma fração de tempo, para uso e gozo exclusivo e alternado da integralidade do bem.

Como catalisador, a aceleração do acesso, por meio dos aplicativos digitais de compartilhamento de bens, movimenta e otimiza a real concretização desse modelo de moradia compartilhada.

 

 

 

 

Por Luiza Sato é sócia da área de Proteção de Dados, Direito Digital e Propriedade Intelectual, e advogadas da área Imobiliária do escritório ASBZ Advogados.