Opinião – Procura-se candidato(a) que represente as mulheres

”Todo partido deve ter pelo menos 30% dos seus candidatos mulheres”, diz autora

12/04/2021 12:29



Mulheres em busca de uma alternativa
Alguém que as represente nas urnas

Fotos da urna eletrônica para as eleiçõe de 2018 – Brasilia, 20-08-2018. Foto: Sérgio Lima/Poder 360

Já que a política, como se apresenta hoje, sinaliza que a disputa presidencial de 2022 pode desembocar mais uma vez em um duelo entre representantes de extremos, nós, mulheres, devíamos sair em campo em busca de alguém que de fato nos represente. Afinal, somos a maioria do eleitorado no país, o que nos garante boas chances de eleger quem quisermos. Mas só se nos unirmos.

Capacidade de organização e mobilização em torno de causas que nos são caras, nós temos. Um exemplo disso é o Grupo Mulheres do Brasil, uma rede suprapartidária feminina hoje com 84 mil participantes ativas, que defende a liderança da mulher na construção de um país melhor. Uma organização que rende frutos e ganha, a cada dia que passa, mais respeito da sociedade brasileira como um todo.

Quem sabe se invertermos a ordem eleitoral, nós possamos, finalmente, sair da encruzilhada de ter de escolher entre a opção menos danosa para o país, anular ou votar em branco para não ser conivente com algo que discordamos totalmente?

Se a Operação Lava Jato teve o mérito de descortinar um sistema de corrupção institucionalizada no Brasil -ainda que com seus excessos, como sentenciou agora o Supremo Tribunal Federal, após 7 anos, 79 fases, 278 condenações e mais de R$ 4 bilhões devolvidos aos cofres públicos- ela também ajudou a criminalizar a política. Claro que com a colaboração decisiva da imprensa.

No afã de ganhar as manchetes do noticiário, procuradores e jornalistas jogaram toda a classe política numa vala comum. Isso vem afugentando da cena política nacional lideranças sérias e preparadas para dar novo rumo ao Brasil. Muitas delas freadas pelo temor de serem vistas com desconfiança dentro de uma sociedade que vincula a política a algo suspeito.

Movimentos de renovação política organizados pela sociedade civil, bem que estão tentando identificar e estimular brasileiros a ingressarem na vida pública, desde que se submetam a cursos de capacitação e tenham compromissos públicos com princípios democráticos, o que de fato vem ampliando nossas opções.

Mas a escolha final dos candidatos sempre fica a critério dos partidos políticos com registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Acontece que o ambiente partidário acaba submetido a vários tipos de interesses e pressões, nem sempre republicanos, ignorando as expectativas dos eleitores.

LISTA DE QUALIDADES

Para não seguir como refém desse xadrez eleitoral, cabe aos eleitores insatisfeitos encontrar um nome alternativo, que preencha uma série de requisitos e seja capaz de nos unir. Os institutos de pesquisa que tentam antecipar as preferências do brasileiro no próximo ano, podem nos ajudar a identificar as qualidades exigidas pela maioria do eleitorado para que um(a) candidato(a) mereça ganhar seu voto.

Não existe fórmula pronta e conciliar visões diferentes não é fácil. Mas quem disse que a democracia não dá trabalho? Alguns pré-requisitos, como ser ficha limpa, sem condenações em qualquer instância, podem ser o ponto de partida para essa busca.

Estamos atrás de alguém que seja capaz de liderar o país, tenha sensibilidade social e firmeza para montar uma equipe de notáveis, o que certamente tornaria o país menos vulnerável a crises como a que estamos enfrentando.

Claro que experiência administrativa comprovada ajudaria muito a compor o perfil desse candidato(a) à candidato(a). Mas não basta a um governante agir apenas como gestor de empresa em busca do lucro, deixando a parcela menos favorecida da população largada à própria sorte, refém da criminalidade que prospera em sociedades tão desiguais quanto a nossa.

COMPROMISSOS

Para se encaixar na vaga que estamos oferecendo, nosso(a) candidato(a) também teria se assumir alguns compromissos públicos. O primeiro deles, sem dúvida alguma, deveria ser com a defesa incondicional da democracia, para isolar aqueles que hoje flertam com regimes autoritários, de esquerda ou de direita, e ameaçam uma conquista garantida a duras penas.

A pandemia também nos ensinou que estar alinhado com a Ciência é pré-condição para que um governante dê respostas rápidas e certeiras a ameaças sanitárias, como a Covid.

Foi isso que possibilitou “um feito humano extraordinário” em meio à pandemia, como bem define a pneumologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Dra Margareth Dalcolmo. Ela refere-se ao esforço conjunto de quase 200 grupos de pesquisa pelo mundo que, em tempo recorde, conseguiram produzir pelo menos 9 vacinas contra a Covid, já aprovadas para uso clínico e usadas na imunização de milhões de pessoas, além de outras 16 ainda em fase de estudo. Até então, a vacina em uso que ganhou a certificação mais rápida, levou quatro anos para ser feita.

Para reduzir danos da atual crise e de outras que possam surgir, precisamos que nosso(a) candidato(a) esteja ciente de que, sem acesso a uma educação de qualidade e a inovações tecnológicas, os brasileiros não conseguirão superar os desafios do novo mercado de trabalho que se desenha pela frente.

SIM, NÓS PODEMOS!

Tomando emprestado o slogan usado por Barack Obama, quando ele se elegeu presidente dos Estados Unidos pela primeira vez, as brasileiras -as mesmas que se apresentaram para enfrentar a atual pandemia dentro e fora dos hospitais- podem sim tomar a frente do processo eleitoral e encontrar uma opção alternativa para o Brasil: longe dos extremos, disposta a ouvir suas demandas, que respeite a ciência, o dinheiro público, o meio ambiente e todos os seres humanos, sem distinção de cor, raça, religião, gênero ou ideologia. Para tanto, devemos sair em campo já, antes que seja tarde demais.

*Adriana Vasconcelos, 54 anos, é jornalista e consultora em Comunicação Política. Trabalhou nas redações do Correio Braziliense, Gazeta Mercantil e O Globo. Em 2012, abriu a AV Comunicação Multimídia Ltda. Acompanhou as últimas 7 campanhas presidenciais. Nos últimos 4 anos, especializou-se no atendimento e capacitação de mulheres interessadas em ingressar na política.

 

 

 

 

Por Adriana Vasconcelos, 53 anos, é jornalista e consultora em Comunicação Política. Trabalhou nas redações do Correio Braziliense, Gazeta Mercantil e O Globo. Desde 2012 trabalha como consultora à frente da AV Comunicação Multimídia. Acompanhou as últimas 7 campanhas presidenciais. Nos últimos 4 anos, especializou-se no atendimento e capacitação de mulheres interessadas em ingressar na política.