Opinião – Patota do selo azul

”O padrão se repete: gente medíocre, irrelevante, sem engajamento, invejosa, com mentalidade autoritária, demonstra como pode ser covarde”, escreve Rodrigo Constantino

12/01/2022 10:04



”Patota Azul” – referência dada ao corporativismo da velha imprensa, pelo autor

Cunhei a expressão patota do selo azul há alguns anos, para me referir a essa turma corporativista da velha imprensa, que acha que o selinho de verificação do Twitter é um status qualquer, uma espécie de símbolo do clubinho, ficando do lado de fora os “párias” da sociedade. Ao notar que jornalistas irrelevantes, sem qualquer engajamento e com poucos seguidores, recebiam esse selo, enquanto gente muito mais conhecida continuava sem, dei-me conta de que era um critério subjetivo e arbitrário que servia justamente para proteger essa bolha “progressista”.

Ocorre que a turma levou a palhaçada longe demais. A dona de casa mineira Barbara, do canal TeAtualizei, que tem enorme audiência, teve o selo de verificação concedido esta semana. E pasmem! A patota ficou em polvorosa, não está engolindo isso, não consegue lidar com esse fato. Virou até destaque no maior jornal carioca que a “bolsonarista que espalha Fake News” foi verificada pela rede social. Onde já se viu? Como ousam colocar uma dessas em nosso clubinho?!

Para adicionar muito insulto à injúria, o Ministério Público, pelo visto bastante desocupado, resolveu tirar satisfação e cobrar explicações do Twitter. O deputado Filipe Barros, incrédulo, constatou que isso “é mais uma demonstração que parcela da instituição não quer combater crimes, como o tráfico internacional de drogas. Querem apenas lacrar”. Ele conclui que é preciso uma reforma profunda do MP, que parece mesmo sequestrado por uma militância esquerdista.

Um tal de Renan, jornalista da Globo News, partiu para o ataque contra a Barbara, desejando inclusive sua prisão pelo “crime de opinião”. Ele ficou revoltado com o selo azul e disse que ela merecia é uma tornozeleira eletrônica. A hashtag #SomosTodosBarbara atingiu o topo de tendências na rede, pois milhares saíram em defesa da simpática dona de casa. O tal do Renan, com seus 40 mil seguidores (Barbara tem 725 mil), acabou fechando sua página, agora protegida do público. Mesma atitude que outros ícones da patota já adotaram antes, blindando seus tweets de comentários negativos, críticas ácidas e argumentos incômodos.

O padrão se repete: gente medíocre, irrelevante, sem engajamento, invejosa, com mentalidade autoritária, demonstra como pode ser covarde. Ana Paula Henckel comentou: “Ainda não aprenderam que quanto mais tentam censurar, quanto mais perseguem, maiores se tornam as pessoas de bem. Um exército, que pode parecer silencioso, SEMPRE aparece para estar no fronte com você. Não há dinheiro no mundo que compre isso. E é exatamente isso que mete medo nos tiranos”.

A própria Barbara agradeceu pelo carinho do público e disse que o tempo que eles podem falar sem ser questionados acabou. “Por mais que o fim seja doloroso, eles vão entender que pensar diferente não é crime”, concluiu. Se depender da patota, será crime sim.

 

 

 

 

Por Rodrigo Constantino, economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.





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