Opinião – Quem vai representar a direita?

A pauta prioritária para testar o candidato é justamente a postura em relação ao STF. Se o sujeito sequer critica os abusos supremos, então não serve. Escreve Rodrigo Constantino.

27/03/2025 12:31

“Se prefere se unir aos ministros em vez de enfrentá-los, então não serve”

Bolsonaro criticou a pressa do STF e apontou “tentativa de eliminar a oposição” (Foto: Gustavo Moreno/STF)

Ronaldo Caiado perguntou a quem interessa um impeachment de Alexandre de Moraes, essa pauta contra a atuação do STF. A resposta é muito fácil: a todos os brasileiros decentes que prezam pela liberdade e pelo Estado de Direito. Seria mais fácil questionar a quem não interessa tal pauta, e a resposta também é simples: a todos que se beneficiam dos esquemas dessa tirania corrupta.

Talvez Caiado esteja apenas “pagando pedágio” para o sistema, no afã de ser o candidato da “direita permitida”, nem mesmo esperando o “cadáver” de Bolsonaro esfriar. O problema, claro, é que precisa combinar com os russos, no caso, os eleitores. Não basta eliminar Jair Bolsonaro da disputa; é preciso convencer os “bolsonaristas”, leia-se, a direita brasileira.

Até mesmo o comunista Ancelmo Gois, do Globo, deu-se conta desse detalhe: “O ‘problema’ não é Bolsonaro e sim o bolsonarismo, que é muito forte. Não vai faltar, se Bolsonaro não puder concorrer em 2026, gente para tomar o seu lugar”. O sistema vai fazer de tudo para que seja alguém “limpinho”, que use “talher”, ou seja, um tucano que “respeita” o PT, mas abomina o bolsonarismo. Em suma, um esquerdista inofensivo ao sistema que se passa por conservador.

Seria a volta do teatro das tesouras. Por anos o eleitor teve que votar em tucano fingindo que era oposição real ao petismo. Mas dessa vez houve um despertar, e a pauta prioritária para testar o candidato é justamente a postura em relação ao STF. Se o sujeito sequer critica os abusos supremos, então não serve. Se prefere se unir aos ministros em vez de enfrentá-los, com a desculpa de “pragmatismo”, então não serve.

O povo quer um representante com a coragem de defender a liberdade, eis o ponto. Tarcísio de Freitas oscila entre apoio leal a Bolsonaro e velas acesas para o sistema, acendendo com concessões absurdas, elogiando o processo eleitoral e até o STF. Como andou se aproximando mais do ex-presidente e subindo o tom, as garotas de recado da imprensa alertam: cuidado com o “climão” com os ministros, inclusive Alexandre de Moraes. Tarcísio tem que estar dentro da moldura “apaziguadora” para ser aceito.

E a direita continua sem saber quem irá representa-la em 2026 se Bolsonaro for mesmo carta fora do baralho – o que, tudo indica, será o caso…

 

 

 

Por Rodrigo Constantino, economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.