Orlando Perri denuncia servidora ligada a suposto esquema que continua no TJ

Em meio aos escândalos do Judiciário mato-grossense, o ex-corregedor do Tribunal de Justiça, Orlando Perri, denunciou que a servidora Cácia Pereira de Senna, supostamente envolvida no esquema de pagamentos ilegais de créditos a magistrados e venda de sentenças, continua lotada como funcionária do Judiciário. A informação é do jornal Folha do Estado. Senna trabalhava no …

29/03/2010 17:07



Em meio aos escândalos do Judiciário mato-grossense, o ex-corregedor do Tribunal de Justiça, Orlando Perri, denunciou que a servidora Cácia Pereira de Senna, supostamente envolvida no esquema de pagamentos ilegais de créditos a magistrados e venda de sentenças, continua lotada como funcionária do Judiciário. A informação é do jornal Folha do Estado.

Senna trabalhava no setor de pagamentos dos magistrados e, segundo a auditoria contratada por Perri e pelo ex-presidente Paulo Lessa, era a responsável pelo repasse dos créditos ilegais à Maçonaria. Perri contou que ea servidora foi afastada formalmente do TJ, mas recorreu da decisão e o processo sumiu. “Não tenho ideia de onde está esse processo, nunca mais vi”, disse o desembargador.

O envolvimento da servidora foi confirmado por meio de uma investigação feita pela empresa de consultoria Velloso & Bertollini, que comprovou o desvio dos recursos do TJ para uma loja maçônica, e que culminou na decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em aposentar, compulsoriamente, dez magistrados (três desembargadores e sete juízes), no final de fevereiro passado.

Perri disse que, quando assumiu a Corregedoria, ficou encarregado de fazer uma investigação sobre o pagamento de créditos a magistrados, a pedido de Lessa. O curso dessa investigação recebeu o depoimento da juíza Graciema Caravellas, que confirmou ter recebido o pagamento ilegal, em 2005, mas argumentou que fez o estorno dos valores apedido de outro juiz, Marcelo de Barros.

Segundo Caravellas, o juiz a procurou dizendo que o dinheiro tinha sido depositado por engano em sua conta e, no dia seguinte, a magistrada foi procurada pela servidora Cácia Senna para fazer o estorno. Caravellas contou a Perri que não sabia que os valores foram depositados numa conta do banco Sicoob, ligado à Maçonaria. A juíza chegou a procurar a servidora porque achou injusto pagar impostos por conta de erros do setor, mas nunca teve os valores ressarcidos.

Perri, então, pediu a contratação da empresa de auditoria, que comprovou a participação da servidora no esquema. “Nós a afastamos, mas ela recorreu e continua lá”, disse o ex-corregedor.

O CNJ condenou os magistrados pelo suposto desvio de R$ 1,4 milhão dos cofres do Judiciário. Os magistrados punidos foram: desembargadores José Ferreira Leite, José Tadeu Cury e Mariano Alonso Travassos, e os juízes Marcelo Souza Barros, Antonio Horácio da Silva Neto, Irênio Lima Fernandes, Marco Aurélio dos Reis Ferreira, Juanita Clait Duarte, Graciema Ribeiro Caravellas e Maria Cristina Oliveira Simões.

(FOnte: Mídia News)