Orquestra de Mato Grosso apresenta o concerto mais moderno da Temporada

O inglês Bejamin Britten, o italiano Ottorino Respighi e o estadunidense Aaron Copland, três dos maiores representantes da música de concerto de seus respectivos países formam o time de compositores modernos que serão interpretados pela OEMT nos Concertos Oficiais do mês de maio (22 e 23), no Cine Teatro Cuiabá. De Britten, a Orquestra interpretará …

19/05/2010 17:16



O inglês Bejamin Britten, o italiano Ottorino Respighi e o estadunidense Aaron Copland, três dos maiores representantes da música de concerto de seus respectivos países formam o time de compositores modernos que serão interpretados pela OEMT nos Concertos Oficiais do mês de maio (22 e 23), no Cine Teatro Cuiabá. De Britten, a Orquestra interpretará a Sinfonieta, Op.1, sua primeira obra prima, escrita em 1932 quando o compositor tinha apenas 18 anos. De Respighi, o Trittico Botticelliano, formado pelos movimentos La Primavera, L’adorazione dei Magi e La nascita di Venere, inspiradas nas pinturas renascentistas do italiano Sandro Botticelli. Do compositor nova-iorquino, Aaron Copland, a OEMT apresentará Latin American Sketches [Três retratos latino-americanos], uma homenagem a cultura musica dos países vizinhos aos Estados Unidos, escrita entre 1959 e 1972.

No livro Formação de Platéia em Música, Clarice Miranda e Liana Justos explicam que o século XX é o único da história da música que teve o privilégio de ouvir a música de todos os outros períodos criativos. Hoje podemos passear pela história da música, desde o canto gregoriano da idade média a polifonia da Renascença, da música minuciosa do período Barroco a música do período Clássico e do período Romântico até chegarmos à música do século XX, no mesmo dia e a nossa escolha. O século XX teve grandes avanços científicos e tecnológicos, porém, as duas grandes Guerras trouxeram um impacto arrasador na inspiração dos artistas, com reflexo direto nas artes.

Sendo assim, de 1935 até o início da Segunda Guerra Mundial, o inglês Edward Bejamin Britten realizou uma grande quantidade de composições para o GPO Film Unit, para a rádio BBC, e para pequenos, geralmente de esquerda, grupos de teatro. Durante este período, Britten conheceu e trabalhou com o poeta W.H. Auden, que forneceu textos e roteiros para suas composições. Sobre a Sinfonieta, Op.1, o maestro Leandro Carvalho afirma que trata-se de uma peça firmemente construída e apresenta um comando sofisticado da estrutura que antecipa muitos outros trabalhos de Britten. Do conjunto de sua Obra, destacam-se ainda as óperas Peter Grimes [1945], The rape of Lucrezia [1946], a ópera cômica Albert Herring [1946] e uma revisão de A ópera dos mendigos [1728]. Graças a Young Person’s Guide to the Orchestra, opus 34 [pode ser traduzida Guia do jovem para orquestra], de 1946, Britten tornou-se uma figura conhecida pela sua busca em formar novas plateias, sendo esta peça uma das três composições mais utilizadas para despertar interesse e ensinar música para iniciantes, juntamente com o Carnaval dos Animais, de Saint-Saëns e Pedro e o Lobo, de Prokofiev.

Do outro lado do atlântico, nos Estados Unidos, Aaron Copland compôs sua primeira Sinfonia para órgão e orquestra, em 1924. Seguindo as características da música moderna, Copland explorou as possibilidades de combinação entre o jazz e a música sinfônica. Durante toda a década de 20, Coplan voltou-se para um estilo cada vez mais experimental, com sons e ritmos irregulares. O compositor estadunidense, nascido no bairro do Brooklyn, escreveu música para teatro, balés e cinema. A música da América Latina sempre chamou muito a atenção do compositor. Escreveu duas danças que quando colocadas juntas, tornam-se Two Mexican Pieces. Em seguida, adicionou uma terceira e modificou o título para Three Latin American Sketches. Os três retratos conectam-se fortemente com a cultura musical dos países vizinhos aos Estados Unidos da America. Copland escreveu sobre as peças: “as melodias, os ritmos e o temperamento das peças têm um sabor popular, enquanto a orquestração é brilhante e sofisticada”.

Na Itália, o estudioso da música daquele país, em particular dos séculos XVI e XVIII, Ottorino Respighi foi autor de nove óperas, três bailados, um concerto gregoriano para violino, um concerto para piano e de outras várias peças para música de câmara. Respinghi revela seu amor e conhecimento pela música antiga. Suas pesquisas neste campo foram muito valiosas para que ele pudesse atingir um estilo musical capaz de evocar os trabalhos do artista plástico Sandro Botticelli e escrever o famoso Trittico Botticelliano, baseado em três famosas pinturas de Botticelli, hoje expostas na Galeria Uffizi, em Florença.

Produção dos concertos

Assim como ocorreu nos Concertos Oficiais do mês de março, para as apresentações deste mês, a Orquestra de Mato Grosso contará com uma formação sinfônica, composta por cinco classes de instrumentos: cordas, madeiras, metais e instrumentos de percussão, além de um piano. São dezenas de instrumentistas de várias partes do país e do mundo subindo ao palco juntos para apresentar o concerto mais moderno da Temporada 2010. “Produzir um grupo com tanta gente não é nada fácil, e esse é o estímulo. Para a montagem de um concerto com formação sinfônica, com grande número de instrumentistas, é imprescindível um palco que acomode algumas dezenas de músicos e seus muitos instrumentos de dimensões exageradas para executar as obras com justa grandeza”, lembra Alan Ojeda, produtor dos Concertos Oficiais da OEMT.

Talvez o público não perceba, mas até o momento das apresentações, um atribulado e complexo processo de produção ocorre. O produtor dos Concertos Oficiais, Alan Ojeda explicou que o trabalho começa um mês antes dos concertos, com o envio das partituras para todos os instrumentistas, em várias partes do país. Uma semana antes das apresentações, os músicos convidados começam a chegar a Cuiabá. Aí vem hospedagem, traslado, ensaios, transporte de instrumentos, afinação de luz, montagem de palco, camarim, comunicação e outros detalhes, não menos importantes. “Os concertos do mês de maio contarão com um piano, o que requer um processo de logística exclusivo para o transporte e afinação do instrumento. Também exibiremos imagens de Sandro Botticelli , relacionadas a uma das peças interpretadas, além de um vídeo das atividades com os Concertos Didáticos realizados para 30 instituições de ensino de Cuiabá, Várzea Grande e Nobres, no mês de abril. Entretanto, os últimos ajustes vão ocorrendo no decorrer da semana dos concertos, durante os ensaios. Lembrando que estamos falando de um grupo heterogêneo, formado por dezenas de pessoas com hábitos e culturas diferentes, ligados pela linguagem da música”, completa Ojeda.

Serviço

O que: Concertos Oficiais da OEMT
Quando: 22 e 23 de maio [sábado e domingo], às 20 horas e 19 horas, respectivamente
Onde: Cine Teatro Cuiabá
Valor: R$ 10 e R$ 5
Informações: (65) 3624-5845