“Ópera do Malandro – Cabaré”, uma nova leitura de Chico

A “Ópera do Malandro” ganha uma nova leitura do texto original de Chico Buarque. Desta vez, a adaptação é feita pela diretora Maira Jeannyse. A história se passa na Lapa e aborda o submundo da década de 1940, como os bordéis, os agiotas, os contrabandistas, os policiais corruptos. A adaptação adota uma linguagem urbana e …

02/06/2010 10:12



A “Ópera do Malandro” ganha uma nova leitura do texto original de Chico Buarque. Desta vez, a adaptação é feita pela diretora Maira Jeannyse. A história se passa na Lapa e aborda o submundo da década de 1940, como os bordéis, os agiotas, os contrabandistas, os policiais corruptos. A adaptação adota uma linguagem urbana e popular para fazer uma caricatura da burguesia brasileira.

O público mato-grossense poderá conferir “Ópera do Malandro – Cabaré” em duas temporadas, de 03 a 06 e de 10 a 13 de junho, na Casa Barão de Melgaço, onde se localia a sede do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso. Os ingressos custam R$ 10. De quinta a sábado o espetáculo será às 20h30. Já aos domingos às 20h.

Na “Ópera do Malandro – Cabaré” a temática gira em torno do dinheiro, da entrada no País do capital estrangeiro. De um lado estão os poderosos que disputam a acumulação do capital, do outro os marginalizados lutando para conseguir uns trocados. Opressores e oprimidos se enfrentam na arena, expondo um circulo íntimo de interdependência.

Nesse contexto, mendigos ou malandros são personagens marginais que desmitificam os valores burgueses. Enfoca o campo dos afetos, da sexualidade, do desejo. A partir da questão da marginalidade social, sua lírica dramática, percorre uma trilha na qual se sobrepõem as imagens da cidade, da mulher, o afetivo e o social, o erótico e o político.

Trata-se de um espetáculo de música no qual se trabalha a dança e a dramatização de algumas passagens para testar novas linguagens e possibilidades de se contar a história original. E acima disso, é um novo formato de espetáculo oferecido para a sociedade cuiabana e mato-grossense, para despertarmos novas platéias e concomitante, trabalharmos outros espaços artísticos.

O espetáculo vem sendo construído e reconstruído há três anos. Houve aprovação na lei federal de incentivo a cultura (Rouanet), mas a produção não conseguiu captar o recurso. Este, de acordo com as produtoras Carol Araújo e Emanuelle Calgaro, foi um dos principais problemas enfrentados pela produção do espetáculo. De um trabalho previsto com 21 atores hoje o resultado concreto será exposto com onze contando um casal de bailarinos.

Conforme Carol Araújo, a maior dificuldade é a consciência coletiva, tanto governamental quanto do empresariado sobre a importância de um espetáculo cênico para a sociedade. “O projeto cultural ainda não é visto pelos parceiros (empresários) como um bom investimento, que é possível fazer cultura aqui”, afirma. Emanuelle Calgaro, por sua vez, confessa que tivessem maior investimento, o espetáculo seria ainda melhor. “Temos sorte dos artistas trabalharem pela arte”, destaca.

O trabalho cênico foi feito de maneira incansável diariamente. Segundo o músico Anselmo Parabá, que passou por laboratório de dança e de interpretação, o espetáculo para ele é um desafio. “O maior desafio é atuar e dançar”. Ele revela que para obter um bom resultado, os ensaios foram constantes. “A princípio os ensaios aconteciam três vezes por semana, das 19 às 22h. Agora que o espetáculo se aproxima, os ensaios são praticamente diários”, conta.

Algumas passagens tanto da dança como da dramatização testam novas linguagens e possibilidades de se contar a história original. Exemplo disso são os bailarinos que vem de um grupo de rua (Movimento Uniformemente Variado – MUV), ou seja da dança contemporânea e fazem um Pas de deux. O resultado é um novo formato de espetáculo oferecido para a sociedade cuiabana e mato-grossense.

A “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque, foi encenada pela primeira vez em julho de 1978, quando os primeiros acordes da abertura política começaram a soar. A época escolhida foi, entre outros motivos, como uma forma de driblar a censura e mostrar a semelhança entre os regimes autoritários. Como com o passar das décadas, tornou-se um marco cultural nacional, ganhou várias leituras e diferentes montagens.

Ficha técnica

Diretor Geral: Wagton Douglas

Adaptação: Maira Jeannyse

Produçao Executiva: Emanuelle Calgaro

Produçao: Emanuelle Calgaro \Caroline Araújo\ Elaine Santos

Diretor de Coreografia: Luciano Oliveira e Marcilene Maria

Diretor Musical e Arranjos: Samuel Smith

Música: Mandala Soul

Diretora de Cenografia: Caroline Araújo

Figurino: Maira Jeannyse

Iluminação: Hiald Iluminação

Sonorizaçao: Biju

Sonorizações Sonoplastia: Elaine Santos

Elenco

Anselmo Parabá – Max Overseas

Lorena Lye – Teresinha Duran

Jaccs Pimentel – Duran

Núbia Araújo – Fichinha

Umberto Lima – Geny

Thaysa Soares – Lúcia Chaves

Raul Fortes – General

Danilo Bareiro – Barrabás

Samuel Smith – Johnny Walker

SERVIÇO:

O que: Espetáculo “Ópera do Malandro – Cabaré”

Local: Casa Barão de Melgaço – Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso

Data: 03 a 06 de maio e 10 a 13 de maio

Horário: De quinta a sábado, às 20h30 e Domingo às 20h.

Ingressos: 10,00

Outras informações: 8117-6337 / 9978-3211