Quem não gosta de Copa, adere ao sofrimento

A cidade está em festa. O Brasil está em festa. Por todos os lados em que se transite vê-se bandeiras, bandeirinhas e bandeirolas verde-amarelas. Será que só nessa ocasião os brasileiros se revelam patriotas? Pois é, a Copa do Mundo promove milagres. Não que o patriotismo seja desejável. A cidade é invadida pelo futebol. Nas …

11/06/2010 11:12



A cidade está em festa. O Brasil está em festa. Por todos os lados em que se transite vê-se bandeiras, bandeirinhas e bandeirolas verde-amarelas. Será que só nessa ocasião os brasileiros se revelam patriotas? Pois é, a Copa do Mundo promove milagres. Não que o patriotismo seja desejável.

A cidade é invadida pelo futebol. Nas telas virtuais. Para quem não gosta de futebol, restam o churrasco e a cervejinha. Mas, e quem não gosta de beber, é vegetariano e não gosta de futebol e de patriotismos? O que fazer durante a Copa? Nem trabalhar é possível.

Pois a cidade paralisa. As ruas se esvaziam. Os patrões rendem-se à realidade e juntam-se aos peões. Cervejinha, guaraná e coca-cola misturam-se aos sanduíches de queijo e mortadela.

O que fazer durante a Copa? Só resta aderir ao sofrimento. De ouvir os comentaristas na rádio e TV. De ver os brasileiros curvados.

De qualquer forma, se um brasileirinho desconhecido que veio lá de longe. Pobre e sem perspectivas de futuro. Projeta-se ao mundo com a sua arte. E torna-se um brasileiro de verdade. Para o Brasil e para o Mundo. Diremos: valeu a pena o sofrimento!

Desde que esse novo herói comporte-se como verdadeiro Rei do Futebol. E não como alguém que tem um rei na barriga. Desde que se lembre que o futebol também é arte. E não mero instrumento para mercenários.

Então, louvaremos este novo Rei. Desde que não se esqueça dos outros mil brasileirinhos que sonham estar em seu lugar. Desde que se proponha a auxiliar outros milhões de brasileiros e brasileirinhos – maltratados pelas adversidades da vida – a encontrar o seu lugar no Brasil e no Mundo.