Metade tem sobrepeso

A falta de cuidados com a alimentação está fazendo com que quase a metade dos cuiabanos atualmente pesem mais do que deveriam. Segundo levantamento divulgado ontem pelo Ministério da Saúde, 46,7% da população local sofre com sobrepeso, índice que coloca Cuiabá entre as dez capitais “mais gordas”, atrás de Fortaleza, no Ceará (47%), e superando …

22/06/2010 10:51



A falta de cuidados com a alimentação está fazendo com que quase a metade dos cuiabanos atualmente pesem mais do que deveriam. Segundo levantamento divulgado ontem pelo Ministério da Saúde, 46,7% da população local sofre com sobrepeso, índice que coloca Cuiabá entre as dez capitais “mais gordas”, atrás de Fortaleza, no Ceará (47%), e superando Vitória, no Espírito Santo (46,3%, décima colocada).

No país, o índice subiu de 42,7% para 46,6% das pessoas de 2006 a 2009. O de obesos (peso excessivo), de 11,4% para 13,9%, no mesmo período. Os dados são da pesquisa Vigitel, promovida pelo governo federal. Entrevistas com mais de 54 mil adultos no país apontaram que, entre os cuiabanos, 13,9% podem ser considerados obesos, cuja massa corpórea (peso dividido pela altura ao quadrado) é superior a 30.

Os índices daqui seguem tendência nacional, e mundial, de crescimento do excesso de peso. Afinal, os maus hábitos alimentares crescem na mesma medida em que aumenta o apelo por parte das redes de fast food. Ou, no caso de Cuiabá, também por parte dos baguncinhas e espetinhos que proliferam pela cidade, segundo a gerente de Vigilância a Doenças Não-transmissíveis da Prefeitura, Josiane Maximiano Rodrigues.

A gerente aponta que o consumo de carne entre os cuiabanos é alto, sem contar que muitos têm gosto por aquela “capinha de gordura” no churrasco. Além disso, a prática de exercícios tem se tornado quase que uma atividade da elite e basta verificar quem são os frequentadores regulares dos espaços apropriados, como o Parque Mãe Bonifácia, para ter uma noção dessa realidade, influenciada também pela falta de estrutura para educação física nas escolas ou pela própria falta de tempo da população de baixa renda. Sem contar o estímulo à compra de carros, que só contribui para o sedentarismo.

O vigilante noturno Luis Carlos da Costa, 36 anos, acha que se encaixa neste perfil há pelo menos oito anos. “É aquela jantinha à noite, né”, comenta, referindo-se ao exagero e à presença constante da carne vermelha no cardápio, fora os churrascos de fim de semana. Mas Luis está repensando seus hábitos e, por isso, ontem foi ao Centro para iniciar uma mudança: foi comprar tênis para começar a fazer caminhada e tentar baixar os atuais 120 quilos para, pelo menos, 100.

Mas o Ministério da Saúde entende que o excesso de peso e a obesidade no país não são apenas problemas provocados pelos maus hábitos; há também a predisposição genética, que acaba tornando a luta contra a balança um pouco mais difícil para pessoas como o técnico de som e imagem João Gabriel Batista, 32 anos. Ele conta que nunca compartilhou dos tais maus hábitos alimentares, mas que seu pai e sua mãe têm tendência para engordar, o que se reflete nele visivelmente. João já foi magro, mas o tempo em que trabalhou como caminhoneiro no Japão – 11 anos – o fez desandar por comer muito mal. Isso teria “ativado” a tendência que tem para o sobrepeso. Ele chegou a pesar 132 quilos, hoje está com 122, mas pretende cortar 20 quilos por meio de dietas.

MUDANÇA – O sistema público de saúde oferece alternativas para quem precisa reduzir o peso. A população obesa pode procurar o Hospital Geral Universitário (HGU) e o Júlio Muller (HUJM), que oferecem acompanhamento multidisciplinar para redução de peso com medicamentos ou cirurgia, em última hipótese. O acompanhamento também é oferecido nas policlínicas, com endocrinologistas e nutricionistas.

DADOS – Outros dados divulgados ontem apontam Cuiabá como uma das cidades com menores percentuais de fumantes no país, apenas 11,2% (o maior índice é de Porto Alegre (RS), com 22,5%. A média nacional é de 15,5%. Por outro lado, 17,8% dos cuiabanos abusam da bebida alcoólica, índice próximo da média do país, que é de 18,9%. Salvador é a capital líder desse ranking, com 25,6%.