Ministro da Igualdade Racial visita aldeia indígena de Formoso, é batizado como Paresi e recebe reivindicação da comunidade

 A comunidade da terra indígena de Formoso, município de Tangará da Serra, recebeu neste sábado (24.07) a visita do ministro-chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Eloi Ferreira de Araújo, e teve oportunidade de assistir ao ritual “Menina Moça” e ao batizado de 3 crianças indígenas – também ele sendo batizado …

25/07/2010 09:42



 A comunidade da terra indígena de Formoso, município de Tangará da Serra, recebeu neste sábado (24.07) a visita do ministro-chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Eloi Ferreira de Araújo, e teve oportunidade de assistir ao ritual “Menina Moça” e ao batizado de 3 crianças indígenas – também ele sendo batizado como Paresi.
 

O ministro esteve acompanhado do presidente da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), Ronaldo Paresi, e do tenente-coronel Alessandro Mariano Rodrigues, superintendente de Assuntos Indígenas, representando o Governo do Estado. A terra indígena de Formoso, segundo Ronaldo Paresi, é habitada em média por 200 pessoas e viveu um momento de grande emoção com a presença do ministro. Eloi Araújo conheceu a aldeia, e de modo especial a oca onde estava a jovem indígena, Vandessa, que participou do ritual Menina Moça, ela ficou trinta dias isolada, período no qual só manteve contato com os parentes mais próximos.

O ministro Eloi Araújo disse que a experiência de conhecer o ritual e participar do batismo estava sendo uma experiência especial. Ele destacou que o Governo Federal vem caminhando num processo de preservação da cultura dos povos indígenas, aliado com as políticas públicas de assistência que beneficia as comunidades indígenas de um modo geral. O ministro foi o porta-voz do anúncio aos presentes da criação, por parte do Governo do Estado de Mato Grosso, de uma secretaria de Política de Promoção da Igualdade Racial e de Políticas Indígenas. De acordo com o ministro, com essa secretaria o Governo de Mato Grosso terá melhor acesso aos recursos voltados para a promoção da igualdade racial e de preservação das culturas nativas. Eloi Araújo foi batizado Paresi, assim como também o tenente-coronel Mariano. “Ser batizado é um ritual de aceitação da cultura e um modo de ser aceito pelos povos indígenas”, destacou o tenente-coronel Mariano.

REIVINDICAÇÃO – As diversas comunidades indígenas que moram na região – reprentadas pelas Associações Halitinã e Waymare – entregaram um dossiê pedindo a reabertura da agência da Fundação Nacional do Índio (Funai) no município de Tangará da Serra. Segundo o vereador paresi Genilson Kezomae, enquanto a agência estava funcionando, depois de um processo de apaziguamento nas relações entre os povos indígenas e as demais comunidades, nunca mais houve nenhum problema. Agora, desde o fechamento da Funai, já houve tentativa de uso das terras indígenas para tráfico de drogas e alguns “madeireiros” estão tentando invadir a área indígena para extração de madeira ilegal.

O ministro se comprometeu em se inteirar da situação e de abrir um canal de conversão com o presidente da Funai, Márcio Meira.  Eloi Araújo conheceu o jovem Jucélio Paresi, que vai estudar Pedagogia – dentro da política fortalecimento e qualificação dos indígenas que já proporcionou, por exemplo, o curso de Formação de Gestores Indígenas, pela Faculdade Indígena Intercultural da Unemat. O ministro ainda tentou convencer Jucélio a fazer Medicina, mas decidido disse que ele vai ser professor e ensinar e preparar outros jovens para serem – aí, sim – médicos, engenheiros e advogados “que precisamos muito”, ressaltou.

A preocupação com a educação é permanente. A jovem Ivanilce, explicou inclusive que o ritual de Menina Moça, antigamente demorava até dois anos de isolamento das jovens, porém atualmente dura em torno de 30 dias, para que as meninas não deixem de estudar.