Destruído na II Guerra, tesouro de 3 mil anos é restaurado

Um tesouro arqueológico de cerca de 3 mil anos que foi destruído por um bombardeio foi resgatado das ruínas graças aos nove anos de trabalho de uma equipe do Museu de Pérgamo, que reconstruiu cerca de 60 estátuas e baixos-relevos recuperados entre os escombros da Segunda Guerra Mundial e que permaneceram esquecidos durante décadas na …

03/08/2010 10:08



Um tesouro arqueológico de cerca de 3 mil anos que foi destruído por um bombardeio foi resgatado das ruínas graças aos nove anos de trabalho de uma equipe do Museu de Pérgamo, que reconstruiu cerca de 60 estátuas e baixos-relevos recuperados entre os escombros da Segunda Guerra Mundial e que permaneceram esquecidos durante décadas na ex-República Democrática Alemã (RDA).

“Reconstituímos mais de 90% das peças provenientes do Museu de Tell Halaf”, indicou Lutz Martin, arqueólogo responsável pelo projeto. “Dos 27 mil fragmentos, nos restam apenas 2 mil”, acrescentou.

O trabalho foi realizado por uma pequena equipe de arqueólogos, cientistas e restauradores financiados pela família de Max von Oppenheim, o filho de banqueiros e arqueólogos que descobriu o tesouro no norte da Síria, perto da fronteira turca, antes da Primeira Guerra Mundial.

Depois de duas campanhas de escavações em Tell Halaf (1911-1913 e 1927-1929), Oppenheim levou grande parte do tesouro para a Alemanha, onde o expôs em seu próprio museu. O prédio foi destruído durante um bombardeio aliado em novembro de 1943, acabando assim com todas as peças em madeira e alabastro. Somente sobreviveram as peças em pedra, apesar de ficarem separadas em milhares de pedaços.

A reconstituição desse quebra-cabeça gigante em três dimensões acabou se revelando uma tarefa hercúlea. “No início, pensávamos em reconstruir apenas uma ou duas das principais figuras, como os leões que guardavam a entrada do palácio aramaico”, assinalou Martin. “Não sabíamos o que poderíamos conseguir porque ignorávamos a quantidade de material recuperado do museu destruído”, explicou Stefan Geismeier, encarregado do trabalho de restauração.

Depois de tentar reconstruir inicialmente a parte externa dos objetos, para depois preenchê-los com concreto, a equipe foi se convencendo da possibilidade real de reconstruí-los por completo.

“Ao contrário de um quebra-cabeça – no qual, à medida que se chega ao final, fica mais fácil -, as coisas se complicavam cada vez mais, já que os fragmentos tinham cada vez menos formas menos precisas”, explicou Martin, acrescentando que alguns pedaços eram tão pequenos quanto uma unha, enquanto que outros pesavam 1,5 tonelada.

Para determinar se os fragmentos eram interiores ou exteriores, a equipe analisou seu conteúdo mineralógico, suas propriedades e suas cores. “Depois, cada objeto tinha de ser reconstruído numa única operação para assegurar que os fragmentos de juntavam corretamente”, acrescentou Geismeier.

Os objetos restaurados farão parte de uma exposição especial em Berlim a partir de janeiro. Eventualmente, algumas estátuas serão incorporadas a um pórtico que será construído na entrada do Departamento do Oriente Médio do Museu de Pérgamo.