Versatilidade de células-tronco pode ajudar na reconstrução de tecidos

Um grupo de cientistas suíços e britânicos conseguiu reprogramar células-tronco do timo, um órgão vital ao sistema imunológico, e fazê-las funcionar no folículo capilar. O teste foi feito em roedores. O timo está localizado na cavidade toráxica e responsável pela produção de células de defesa do corpo conhecidas como linfócitos T. O estudo mostrou que …

19/08/2010 09:09



Um grupo de cientistas suíços e britânicos conseguiu reprogramar células-tronco do timo, um órgão vital ao sistema imunológico, e fazê-las funcionar no folículo capilar. O teste foi feito em roedores.

O timo está localizado na cavidade toráxica e responsável pela produção de células de defesa do corpo conhecidas como linfócitos T. O estudo mostrou que é possível usar células-tronco com origem em folhetos embrionários diferentes para reconstrução de tecidos, sem a necessidade de manipulação genética. A pesquisa é tema da revista científica Nature.

Membros da Escola Poltécnica Federal de Lausanne, na Suíça, e da Universidade de Edimburgo, na Escócia, conduziram o estudo, liderado pelo professor Yann Barrandon. Para o pesquisador, as células mudam em função do ambiente que estão, no caso, a pele. “Na teoria, é possível recriar a operação em outros órgãos”, afirma Barrandon.

A origem dos tecidos da pele está ligada à ectoderme, camada formada ainda na fase de embrião dos humanos, que também forma nervos. Já o timo nasce a partir da endoderme, assim como outros órgãos internos como os do aparelho digestório.

Após o transporte das células do timo para o folículo capilar, foi possível manter pele e pêlos por mais de um ano. O resultado é melhor que a média das células-tronco naturais do folículo capilar, que só conseguem curar e reparar tecidos da pele durante três semanas.

Cientistas pensavam que células desenvolvidas em um folheto embrionário não poderiam criar tecidos e órgãos em outra camada. Porém, o estudo liderado pelo professor Barrandon mostra que as fronteiras entre endoderme e ectoderme não são tão absolutas.

Clare Blackburn, da Universidade de Edimburgo, afirma que a pesquisa não trata apenas de uma capacidade latente das células do timo que é despertada após o contato com o folículo capilar.

“As células-tronco realmente expressam genes diferentes e ficam mais potentes”, afirma a médica. “Será interessante ver se outros meios distintos da pele se comportam da mesma maneira.”