MT-Fomento faz diagnóstico em Marcelândia e empresários retomam o ânimo e a esperança

Marcelândia, MT – Uma semana após ter o parque industrial devastado pelo fogo, os empresários do município de Marcelândia (710 km ao Norte de Cuiabá) dão uma lição de vida e demonstram confiança e ânimo numa retomada. Alguns ainda acreditam que além de reconstruir o que foi destruído, a cidade viverá uma onda de crescimento. …

20/08/2010 08:17



Marcelândia, MT – Uma semana após ter o parque industrial devastado pelo fogo, os empresários do município de Marcelândia (710 km ao Norte de Cuiabá) dão uma lição de vida e demonstram confiança e ânimo numa retomada. Alguns ainda acreditam que além de reconstruir o que foi destruído, a cidade viverá uma onda de crescimento. “Estamos otimistas, achei que a cidade ia ficar com o psicológico abalado, mas a força que o Governo do Estado e o município têm dado fez com que todos se animassem “, afirmou Genival Alves, dono de uma serraria ao entregar os dados e documentação da sua empresa para a equipe da Agência MT-Fomento.

A equipe da MT-Fomento passou a semana na cidade, visitou os empreendimentos atingidos pelo incêndio, conversou com os proprietários e fez o registro fotográfico. A meta é realizar um diagnóstico preciso dos danos patrimoniais provocados pelo desastre ambiental. “Queremos fazer uma radiografia, o levantamento das perdas e o que eles pretendem para recomeçar. É uma ação concreta do Governo do Estado para trazer uma luz, dar um encaminhamento, um sinal positivo,” destacou o superintendente de Desenvolvimento e Projetos, Luiz Benvenuti.

“Ao chegarmos aqui e começarmos o levantamento percebemos uma reação positiva, otimista, muitos diziam ‘tô limpando meu pátio’, ‘vou construir’, quero reconstruir”, disse Benevenuti. E foi possível notar essa reação ao conversar com empresários como seo Aníbal Marcos, 64 anos, morando há 17 em Marcelândia. Ele decidiu há um ano deixar o ramo da pecuária e investir numa fábrica de portas. O empresário conta que viu seu patrimônio se transformar em cinzas, mas em contraste ao cenário sombrio de carros e máquinas queimados, ele surpreende e mostra muita garra.”Vou voltar a trabalhar, vou voltar a produzir, a vida continua, feliz daquele que tem saúde.Eu consegui isso aqui, Deus me deu força e muita vontade de viver, comecei a trabalhar aos 13 anos, só perco a esperança quando morrer.”

Com um prejuízo avaliado de R$ 420 mil, o empresário tem a expectativa de conseguir uma linha de financiamento com juros baixos e um prazo de carência maior.

Entre os empreendimentos visitados pela equipe da MT-Fomento, está a fábrica do artesão Aniano Aguero, o paraguaio, como é conhecido. Entre os ferros retorcidos ainda está sua máquina de trabalho, o fogão, a geladeira, o telhado do barracão, tudo queimado. Paraguaio trabalha com sobras de madeira, e produzia peças de móveis em miniatura, ‘caixinha da vovó’, porta-treco. A fábrica de artesanato trabalhava numa carga que seria enviada para Campo Grande (MS), conta o proprietário mostrando o alcance dos seus produtos. “Eu fazia tanta coisa”, disse o artesão.

Com um sorriso nos lábios, o artesão se mostra confiante. “Eu iniciei do nada, saía na cidade, vendia o que eu fazia. Fui crescendo devagar, consegui crescer, contratar cinco funcionários e pretendia contratar mais agora”, comenta. O prejuízo patrimonial de Aniano está calculado em torno de R$ 155 mil, mas além disso perdeu a casa e até os documentos. “Vou recuperar, se não tiver ajuda levo uns 7, 8 anos para retomar, mas se conseguir eu vou explodir de uma vez, vou crescer como eu queria”.

Animados os empresários entregavam documentação para a equipe do MT-Fomento. Juliana Blanch, havia reformado a sua serraria e retomava o trabalho quando houve o incêndio. O prejuízo ficou em torno de R$ 500 mil reais.

O relatório da MT-Fomento servirá de subsídio para o Governo do Estado na busca de linhas de financiamento  junto às instituições financeiras e Governo Federal.