Dona de posto em Chapada é presa por corrupção eleitoral

A empresária Edite Miguel Silva Chagas, proprietária do posto Aldeia Velha, em Chapada dos Guimarães (67 km ao Norte de Cuiabá), e Rosangela Lemos de Arruda foram presas em flagrante, no sábado (2), véspera das eleições, por suposta prática de corrupção eleitoral. Os candidatos envolvidos no caso, segundo a empresária, seriam Emanuel Pinheiro (PR) e …

03/10/2010 01:38



A empresária Edite Miguel Silva Chagas, proprietária do posto Aldeia Velha, em Chapada dos Guimarães (67 km ao Norte de Cuiabá), e Rosangela Lemos de Arruda foram presas em flagrante, no sábado (2), véspera das eleições, por suposta prática de corrupção eleitoral.

Os candidatos envolvidos no caso, segundo a empresária, seriam Emanuel Pinheiro (PR) e Chica Nunes (DEM), que disputam vagas na Assembléia Legislativa de Mato Grosso.

O Ministério Público Estadual (MPE), através do promotor eleitoral César Danilo Ribeiro de Novaes, recebeu a denúncia que haveria distribuição de combustível por parte de grupos políticos no estabelecimento, como forma de vantagem para votação nos candidatos.

“Funcionários da Justiça Eleitoral estiveram no posto, apreenderam vários vales de R$ 20 e, diante das circunstâncias, encaminharam todos para delegacia por corrupção eleitoral”, disse.

Quanto à prisão da comerciante, o promotor explicou que o Ministério Público fez várias campanhas, reuniões, onde os comerciantes receberam informações sobre qual conduta a ser tomada nas eleições e que a empresária teria participação no suposto crime. “A princípio, existem indícios de compra de voto. A comerciante é corresponsável com a situação; então, foi lavrado o termo da prisão em flagrante contra ela”, declarou.

Rosângela estava abastecendo o carro utilizando um vale, quando os servidores da Justiça Eleitral e agentes da Polícia Militar chegaram ao posto e verificaram a irregularidade. Elas estão presas na delegacia da cidade. “A comerciante vendendo para políticos e a própria circunstância do fato acontecido tornam evidente o crime eleitoral. Essa situação é gravíssima. Tipo de postura lamentável”, disse o promotor César Danilo.

Ele disse, ainda, que o caso agora será investigado e que no inquérito serão identificados os candidatos responsáveis pelo que teria sido a prática de crime eleitoral. “Caso seja constatado realmente o envolvimento dos candidatos, eles serão processados por corrupção eleitoral. Inclusive, isso tem efeitos na própria inelegibilidade deles”, disse.

Agora, o caso será encaminhado ao procurador regional eleitoral, para que dê distribuição nesse âmbito eleitoral. Em Chapada, o MPE e Justiça Eleitoral ficarão responsáveis.

“Prisão injusta”

Na delegacia, Edite Miguel disse que apenas vendeu o combustível e oportunizou aos compradores os vales. Ela disse que tudo que ela comercializa tem nota fiscal e considerou sua prisão injusta. “Eu não roubei, não matei, não estou vendendo nada ilegal. Estou vendendo o que eu comprei. Eu não sei por que me prenderam”, declarou.

A comerciante disse que foram apreendidos em seu posto 21 vales de R$ 20, cada um. Informou que os vales apreendidos faziam parte dos volumes vendidos para coordenadores da campanha de Chica Nunes (DEM) e Emanuel Pinheiro (PR). “Não tem nome de nenhum deles nos vales. Vinha vendendo normalmente, inclusive, tem outros candidatos que pegaram a nota, para depois fazer o pagamento”, disse.

Edite confirmou que tinha conhecimento de que estava vendendo o combustível para políticos, revelando que chegou a mandar a nota, antes mesmo dos políticos pagarem os combustíveis. “Para alguns, até enviei pela internet, para depois eles virem me pagar. Eles não pagam enquanto não enviar a nota. Qualquer um que chegar para mim que quer comprar, eu vou vender”, detalhou.

A proprietária do posto disse que estava em sua casa quando os servidores da Justiça Eleitoral e a PM foram até o posto e que um funcionário dela teria ligado avisando da operação. “Quando eu chequei lá, chegou uma senhora com um vale e a prenderam também. Parece que quem deu [o vale] para ela foi o Toninho de Freitas, que trabalha para o candidato Emanuel Pinheiro”, revelou.

“Na forma legal”

O coordenador da campanha do candidato Emanuel Pinheiro, o ex-prefeito de Chapada, Gilberto Mello (PR), informou que todo combustível adquirido pela campanha no posto ocorreu de forma legal e justificável. Ele considerou a prisão da empresária como “arbitrária”.