Dilma Rousseff volta a afirmar que é contra o aborto

Em uma entrevista tumultuada, com direito a empurrões entre jornalistas e militantes, a presidenciável Dilma Rousseff (PT) disse, em Belo Horizonte (MG), ser contra o aborto e a favor da liberdade de crença. “Nós temos que defender a liberdade de crença como uma manifestação da liberdade da democracia no Brasil. Eu queria aproveitar a oportunidade …

08/10/2010 15:29



Em uma entrevista tumultuada, com direito a empurrões entre jornalistas e militantes, a presidenciável Dilma Rousseff (PT) disse, em Belo Horizonte (MG), ser contra o aborto e a favor da liberdade de crença.

“Nós temos que defender a liberdade de crença como uma manifestação da liberdade da democracia no Brasil. Eu queria aproveitar a oportunidade para deixar clara, mais uma vez, que eu sou contra o aborto”, disse a candidata em entrevista coletiva concedida na capela Nossa Senhora de Fátima, localizada no estacionamento do Mercado Central.

A petista usou como exemplo, o nascimento do neto para corroborar a sua posição. “Seria muito estranho que quando há uma manifestação de vida no seio da minha família [o meu neto acabou de nascer], eu defendesse uma posição a favor do aborto”. Ela classificou o aborto “como uma violência contra a mulher”.
Dilma disse que como presidente “vai encarar o fato de que milhares de jovens desprotegidas adotem essas práticas porque elas estão abandonadas”.

A petista afirmou que o Estado brasileiro não considerará essas mulheres [em situação de risco social] como uma questão de policia, e sim como uma questão de saúde pública e pessoal. Por outro lado, Dilma defendeu que o governo Lula foi o responsável por permitir à população “condições melhores de vida e fortalecimento da família”.

“Foi o que nós fizemos ao dar o Bolsa Família e ao criar o Minha Casa, Minha Vida”, programas dos quais, Dilma disse que será fiadora numa eventual vitória. “É o que eu represento: a continuidade, o compromisso desse processo que vai resgatar não só as pessoas individualmente, com o trabalho, mas que dará condições para que a família brasileira se desenvolva”. Dilma classificou a moradia própria como a “identidade das pessoas”.

Mais uma vez, ela procurou resgatar a sua mineiridade, na sua primeira visita ao Estado na campanha do segundo turno, dizendo que nasceu e viveu lá. “Sou mineira e tenho certeza que eu, na Presidência, seria como se Minas tivesse chegado novamente à Presidência. Nós queremos os votos de todos os mineiros”.

Dilma fez um breve comentário sobre Marina Silva (PV) e disse ter entrado em contato com a senadora após a votação do primeiro turno. Questionada sobre o apoio da verde, a petista disse que não concorda com esse tipo “de relação de pressão”. “Deixe as coisas se resolverem. A hora da conversa vai chegar. Eu respeito a Marina, independentemente do apoio ou não”, disse.

 Dilma critica estratégia tucano

A petista ainda rebateu as críticas do adversário José Serra (PSDB) que, nesta quarta-feira (06), defendeu as privatizações no governo Fernando Henrique Cardoso e disse que o governo Lula continuou a privatizar.

Para ele, isso é uma “tentativa de vacinar, contra o fato de que quando a gente começar a comparar o governo FHC com o presidente Lula, vai ficar claro que enquanto eles vendiam as ações da Petrobras e arrecadavam US$ 5 bilhões, nós aumentamos as ações e obtivemos US$70 bilhões de dólares. Eles querem evitar comparações”.

Dilma procurou distinguir os modelos das duas gestões com relação às privatizações. Ela disse que o governo Lula é contra a forma, o conteúdo e o sentido das privatizações [feitas no governo FHC]. “Eles venderam R$ 100 bilhões do patrimônio público desse país e elevaram a dívida [pública] de 30% para 60% do PIB”.

Após a entrevista, Dilma se dirigiu de helicóptero a Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde fez uma carreata por cerca de um quilômetro e saudou militantes e populares.