Silval, Maggi e Taques se fortalecem

Dois dos mais importantes partidos do Brasil, PT e PSDB – que em nível nacional comandam o debate político – saíram desta eleição em Mato Grosso menor do que quando entraram. Por outro lado, a eleição estadual revela a predominância de figuras políticas, em detrimento de legendas, e a quebra de alguns paradigmas. Pode-se dizer …

10/10/2010 08:30



Dois dos mais importantes partidos do Brasil, PT e PSDB – que em nível nacional comandam o debate político – saíram desta eleição em Mato Grosso menor do que quando entraram. Por outro lado, a eleição estadual revela a predominância de figuras políticas, em detrimento de legendas, e a quebra de alguns paradigmas.

Pode-se dizer que a maior liderança política depois dessa eleição é o ex-governador Blairo Maggi (PR). Eleito com 1.073.039 votos, o republicano é o primeiro ex-chefe do Executivo estadual que conseguiu se eleger para senador, além de eleger um sucessor – o governador Silval Barbosa (PMDB). Nenhum dos ex-governadores – Dante de Oliveira (PSDB), Jayme Campos (DEM), Júlio Campos (DEM) e Carlos Bezerra (PMDB) – conseguiu tal façanha. PR, PP e PMDB também fizeram as maiores bancadas na Assembleia.

Silval, por sua vez, ajuda a aumentar a atuação do partido em todo país. Levantamento nacional aponta que o PMDB e PSDB foram os partidos que tiveram mais vitórias nas eleições para governadores – cada um deles venceu em quatro locais. O PT garantiu quatro estados, enquanto o PSB ficou com três, o DEM ficou com dois e o PMN, com um.

Na avaliação do cientista político João Edisom de Souza, PSDB e PT começaram a se dissolver em virtude de disputas internas, promovidas pela ascensão de mais de um “cacique”.

Para João Edisom, cada vez mais, o eleitor está buscando candidatos ao invés de partidos. “Essa eleição acabou com a ideia de partido. É Lula ao lado de Collor, Abicalil ao lado de Pedro Henry. A tendência é de que ocorra uma falência dos partidos já que as bandeiras ideológicas caíram. Quem perde são as tradicionais legendas”, analisa.

O resultado, de acordo com João Edisom, será a renovação dos partidos políticos para as próximas eleições e uma maior busca por legendas alternativas. “A oposição no Brasil irá se reconstruir depois dessa eleição. Essa é uma necessidade, já que não houve oposição nos últimos anos. Isso acontecerá independente do resultado do segundo turno”, finalizou.

Um exemplo dessa análise é o ex-procurador da República Pedro Taques (PDT) que, em menos de seis meses, deixou de ser membro do Ministério Público para conquistar uma cadeira no Senado. Embora seja da base de sustentação do atual governo, Taques não descarta encarar embates como oposição. Com expressivos 708.440 votos, o pedetista entra na política com o peso de tradicionais lideranças.

Quem também sai vitorioso nesta eleição é o deputado cassado José Riva (PP) que, de 2006 pra cá, teve uma evolução de 13,25% no eleitorado. O progressista foi o parlamentar mais votado de Mato Grosso nas três últimas eleições, conquistou a preferência de 93.594 eleitores e figura como segundo deputado mais votado do Brasil. Riva volta com força ao parlamento com grandes chances de ocupar novamente o cargo de presidente da Casa. Desde agora o PP estuda ter José Riva como candidato ao governo em 2014, já que a intenção não evoluiu neste ano.

Reeleito com 87.407 votos, o deputado estadual Sérgio Ricardo (PR) se consolida como uma forte liderança política da Baixada Cuiabana. Ele foi o parlamentar mais votado na Capital e em Várzea Grande. Do total de votos, 46.919 foram apenas de Cuiabá e 16.823 na cidade vizinha. O republicano registra 168% de evolução em relação à eleição passada – em 2006 teve 32.615 votos. O parlamentar ganha força e já antecipa que pode disputar a prefeitura da Capital em 2012.