Sachetti renuncia à presidência da Agecopa

O empresário Adilton Sachetti renunciou ontem ao cargo de diretor-presidente da Agência de Execução dos Projetos da Copa do Mundo do Pantanal (Agecopa). Ele alegou foro íntimo para deixar a função que ocupava há um ano. Embora não tenha dado detalhes na carta-renúncia, entregue pessoalmente ontem pela manhã ao governador Silval Barbosa (PMDB), Sachetti, em …

14/10/2010 10:13



O empresário Adilton Sachetti renunciou ontem ao cargo de diretor-presidente da Agência de Execução dos Projetos da Copa do Mundo do Pantanal (Agecopa). Ele alegou foro íntimo para deixar a função que ocupava há um ano. Embora não tenha dado detalhes na carta-renúncia, entregue pessoalmente ontem pela manhã ao governador Silval Barbosa (PMDB), Sachetti, em entrevista, citou dificuldades de relacionamento com integrantes da Agência.

Sachetti também apontou a necessidade de ajustes na estrutura interna e de pessoal na Agência. O cargo de diretor-presidente da Agecopa é uma indicação pessoal do governador do Estado, porém, necessariamente, tem que passar pelo crivo da Assembleia Legislativa. Um dos seis diretores do órgão deve ser nomeado interinamente à presidência.

Os problemas de relacionamento na Agecopa são recorrentes. Sachetti não quis entrar em detalhes e não citou o nome de nenhum dos diretores. Há pelo menos seis meses – ainda na gestão Blairo Maggi, responsável pela indicação de Sachetti – começaram as primeiras celeumas internas. Sachetti, que é ex-secretário de Estado e ex-prefeito de Rondonópolis, mantinha relação estreita de amizade com o ex-governador Blairo Maggi, hoje senador eleito pelo PR.

Considerado um exímio administrador, Sachetti trabalhava ao lado de mais seis diretores da Agecopa, a maioria ex-políticos de Mato Grosso. A composição da Agencia foi feita em comum acordo entre governo do Estado, Assembleia Legislativa e prefeitura de Cuiabá, que indicou o diretor Agripino Bonilha Filho.

O irmão de Adilton, Moisés Sachetti, ex-presidente do Detran e à época dirigente do PR, teria sido preterido para ocupar uma das duas vagas à suplência de Maggi. Foram escolhidos o ex-presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), José Aparecido dos Santos, e o ex-prefeito de Cuiabá, Rodrigues Palma, respectivamente, primeiro e segundo suplentes. O fato, até pelos laços de amizade mantidos desde Rondonópolis, gerou um mal-estar por parte de Moisés Sachetti.

Maggi sempre manteve uma relação de plena confiança com o então presidente da Agecopa, embora internamente houvesse problemas de relacionamento. A disputa se tornou mais ácida nos últimos dias com uma discussão, segundo um site local, entre Sachetti e Yuri Bastos Jorge. Este último ironizou Sachetti porque em Rondonópolis o vencedor do pleito foi Mauro Mendes (PSB), então candidato ao governo.

À reportagem, Adilton se limitou a falar em motivos pessoais. Segundo ele, na sexta-feira fez os últimos despachos e desde ontem não foi mais até o prédio da Agecopa. Ele retorna à iniciativa privada, de onde saiu em 2004 para disputar a prefeitura de Rondonópolis, por insistência do grupo político liderado por Blairo Maggi.

Sachetti admite que a dificuldade de relacionamento não tinha como superar. “A gente tentou de todas as formas”, disse Adilton, que afirmou não levar mágoas. “Se levar mágoa, a gente não dorme”, concluiu.