O humanismo deve ser a marca da futura gestão Silval Barbosa

A segunda parte da “Reunião de Trabalho – Formulação da filosofia para o novo governo”, realizada  no Salão Nobre Cloves Vettorato, no Palácio Paiaguás, foi uma das diversas ações que vão ajudar a formar a nova marca do novo Governo que inicia no dia primeiro de janeiro de 2011. A nova gestão vai ser marcada …

01/12/2010 08:47



A segunda parte da “Reunião de Trabalho – Formulação da filosofia para o novo governo”, realizada  no Salão Nobre Cloves Vettorato, no Palácio Paiaguás, foi uma das diversas ações que vão ajudar a formar a nova marca do novo Governo que inicia no dia primeiro de janeiro de 2011.

A nova gestão vai ser marcada pelo humanismo, um dos pontos abordados na palestra do jornalista e secretário de Comunicação Social do Estado, Onofre Ribeiro, no painel “Cenário Econômico de Mato Grosso – Futuro”. Entre as ações do governo está o programa habitacional, que é o de ofertar casas. Uma casa, enquanto tijolos, argamassa, mão-de-obra, não significa nada enquanto não passar pelo filtro humanista. Depois de passar pelo filtro, integra a sociedade e essa casa significa a realização de um sonho, de uma aspiração, que possibilitam as transformações sociais.

Essas transformações sociais, resultado das ações de governo, colocam desafios que devem ser superados. Onofre citou, entre outros, a questão da mão-de-obra qualificada, uma exigência do que se convencionou como a fronteira tecnológica. As décadas 70-90 foram da fronteira agrícola; 90-2005 fronteira do agronegócio e pós 2005 tem início da fronteira da tecnologia. Essa nossa fronteira exige que o crescimento com sustentabilidade, que visa, além do resultado econômico, o resultado social (transformações sociais), e resultados ambientais. Essa preocupação, quando da fronteira agrícola, não existia. O empreendedor agrícola de então estava preocupado em derrubar a mata, arar e produzir. Agora, isso não pode mais. As novas exigências impõem novas cadeias produtivas – como a captura do gás carbônico, do biocombustível, aliadas as outras cadeias produtivas, com novo perfil.

Mato Grosso tem um cenário altamente positivo para os próximos quatro anos. Como elementos desse novo cenário, ele cita a realização da Copa do Mundo que está provocando uma visibilidade sem precedente de Mato Grosso. Por conta dela o mundo está “scaneando” o estado para aportar recursos, nos mais diversos segmentos econômicos. Outro ponto positivo é a crescente demanda por alimentos. Onofre cita estudo que aponta o Brasil, daqui uma década, como responsável por 50% da produção mundial de alimentos. Mato Grosso – como maior produtor de grãos será um dos principais protagonistas; o rendimento da renda interna, do mercado interno e mobilidade social e o novo ciclo econômico em função da verticalização da economia mato-grossense, uma das principais metas do governo Silval Barbosa.

Onofre Ribeiro em sua conclusão, falando do cenário futuro, destaca que nos próximos quatro anos, em Mato Grosso, vai intensificar um extraordinário ambiente para negócios, pra investimentos e para trabalho de profissionais qualificados em todas áreas. O desafio, segundo Onofre Ribeiro, é proteger a sustentabilidade e preservar os recursos humanos regionais com programas humanistas de formação e construção da cidadania.

O painel da tarde fechou com a participação do economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, que revelou que o Brasil nos últimos anos vem reduzindo os índices de desigualdade social. Essa desigualdade em Mato Grosso diminuiu ainda mais. Dentro de seus estudos de mobilidade social, até para separar dos dados, ele separa as décadas de 60-70, como a década do crescimento; os anos 80 como a década da redemocratização; os anos 90 como a década da estabilização e os anos 2000 como o da redução da desigualdade social. No Brasil, segundo ele, o hiato de pobreza também vem caindo. A diferença entre os mais pobres e os mais ricos vem diminuindo.

Como esse processo de redução dos níveis de pobreza, há a evolução das classes econômicas e a classe média no Brasil, que são as que mais aumentam e em Mato Grosso essa nova classe média representa 50% da população, enquanto no Brasil a média é de 34%. Essa classe média representa 46% do poder de compra da população.

O crescimento brasileiro, por exemplo, é diferente do crescimento chinês. O pesquisador da FGV informa que, enquanto na China o crescimento aumenta a desigualdade social. Porque dessa dinâmica oposta? Porque no Brasil a desigualdade entre as duas classes era muito grande e por algum tempo (ou muito tempo) nos próximos 20 anos essa desigualdade vai continuar caindo.

Essa mobilidade social tem o componente dos programas sociais do governo federal, o Bolsa Família. Mas o programa tem uma importância na formação da renda das pessoas. Porém o maior impacto é da renda gerada pela carteira assinada. Neri destaca que nos últimos 10 meses no Brasil foram criados 2,2 milhões de empregos formais líquidos. “Isso sem nenhuma reforma trabalhista”, segundo ele, o que demonstra a confiança do empresário no crescimento sustentado da economia nacional.

O secretário-adjunto Vivaldo Lopes durante o painel fez uma trajetória da economia mato-grossense, que vem crescendo nos últimos anos a índices asiáticos, da necessidade de mudar a matriz econômica, que “o grande desafio do próximo governo Silval Barbosa – o de industrializar a nossa produção de commodities”. Segundo ele, nos últimos anos Mato Grosso cresceu produzindo as commodities, como carne, fibras, grãos que é vendida – em grande parte – in natura e o mundo está exigindo que essas commodities sejam processadas em alimentos.