Megaesquema: Venda de falsos alvarás de soltura na Penitenciária Central do Estado

O esquema da venda de falsos alvarás de soltura na Penitenciária Central do Estado (antigo Pascoal Ramos) vai além dos R$ 80 mil que teriam sido pagos pelo latrocida Sidnei Bettcurt a um agente prisional. As investigações realizadas pela Polícia Civil apontam um esquema que chegaria próximo de R$ 500 mil para a fuga de …

04/02/2011 09:23



O esquema da venda de falsos alvarás de soltura na Penitenciária Central do Estado (antigo Pascoal Ramos) vai além dos R$ 80 mil que teriam sido pagos pelo latrocida Sidnei Bettcurt a um agente prisional.

As investigações realizadas pela Polícia Civil apontam um esquema que chegaria próximo de R$ 500 mil para a fuga de 11 detentos, ocorrida entre o final de outubro e início de novembro do ano passado.

Conforme as investigações, existia um megaesquema que envolve várias pessoas, tendo como chefes um oficial de justiça aposentado e uma pessoa ligada a ex-direção da unidade prisional.

Assim que a fuga era negociada, entrava em cena o ex-oficial, que chegava com o alvará de soltura falso. A pessoa ligada à direção carimbava e entrega aos agentes prisionais para que liberassem o detento. Como não havia a conferência dos mais de 1.800 presos (entre provisórios e sentenciados), o esquema era um sucesso.

As fugas envolviam o pagamento de propina a agentes prisionais – um deles já identificado – além de policiais militares, incluindo um sargento.

O esquema estava tão escancarado que os presos escolhiam dia e hora para fugir. Para não chamar a atenção, as fugas ocorreram em plantões e horários diferentes. Num dos episódios, chegaram a jogar uma “maria-teresa” – corda artesanal confeccionada com pedaços de lençóis – para justificar a fuga.

O que chama a atenção é que alguns presos teriam pagado uma quantia irrisória, pois somente três dos 11 que “compraram” a fuga são considerados perigosos e teriam dinheiro para negociar com os participantes do esquema.

A fuga dos 11 presos foi descoberta em novembro, quando Sidnei deveria participar de uma audiência na 5ª Vara Criminal no Fórum de Cuiabá, onde responde processo. Ele não estava no raio onde deveria ser buscado. A partir daí, os agentes vasculharam o presídio e chegaram à conclusão de que ele havia fugido.

Além do latrocida, fugiram mais dois presos apontados como de “alta periculosidade”. Um deles é Augusto Rodrigues Martins, indiciado pela Polícia Federal como chefe de uma quadrilha de tráfico internacional de drogas e receptação de carretas, preso em novembro de 2009. A lista se completa com Anderson Luiz Oliveira Silva, preso por envolvimento com o tráfico de drogas.

Os demais são os chamados ‘corrós’, presos de baixa periculosidade. Tudo indica que alguém pagou para eles saírem juntos. Um deles é o Sidnei (Bettcurt), que todo mundo sabe que tem muito dinheiro”, informou um agente prisional que trabalhava na Penitenciária Central do Estado.