Dez mudanças em cinco anos

Conectividade talvez seja a palavra que melhor sintetize hoje as tendências tecnológicas da eletrônica para os próximos cinco anos. Nesse horizonte, o mundo estará ingressando na era da eletrônica conectada, em que todos os equipamentos e dispositivos eletrônicos se interligarão, tanto em nossas casas como fora delas, sejam computadores, tablets, iPods, televisores, celulares, equipamentos de …

12/02/2011 21:04



Conectividade talvez seja a palavra que melhor sintetize hoje as tendências tecnológicas da eletrônica para os próximos cinco anos. Nesse horizonte, o mundo estará ingressando na era da eletrônica conectada, em que todos os equipamentos e dispositivos eletrônicos se interligarão, tanto em nossas casas como fora delas, sejam computadores, tablets, iPods, televisores, celulares, equipamentos de áudio, câmeras de foto ou vídeo ou videogames.

Essa integração, aliás, já é uma das marcas da casa digital – também chamada de casa conectada – e do edifício inteligente.

Ela confere maior eficiência e segurança aos dispositivos e mais conforto ao consumidor, embora ainda não passe da ponta de um iceberg.

Tudo começou com a fusão progressiva entre computador, TV e internet.

As dez tendências escolhidas para essa reportagem resultaram de um debate entre jornalistas, pesquisadores e consultores presentes ao Consumer Electronics Show, realizado no começo deste mês, em Las Vegas.

Nossa lista final foi a seguinte: 1. Tablet-mania; 2. Supercelular a 30 Megabits em 2015; 3. Smartphone como carteira eletrônica; 4. Conexões USB dez vezes mais rápidas; 5. TV 3D: com ou sem óculos; 6. Fusão TV-computador-internet; 7. A guerra dos chips; 8. Super telas nítidas à luz do sol; 9. Localizar pessoas pelo celular; e 10. Baixar tudo por streaming (clique e veja, clique e ouça, sem copiar).

Como em toda escolha, há alguma dose de subjetivismo e outras tendências tecnológicas talvez pudessem ser acrescentadas, como, por exemplo: as redes sociais; as superbaterias, que poderão durar dez vezes mais do que as melhores atuais; os supergames; a identificação por radiofrequência (RFID, na sigla em inglês); a rede elétrica inteligente (smart grid).

Vale ainda registrar que existem tendências mais abrangentes que deverão ter grande influência no desenvolvimento de novos produtos e tecnologias, como: casa inteligente, carro digital, eletrônica verde, revolução das redes sociais, escola do futuro, teleeducação, teletrabalho e telemedicina.

Essas grandes áreas e segmentos envolvem múltiplas tecnologias e conceitos.

1) A nova mania dos tablets

O mundo vive uma espécie de tablet-mania. No fim de 2011, deverão estar no mercado mais de 100 modelos e suas vendas mundiais devem quebrar a barreira das 50 milhões de unidades. Quando a Apple lançou o iPad, há pouco mais de um ano, no entanto, muita gente perguntava: para que vou querer um tablet?

Hoje, quase todos sabem ou desconfiam qual seja a resposta. Com esse dispositivo mágico, você fará tudo que faz com seu laptop – e muito mais. O importante é exatamente esse “muito mais”. Você não apenas poderá enviar e receber e-mails e fazer download de música ou vídeo em alta velocidade, mas poderá ler jornais, revistas e livros. Dotados de câmera fotográfica e de vídeo, navegador GPS e recepção de rádio, alguns modelos vão incorporar os chips mais avançados de celulares, para que acessemos a web não apenas pelas redes WiMAX e Wi-Fi, mas também pela 3G e poder falar ou comunicar-nos com qualquer pessoa, em qualquer lugar.

E não se surpreenda: a demanda de tablets e a variedade de seus conteúdos tendem a crescer muito mais, pois diversos modelos terão a capacidade de receber programas de TV móvel (Mobile TV). Até 2012 teremos iPads e outros tablets com recepção de TV digital, em alta definição e tridimensional (3D). Em sua tela, teremos os melhores mapas e gráficos nos serviços de navegação do Sistema Global de Localização via Satélite (GPS, sigla de Global Positioning Satellite System). Até 2015, eles serão as novas ferramentas do comércio móvel ou M-Comm (de Mobile Commerce).

Para os pesquisadores e consultores do grupo Gartner e do site CNET, o tablet vai mudar nossa vida. Não tenha dúvida.

2) Supercelular a 30 Megabits

O mundo evolui rumo à quarta geração do celular (4G), que permitirá o acesso à internet via celular a velocidades que irão de 30 a 100 megabits por segundo (Mbps). Operadoras norte-americanas já oferecem velocidades de 12 a 14 Mbps. Por volta de 2015, os celulares poderão chegar a 20 ou 30 Mbps. Em 2020, talvez superem 100, 200 ou, talvez, 500 Mbps, inclusive via redes sem fio de alta velocidade como as Wi-Fi e Wimax.

As promessas parecem não ter limites. Até dois anos atrás, o limite superior de velocidade da 4G esperado era de 100 Mbps. Ninguém ousaria falar em 500 ou 600 Mbps. Seria pura ficção. No fim de 2010, entretanto, essas velocidades foram superadas e alcançaram o pico de 672 Mbps, em experimentos como os da Nokia Siemens Networks, e da operadora T-Mobile dos EUA. As empresas estão padronizando mais um salto do que deverá ser a tecnologia de quarta geração do celular, hoje denominada Long Term HSPA Evolution – ou seja, Evolução de Longo Prazo.

3) Smartphone será carteira eletrônica

Uma operadora de telefonia celular norte-americana diz aos seus clientes que sua velha carteira de couro está em vias de ir para o museu. Em seu lugar, eles começam a usar carteiras eletrônicas ou e-wallets (de eletronic wallets). Para isso, nossos smartphones serão devidamente programados.

Embutido em cada um desses celulares avançados, teremos, na verdade, um cartão de débito ou de crédito virtual. Ou ambos.

No Brasil, as operadoras Tim, Oi e Vivo já fazem testes com a carteira eletrônica. Dentro de dois ou três anos, estaremos ingressando na era do comércio móvel (e-comm), ou do pagamento móvel (do mobile-payment ou M-payment).

Outro avanço que amadurece rapidamente e deixará de ser apenas um sonho das pessoas é a videoconferência via celular. Em breve, poderemos fazer ligações de nosso celular com áudio e vídeo em alta definição (HD).

Os primeiros celulares com essa capacidade deverão chegar ainda em 2011, graças à nova geração de superchips, como o Tegra 2 ou o Fusion.

4) Conexões 10 vezes mais rápidas

Demorou, mas chegaram ao mercado as conexões USB 3.0. Essa nova geração de conexões ultra rápidas nos permitirá transferir para o computador ou HD externo os 25 gigabytes (GB) de um disco Blu-ray em apenas 70 segundos. Com as conexões USB 2.0, a geração atual, levaria 14 minutos para transferir o mesmo volume de dados. Com as conexões da primeira geração, a USB 1.0, levaria o absurdo de 9 horas e 18minutos.

Conhecidas também pelo nome de conexões Super Speed USB 3.0, elas deverão multiplicar por 10 a velocidade das atuais conexões USB 2.0. Além das conexões com fio, surgem as conexões sem fio USB 3.0, já chamadas de Wireless Super Speed USB, que interligam notebooks ou caixas acústicas a velocidades de até 480 megabits por segundo (Mbps), em distâncias de até 3 metros.

A boa notícia é que a USB 3.0 foi planejada para coexistir com a USB 2.0. Enquanto a terceira geração prevê o uso de novas conexões físicas e novos softwares, o conector permanece com o mesmo formato retangular e dimensões da USB 2.0 e nos mesmos locais.

5) TV-3D com e sem óculos

A revolução das imagens 3D não se restringe à TV. Muito além dela, o impacto das três dimensões vai alcançando todas as telas e monitores, sejam de desktops e laptops, de celulares, iPods, Ipads, tablets e do cinema.

Na medicina, a tridimensionalidade vai revolucionar os exames clínicos de imagens, como nas ultrassonografias e tomografias 3D, cirurgias monitoradas à distância. Em breve, teremos opções de câmeras fotográficas e de vídeo 3D, no lugar das atuais em 2D.

A grande novidade deste ano é o lançamento comercial do primeiro televisor com imagens 3D que dispensa o uso de óculos (glasses-less), pela Toshiba japonesa. Suas imagens são excelentes. Quem teve oportunidade de ver o produto no Consumer Electronics Show 2011, de Las Vegas, ficou realmente encantado diante da qualidade das imagens 3D.

O que comprar a curto ou médio prazo? TV-3D com óculos ou sem óculos? A longo prazo, tudo indica que as TVs 3D glasses-less dominarão o mercado, pelo conforto e pela naturalidade que proporciona. Mas em quantos anos? Talvez 8 ou 10, no mínimo. Até lá, haverá um longo período de convivência entre as duas tecnologias de 3D, tanto com óculos quanto sem eles. O maior desafio futuro da tecnologia glasses-less da Toshiba será padronizá-la. Há forte resistência das demais indústrias, e mesmo de Hollywood, que irá produzir o conteúdo principal. É provável que surjam padrões diferentes, concorrentes da Toshiba.

A evolução dos óculos, em especial os chamados tecnologia ativa, pode dar-lhes longa vida, pois eles permitem ajuste da imagem, efeitos 3D de maior impacto, melhoria de cores e melhor contraste. Alguns consultores afirmam que é possível que haja espaço para o convívio das duas tecnologias de TV-3D.

Óculos e capacetes ativos deverão sobreviver a diversas aplicações em videogames e sistemas de realidade virtual. Eles funcionarão como dispositivos de imersão total do espectador. Serão utilizados em cavernas digitais, com programas que podem simular uma visita ao interior das pirâmides do Egito ou ao interior do corpo humano.

No Brasil, centenas de salas de cinema, fechadas nos últimos anos, deverão ser reabertas, graças às novas possibilidades da tecnologia 3D e de inovações como o sistema Imax, com projeções em 180 graus.

6) A fusão TV-computador-internet

O mundo vive a era da TV conectada, que já chegou ao Brasil, com os primeiros televisores inteiramente integrados à internet, com cardápios de serviços de maior interesse, como previsão do tempo, cotação das bolsas, noticiário, comércio eletrônico, sites como o Facebook, Google, YouTube, Picasa, Net Movies, Ig, Twitter, Flickr, Saraiva, Terra, Uol, Orkut e outros. Tudo isso, com a vantagem do comando pelo controle remoto, que permite um conforto muito maior do que o uso do mouse e do teclado.

Na verdade, nenhuma área vive transformações mais rápidas e mais profundas em todo o mundo do que a televisão – da TV analógica, para a digital e para a TV-3D. Além de novas opções de monitores de LED (Diodos Emissores de Luz), OLED (LED orgânico) e outras tecnologias que elevam sempre a qualidade da imagem.

Em poucos anos, passamos da velha TV analógica para a digital, a alta definição e TV-3D. Agora chega a conexão pela internet, com acesso total a novos conteúdos e novas funções, transferência de fotos, vídeos, dados e imagens do computador para o televisor e novas formas de Vídeo sob Demanda (VoD) e de IPTV, como Apple TV e Google TV.

7) Telas nítidas até à luz do sol

Quantas vezes você tentou e não conseguiu identificar o que aparece na tela de seu celular, iPod ou iPad, quando está ao ar livre ou sob a luz do sol? Com as novas tecnologias de displays, teremos pelo menos três avanços nessa área: 1) o papel eletrônico, também chamado de tinta eletrônica (e-ink); 2) os displays refletivos IMOD, criados pioneiramente pela americana Qualcomm; e 3) OLED ou LED orgânico, que deverá dominar o mercado daqui a cinco anos.

O papel eletrônico já é utilizado no leitor eletrônico (e-book) Kindle, o primeiro a utilizar a tinta eletrônica, ainda monocromática. Seus novos modelos já utilizam a nova geração de telas em cores, com sensibilidade de touchscreen, conhecidas pelo nome de telas ou displays eletroforéticos. Os displays refletivos IMOD, que têm a marca comercial Mirasol, foram inspirados num fenômeno observado nas asas da borboleta. O OLED (abreviatura de Organic Light Emmitting Diode) também dispensa a luz de fundo ou backlight. A vantagem é a beleza das cores e o melhor contraste.

8) Um show de localização

Ao longo dos próximos cinco anos, os serviços de localização de pessoas deverão tornar-se um dos mais florescentes negócios, com a utilização conjunta dos recursos da telefonia celular e dos sistemas de navegação via satélite (como o GPS, de Global Positioning Satellite) e seu concorrente europeu, o Galileo. No jargão internacional, esses serviços são chamados de Location-based services (LBS).

O objetivo primordial da localização de pessoas não visa a nenhum tipo de violação de sua privacidade, mas oferecer alguma oportunidade de negócio ou de apoio, num ambiente de comércio móvel ou Mobile Commerce (M-comm). O segundo objetivo é o da segurança. Nossos filhos não mais se perderão nas ruas, desde que disponham de um celular ou de um chip minúsculo embutido em seus sapatos. A maioria dos smartphones de 2011 poderá dispor de aplicativos de LBS.

9) A guerra dos superchips

Há uma guerra entre os fabricantes dos chips mais sofisticados do mundo. Nunca a competição foi tão acirrada entre os maiores fabricantes dos chips de nova geração, os microprocessadores multinúcleos, entre as quais a Intel, AMD, Nvidia, ARM, Texas e Qualcomm. Nessa guerra, felizmente, o usuário tem sido o maior beneficiado porque passa a contar com laptops, tablets e celulares muito mais avançados. Os superchips que chegam ao mercado são muito menores e têm maior poder de processamento, tanto para dados quanto para gráficos.

Outra boa vantagem dos novos chips é a economia de energia, permitindo que a carga da bateria dos laptops possa durar até 10 horas ou mais. É o que ocorre nos laptops que utilizam, por exemplo, chips Fusion, da AMD, Tegra, da Nvidia, ou Core i5 e i7 (da Intel), entre outros. Os smartphones se tornam mais inteligentes e suas baterias passam a durar até 4 ou 5 dias, mesmo com uso intenso do telefone.

E já neste primeiro semestre, o chip Tegra 2-3D, um microprocessador para telefonia móvel, de quatro núcleos (quad-core mobile processor), será responsável pelas imagens 3D nos smartphones. Os videogames dos próximos cinco anos serão apaixonantes até para adultos. Graças aos superchips, eles adquirem imagens cada vez mais perfeitas, em HD e em 3D, e recursos tão inovadores quanto os que são proporcionados pelos sensores Kinect, no sistema Xbox 360 da Microsoft.

10) Clique e veja ou ouça. Em streaming

Stream ou streaming, em inglês, quer dizer corrente – como a água corrente de um rio. Por analogia, Gulf Stream é a corrente do Golfo, no Atlântico Norte, que corre dentro do oceano como um rio de água morna e ameniza o clima da Escandinávia.

Em televisão, tanto em TV aberta como na TV por assinatura e na IPTV (TV com protocolo IP), stream ou streaming é a recepção de um filme sob demanda (on demand), com proteção de conteúdo, isto é, sem que você possa gravar. Você só pode assistir. O que seu provedor de TV pedirá sempre é o seguinte: assista aos melhores filmes em sua TV, em stream, sem gravar, sem copiar e sem piratear.

Você poderá ver seus programas em dispositivos pessoais ou transferi-los em stream para seu televisor, na sala ao lado, do ou para seu iPad, seu tablet ou laptop, dentro de sua casa.