Balanço dos primeiros meses de Dilma comprova que imagem de boa gestora não passa de marketing

Uma análise dos pouco mais de três meses de governo Dilma Rousseff coloca por terra a imagem de imagem de boa gestora que o marketing palaciano tenta colar na presidente. Da volta da inflação à lentidão do PAC, passando pela falta de remédios para o tratamento da aids e pela leniência com a situação dos …

15/04/2011 10:28



Uma análise dos pouco mais de três meses de governo Dilma Rousseff coloca por terra a imagem de imagem de boa gestora que o marketing palaciano tenta colar na presidente. Da volta da inflação à lentidão do PAC, passando pela falta de remédios para o tratamento da aids e pela leniência com a situação dos aeroportos, o que se vê são exemplos de descaso, incompetência, má gestão, falta de ética e de rumo. Na cronologia abaixo, que será divulgada neste blog em quatro partes (dias 14, 15, 18 e 19), o leitor poderá comprovar como a realidade se mostra bem diferente da propaganda oficial. Veja fatos que marcaram o primeiro mês do ano:

Janeiro

Nomeação suspeita: no começo do mandato, em 4 de janeiro, a presidente Dilma Rousseff nomeou o novo diretor nacional dos Correios, Larry Manoel Medeiros. O dirigente foi investigado e condenado pelo Tribunal de Contas da União por irregularidades em licitações na direção regional da estatal no Rio Grande do Sul. A nomeação desmentiu declaração do então recém-nomeado ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Ele prometeu moralizar a empresa, pivô de escândalos e corrupção durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Restos a pagar: levantamento da ONG “Contas Abertas” revelou estoque de restos a pagar acumulado de R$ 137,5 bilhões no Orçamento Geral da União. O Contas Abertas apontou que o valor representava o dobro de tudo o que o governo pretendia gastar com investimentos neste ano – R$ 64 bilhões – ou mais que o triplo do previsto para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – R$ 40 bilhões.

Descaso com prevenção de desastres: os recursos federais destinados ao programa de “prevenção e preparação de desastres” no país caíram 18% no Orçamento de 2011, apesar do crescente número de desastres, revelou o Contas Abertas no dia 6. A previsão inicial de gastos em 2010 era de R$ 168 milhões. Já no orçamento de 2011, foram destinados R$ 137,5 milhões para ações que visam reduzir ou evitar perdas e danos provocados por desastres. Após a revelação dos dados,a região Serrana do Rio amargou vasta destruição provocada por chuvas. Dilma só tomou medidas com o anúncio da tragédia, ao anunciar o lançamento do Sistema Nacional de Alerta e Prevenção de Desastres Naturais. Mesmo assim, a expectativa é entregar o mecanismo só em 2014.

Ministério de malfeitorias: a presidente Dilma deu continuidade às nomeações de envolvidos com irregularidades na administração pública, seguindo o critério já adotado pelo ex-presidente Lula. A revista “Época” levou à tona denúncia de desvio de recursos públicos envolvendo o secretário-executivo do Ministério do Turismo, Frederico Silva da Costa.

Retorno da inflação: controlada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a inflação retornou ao centro da discussão no começo da nova gestão petista. A presidente Dilma ainda não sinalizou a adoção de medidas para combater esse fantasma da economia. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o ano passado com alta de 5,91%, maior variação anual desde 2004, quando o índice subiu 7,6%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A inflação foi puxada pelo aumento nos preços dos alimentos, que ficaram 10,39% mais caros. O problema continuou na segunda quinzena de janeiro e nos meses seguintes.

Mera carta de intenções: na contramão dos discursos oficiais, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) se mostra insuficiente para suprir as deficiências de infraestrutura do Brasil, afirma o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao próprio governo. Além disso, segundo “O Estado de S. Paulo”, cerca de 60 obras do PAC serão inauguradas apenas em 2011, em setores como transportes, saneamento, energia elétrica e óleo e gás. A maioria deveria ter sido concluída até dezembro passado.

Aumentam gastos com cartões corporativos: dados levantados pelo Portal da Transparência revelam que os gastos com cartões cresceram 28,8% entre 2008 e 2010. No período, as despesas passaram de R$ 55,2 milhões para R$ 71,1 milhões. Somente em 2009, foram gastos R$ 64,5 milhões. Nesse período, Dilma era considerada braço-direito do ex-presidente Lula. A Presidência da República gastou R$ 15,9 milhões.

Desperdício com aluguéis: o jornal “Folha de S.Paulo” revelou desperdício de recurso público em contrato do Ministério da Cultura com aluguel de oito andares de um prédio em Brasília. O Ministério pagou R$ 1,4 milhão, mas ocupava há seis meses só três andares do edifício. O órgão informou que o valor do aluguel é de R$ 196 mil mensais por andar, e o total chega a R$ 9,4 milhões. Em março, novas informações relacionadas ao assunto vieram à tona.

Reformas ficam na promessa: no dia 17, a presidente Dilma abandonou o discurso das reformas fundamentais para o Brasil, como a tributária, a política e a previdenciária. Apesar de defendê-las durante a campanha, a petista afirma a interlocutores que “não vale a pena investir” em mudanças “que impliquem custo político e consumo de energia monstruosa neste início de mandato”. Dilma ainda não liderou nenhuma reforma.

Enem replica problemas: ainda em janeiro, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) repetiu as falhas detectadas já no governo Lula, mostrando a dificuldade da administração petista em sanar os problemas da ação. Impressão errada de provas, dificuldades dos alunos para acessar as notas da avaliação e o vazamento de dados sigilosos mostram a sequência de erros de gerenciamento do novo governo, no qual o ministro Fernando Haddad continuou dando as cartas.

Saúde na UTI: a “Folha de S.Paulo” levou à luz denúncia de desvios de R$ 500 milhões da Fundação Nacional da Saúde (Funasa). Auditorias da Controladoria Geral da União, nos últimos quatro anos, revelam que o dinheiro teria sumido entre convênios irregulares, contratações viciadas e repasses a estados e prefeituras sem prestação de contas. Mesmo assim, ao invés de combater a corrupção, o Planalto insiste na criação de novos tributos para financiar a Saúde.

Arapongagem: a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) se preparava para monitorar as chamadas telefônicas fixas e móveis, revelou a “Folha de S.Paulo” no dia 19. O órgão deverá ter acesso total a documentos com números chamados e recebidos, datas, horários e duração das ligações. O PSDB entrou com ação na Procuradoria-Geral da República pedindo investigação sobre a possibilidade de a Anatel ter acesso aos dados.

Juros em alta: Na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) presidida por Alexandre Tombini, o Banco Central aumentou a taxa básica de juros em 0,5 ponto, passando de 10,75% ao ano para 11,25%. O Brasil tem um dos maiores juros do mundo. Após pacote do governo para conter o crédito, o juro médio no sistema financeiro subiu de 35% ao ano no fim de 2010 para 38% em 12 de janeiro, o mais alto desde abril de 2009. O encarecimento do crédito foi gerado no mês passado, quando o Planalto mudou algumas regras e passou a exigir que bancos mantenham maior volume de recursos retidos no BC, o chamado depósito compulsório.

Revenda de imóveis: “O Estado de S. Paulo” revelou a revenda de imóveis do programa “Minha Casa, Minha Vida”, bandeira da campanha de Dilma Ruosseff. Segundo a reportagem, a prática foi detectada em Feira de Santana (BA). Levantamento da Caixa Econômica concluiu que pelo menos 40 dos 440 apartamentos foram repassados a terceiros.

Discurso desafinado: Dilma não consegue se entender com ministros sobre cortes no Orçamento. A presidente desautorizou, em 27, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e negou a possibilidade de cortes no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) pouco depois. O corte revelaria que a ministra estava certa. O contingenciamento afetou programas de investimentos.

Belo Monte de incertezas: a construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu (PA), tem enfrentado uma série de ações judiciais, por causa dos atropelos do governo ao conceder a licença que permite o início do projeto de construção da hidrelétrica. O Ministério Público Federal no Pará entrou com uma ação civil pública na Justiça Federal pedindo o cancelamento da permissão concedida pelo Ibama.

fonte:Jornal Stylo