Líbia pode ter eleição após um cessar-fogo; Paris e Londres enviam tropas

O chanceler líbio, Abdul Ati al Obeidi, disse nesta quarta-feira que o país poderia ter eleições –incluindo um referendo sobre o futuro do ditador Muammar Gaddafi– até seis meses depois de um cessar-fogo com a Otan. Em Paris, o presidente Nicolas Sarkozy anunciou que a França enviará tropas terrestres à Líbia para aconselhar os rebeldes. …

20/04/2011 10:58



O chanceler líbio, Abdul Ati al Obeidi, disse nesta quarta-feira que o país poderia ter eleições –incluindo um referendo sobre o futuro do ditador Muammar Gaddafi– até seis meses depois de um cessar-fogo com a Otan. Em Paris, o presidente Nicolas Sarkozy anunciou que a França enviará tropas terrestres à Líbia para aconselhar os rebeldes.

“Caso os bombardeios fossem interrompidos, após seis meses poderia haver uma eleição supervisionada pela ONU [Organização das Nações Unidas]”, disse o chanceler à emissora BBC.

Ainda durante a entrevista, Al Obeidi disse que as eleições poderiam incluir referendos sobre qualquer assunto relevante para os líbios, até mesmo o futuro político de Gaddafi.

Os desdobramentos da manhã desta quarta chegam um dia após o Reino Unido também ter anunciado que deve enviar cerca de 20 militares à cidade de Benghazi, reduto dos rebeldes no leste da Líbia.

A medida foi criticada pelo chanceler líbio.

François Baroin, porta-voz do governo francês, disse que, assim como Londres, Paris deve enviar um “pequeno número” de oficiais para servirem de conselheiros e prover treinamento aos rebeldes.

“Será um pequeno número de oficiais de ligação, algumas unidades, junto ao Conselho Nacional de Transição (CNT) para efetuar uma missão com o propósito de organizar a proteção da população civil”, afirmou.

De acordo com Baroin, serão menos de dez oficiais de ligação.

A decisão chega após uma reunião na manhã desta quarta-feira em Paris, entre Sarkozy e Mustafa Abdel Jalil, chefe dos rebeldes.

O presidente francês, que foi o primeiro líder ocidental a reconhecer o CNT, se encontrou pela primeira vez com Jalil, ex-ministro da Justiça de Gaddafi.

Nuri Abdala Abdulati, porta-voz dos rebeldes em Misrata, pediu ontem (19) o envio de tropas de assalto internacionais para defender a cidade contra Gaddafi.

Misrata está sitiada há dois meses pelas tropas governistas e é alvo diariamente de franco-atiradores, mísseis e bombas de fragmentação banidas em 108 países.

Ao menos 20 crianças foram mortas durante os combates na cidade, disse na terça-feira o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

“[Após] cinquenta dias de combates em Misrata e o panorama geral do número de crianças mortas está aparecendo –muito pior do que havíamos temido e certamente irá piorar, a menos que haja um cessar-fogo”, disse a porta-voz da Unicef, Marixie Mercado.

CRÍTICAS

O chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, disse que os bombardeios aéreos da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) fazem com que os rebeldes se recusem a iniciar uma negociação com o regime de Gaddafi.

Ele criticou ainda as últimas medidas anunciadas pelas potências ocidentais, ao afirmar que a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, que aprovou a zona de exclusão aérea sobre a Líbia e o uso de medidas para proteger os civis, “nunca incluiu ações para derrubar o regime”.

O envio de soldados britânicos ao país também foi criticado ontem (19) pelo vice-chanceler de Gaddafi, Khaled Kayim, que acusou as potências de estarem extrapolando a resolução da ONU –que autoriza o uso da força só para proteção de civis.

O almirante Giampaolo Di Paola, presidente do comitê militar da Otan, admitiu ontem que os bombardeios aéreos não são suficientes para acabar com o arsenal de Gaddafi -embora tenham causado “um dano altamente significativo”.

UNIÃO EUROPEIA

Apesar da resistência em relação a uma invasão em larga escala, a União Europeia propôs ontem o envio de uma força militar de até mil homens para proteger ações humanitárias na cidade.

A ação implicaria em combates diretos contra forças leais ao regime.

Por isso, o início da operação “Eufor Líbia” (Força Europeia na Líbia) está condicionado à
aprovação das Nações Unidas.

“Se a autorização chegar, rapidamente reuniremos pessoal e equipamentos entre nossos países-membros”, disse à Folha Michael Mann, porta-voz da alta representante do Conselho de Relações Internacionais do bloco, Catherine Ashton.

fonte:UOL