Incidência de câncer de testículos dobrou nos últimos 40 anos em homens brancos

O câncer de testículos que acomete o personagem André, encenado pelo ator Lázaro Ramos na novela Insensato Coração, é uma doença infreqüente, mas grave, que representa cinco por cento dos casos dos cânceres em homens e afeta cerca de oito mil homens anualmente, sendo sua incidência de três a cinco casos para cada grupo de …

16/08/2011 12:01



O câncer de testículos que acomete o personagem André, encenado pelo ator Lázaro Ramos na novela Insensato Coração, é uma doença infreqüente, mas grave, que representa cinco por cento dos casos dos cânceres em homens e afeta cerca de oito mil homens anualmente, sendo sua incidência de três a cinco casos para cada grupo de 100 mil indivíduos, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Se comparado com o câncer de próstata, por exemplo, a mortalidade é pequena. Porém, é uma doença maligna, agressiva pelas características incomuns de alta velocidade de duplicação celular, que se detectada tardiamente, pode levar ao óbito. Ao contrário de outros cânceres masculinos, em que a prevalência ocorre em indivíduos acima de 60 anos, esse tipo afeta jovens em idade produtiva.

Apesar de estar sendo apresentado na novela por meio de um homem negro, o tumor é cerca de cinco vezes mais comum entre homens brancos, segundo estimativas. Segundo o urologista do Hospital 9 de Julho, Dr. Paulo Rodrigues, apesar de maior incidência em indivíduos brancos, homens de qualquer raça, com idade entre 20 a 40 anos são os mais frequentemente acometidos e devem ser estimulados e conscientizados a fazer um diagnóstico precoce, por meio do autoexame. “É possível reconhecer na palpação testicular a presença de algum nódulo duro, geralmente indolor, em estágios não avançados. O autoexame deve ser estimulado, sendo facilmente realizado no banho”, avalia.

O médico explica que essa é a principal forma de reconhecer a doença e aumentar em mais de 98% as chances de cura. Além disso, este tipo de câncer possui marcadores tumorais que permitem confirmar a suspeita e partir para o tratamento cirúrgico extirpativo. são eles alfa-feto proteína e beta-HCG e DHL, que auxiliam o diagnóstico e acompanhamento da doença Ademais, os exames de sangue, têm valor prognóstico quanto á necessidade de quimioterapia e radioterapia adicionais á cirurgia. “O homem precisa estar alerta ao aumento ou diminuição no tamanho dos testículos, dor no abdômen inferior ou sangue na urina e ir ao médico”, adverte.

De acordo com o Dr. Rodrigues, a melhor forma de prevenir e tratar o problema no estágio inicial é manter visitas periódicas ao urologista. “Os nódulos reconhecidos por meio de palpação podem ser inflamações do órgão, como as orquiepididimites, geralmente transmitidas sexualmente, ou cistos benignos, entre outras. Por isso, visitar um especialista periodicamente é indispensável”, explica. Os principais fatores de risco são o histórico familiar, lesões e traumas na bolsa escrotal, além do retardo ou ausência de descida dos testículos na bolsa escrotal ao nascimento, chamada criptorquidia.

Após a descoberta do nódulo e realizado o exame sanguíneo, é feito um procedimento cirúrgico para biópsia e, caso haja presença do câncer, é retirado o testículo. “Os problemas de função sexual e fertilidade são pequenos ou ausentes, caso o outro testículo funcione normalmente. Porém, diminui a produção de espermatozóides”, ressalta o médico. É importante que o paciente tenha um acompanhamento rigoroso por dez anos, período em que pode haver recidiva.

Como fazer o autoexame
Primeiro o homem deve estar atento à importância do autoexame e realizá-lo mensalmente, no mínimo. O procedimento pode ser feito durante ou após o banho, momento no qual os órgãos estão relaxados.

– Fique em pé e examine cada testículo com as mãos, colocando o polegar acima e os outros dedos abaixo;
– Apalpe delicadamente, sentindo nódulos, inchaços ou outras mudanças;
– Repita o procedimento no outro testículo.

Fonte:RMA