Em meio à ‘agenda negativa’, governo quer segurar reforma ministerial para o início de 2012

20/09/2011 13:02



A presidente Dilma Rousseff quer segurar novas mudanças no primeiro escalão do governo até a reforma ministerial prevista para o início de 2012. No Palácio do Planalto, há consenso de que a queda sucessiva de ministros em poucos meses começa a criar desgaste na imagem do governo, gera uma paralisia em vários órgãos e pastas atingidas e deixa a própria Dilma aprisionada numa agenda negativa.

Segundo auxiliares diretos da presidente, ela já havia decidido interromper o processo de faxina antes da queda do ex-ministro do Turismo Pedro Novais. Mas diante das denúncias de uso irregular de servidores da Câmara dos Deputados pelo ex-colaborador, Dilma foi forçada a fazer mais uma substituição na sua equipe.

Avaliação no núcleo do governo é de que apesar de ganhar apoio da população com as sucessivas mudanças, há problemas práticos que já começam a incomodar Dilma. Isso porque a cada troca de ministro, ocorre também uma mudança completa na equipe, o que gera uma diminuição significativa no ritmo e nas ações do governo.

De acordo com um ministro, a mudança em uma pasta significa paralisia de pelo menos quatro meses no andamento das ações do ministério, o que pode prejudicar a imagem de gestora da presidente Dilma. Outro problema identificado no Palácio do Planalto é que, em última instância, foi a própria Dilma que escolheu a sua equipe. Ela já começa a ser atacada pela oposição por ter cedido às pressões dos partidos aliados e do próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para montar sua primeira equipe.

Segundo interlocutores de Dilma, a presidente pretende ainda fazer uma mudança significativa no início do ano, mesmo depois das cinco baixas de ministros e mais uma mudança no primeiro escalão, com o deslocamento do ministro Luiz Sérgio para a pasta da Pesca. Segundo esse interlocutor, a presidente pretende fazer um ministério com a sua imagem.

– A primeira equipe foi uma herança de Lula e uma imposição dos partidos. Dilma teve que aceitar vários ministros. Recebeu um prato feito. Agora será diferente. Ela vai montar uma equipe à sua imagem e semelhança – explicou esse interlocutor com trânsito livre no Palácio do Planalto.

A presidente Dilma vai aproveitar o pretexto do prazo de desincompatibilização eleitoral para mudar não só os ministros que devem sair para disputar a eleição municipal, como Fernando Haddad, da Educação, mas também os que são problemáticos: ou por denúncias de irregularidade, ou por desempenho sofrível. Dilma quer montar uma equipe mais eficiente e afinada, explica um colaborador próximo.

Negromonte e Lupo em situação delicada

O nome do ex-ministro Pedro Novais era dado como certo numa reforma ministerial, antes de cair na semana passada. Na mesma situação, está o ministro das Cidades, Mário Negromonte, que perdeu a sustentação da bancada do PP na Câmara. Outro ministro em situação delicada é o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, quem tem sido criticado pela bancada do PDT e tem forte resistência de setores do PT próximos a CUT.

Na reforma ministerial, Dilma ainda poderá tentar fazer uma mudança no Ministério dos Esportes e finalmente indicar a deputada Luciana Santos (PC do B-PE) no lugar do ministro Orlando Silva. Também está em situação delicada a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, que tem sofrido ataques do PT.

Ao mesmo tempo, alguns ministros já demonstram de forma reservada desconforto em permanecer na equipe de Dilma, o que pode ampliar ainda mais a reforma ministerial. Ela também deve aproveitar a mudança no primeiro escalão para finalmente criar o Ministério da Micro e Pequena Empresa e com isso levar para sua equipe Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza.

Outra mudança cogitada por Dilma é trocar os feudos ministeriais dos partidos. Dilma já teria dito que foi um erro manter as mesmas legendas no comando das mesmas pastas. A única mudança foi com o PSB, que deixou o Ministério da Ciência e Tecnologia para assumir a pasta da Integração Nacional. Nessa reforma prevista para ocorrer entre janeiro e fevereiro, Dilma deve fazer a “dança das cadeiras” entre os partidos.

Fonte:Br





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