Setor sucroalcooleiro em crise com açúcar e etanol

As primeiras tímidas previsões para a safra de cana no Centro Sul para 2012/2013 apontam para números que vão desde a manutenção do volume da safra corrente (em torno de 490 milhões de toneladas) até mais otimistas (560 milhões de toneladas) – muitos desses últimos no esteio de que o crescimento nos tratos culturais dos …

17/11/2011 13:05



As primeiras tímidas previsões para a safra de cana no Centro Sul para 2012/2013 apontam para números que vão desde a manutenção do volume da safra corrente (em torno de 490 milhões de toneladas) até mais otimistas (560 milhões de toneladas) – muitos desses últimos no esteio de que o crescimento nos tratos culturais dos canaviais este ano, da ordem de 15%, vai se refletir numa safra maior.

De acordo com Arnaldo Corrêa, gestor de riscos e diretor da Archer Consulting, ainda é cedo para essas estimativas de altos e baixos do segmento. “De qualquer forma, o número com o qual o mercado trabalha está entre 520 e 540 milhões de toneladas, em princípio”, revela.

O açúcar está entre as commodities agrícolas com pior desempenho este ano, com uma queda de 16%, juntamente com desempenhos ruins de algodão, com 31,4% e farelo de soja, com 16,9% de queda. Trigo, soja e cacau também seguem com quedas próximas de 12%. Na outra ponta da balança estão milho, com alta de 13,2%; café com 12,7% e o suco de laranja com 8,3%.

Nos últimos três anos, a média anual de crescimento do consumo de combustíveis no Brasil foi de 7,39%. Nos últimos doze meses, cresceu 3,83% – quase 1,7 bilhão de litros no total, divididos num aumento de 3,6 bilhões de litros de gasolina A (pura, sem anidro) e diminuição do etanol em 1,9 bilhão de litros. Devemos encerrar 2011 com um consumo total de combustível de 46,2 bilhões de litros, acréscimo de apenas 2,86% em relação à 2010.

Segundo estudos da Archer Consulting – empresa de gestão de riscos especializada em commodities agrícolas e forte atuação no sucroenergético -, se assumíssemos um factível cenário que combinasse a mistura de anidro na gasolina em 18%, o crescimento da venda de veículos leves em 2% ao ano e a escolha por etanol por parte dos proprietários de carros flex e, conservadoramente, 55%, o Brasil chegaria à safra 2019/2020 com uma necessidade de moagem beirando 900 milhões de toneladas. “Para alcançar esse patamar, o setor precisaria alocar investimentos de US$ 45 bilhões na construção de pelo menos 40 usinas em oito anos”, conclui Arnaldo.

Fonte:POrtaldoagronegocio