Quais países seriam mais impactados por uma guerra no Irã?

Nessa semana China, França, Alemanha, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos anunciaram que vão voltar a conversas com o Irã sobre seu programa nuclear.  A última negociação aconteceu em janeiro de 2011 – e fracassou. Enquanto as conversas não recomeçam, é possível traçar alguns cenários, que podem ser preocupantes para os países que dependem do petróleo …

12/03/2012 09:04



Nessa semana China, França, Alemanha, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos anunciaram que vão voltar a conversas com o Irã sobre seu programa nuclear.  A última negociação aconteceu em janeiro de 2011 – e fracassou. Enquanto as conversas não recomeçam, é possível traçar alguns cenários, que podem ser preocupantes para os países que dependem do petróleo iraniano.

Para o cientista político Heni Ozi Cukier, professor de Relações Internacionais da ESPM, haveria incialmente três cenários possíveis para a situação do Irã: a negociação diplomática, a aceitação da construção da bomba pelo país ou o ataque ao país.

Para Cukier, o caminho diplomático não tem mostrado muita força, deixando apenas dois outros caminhos possíveis. “É uma negociação antiga, não existe confiança entre os envolvidos, e o que oferecem para o Irã é muito intangível comparado a ter a bomba”, disse Cukier.

Israel já insinuou sua intenção de atacar os alvos nucleares no Irã. Os Estados Unidos e a Europa têm optado pelo caminho diplomático. Nessa semana, o presidente norte-americano, Barack Obama, encontrou-se com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e ressaltou que os EUA sempre apoiarão Israel no que se refere à segurança. Em discurso realizado na terça-feira, o presidente manteve a postura contrária ao conflito armado.

“As sanções vão ficar ainda mais duras nos próximos meses, porque vão afetar as exportações e o banco central”, afirmou Barack Obama em discurso na última terça-feira. Em julho entrará em vigor o embargo ao petróleo do país, proposto pela União Europeia e destinado a golpear economicamente o Irã. Caso a China pare de comprar petróleo do Irã, o país perderá (ou terá que mudar o destino) cerca de 22% de suas exportações do produto. “Se (os países que aderiram ás sanções) não incluirem China, Japão, índia, Turquia…, não tem impacto”, afirmou Cukier.

Uma guerra na região, ou a paralisação das exportações do Irã, por sua vez, afetaria bastante países que ainda não estão no embargo, como Turquia (que tem cerca de 30% de suas importações de petróleo vindas do Irã, segundo dados da consultoria Insight Geopolítico) e África do Sul (com 25%) e ainda chutaria cachorro morto, já que cerca de 22% do petróleo importado pela Grécia vem do Irã. Itália, Espanha, Índia, Coréia do Sul e China também tem pelo menos 10% de suas importações de petróleo vindas do país.

Quer pagar quanto?

Os conflitos na região também podem impactar os preços do petróleo no mundo – e afetar todos os países que consomem petróleo. Segundo um relatório dessa semana do estrategista de commodities do UBS, Julius Walker, há quatro cenários possíveis, diante das sanções ao Irã que serão implementadas nos próximos meses e de suas possíveis repercussões. De acordo com diferentes variáveis, os preços de petróleo brent poderiam variar entre 130 dólares o barril e 270 dólares o barril – o preço base atual é de 105 dólares o barril.

O relatório leva em consideração outros choques do petróleo da região e os cenários previstos vão desde a total implementação do embargo da União Europeia às importações iranianas até a total paralisação das importações do Irã por causa de mudanças no regime ou intervenções militares.

O cenário mais temido, segundo o relatório, seria o fechamento do estreito de Ormuz – por onde passa cerca de 20% do suprimento de petróleo do mundo. O maior produtor e exportador de petróleo no Mundo, a Arábia Saudita, utiliza o estreito, por exemplo. Para esse cenário, a previsão de Walker do preço do petróleo brent ficaria entre 220 dólares o barril e 270 dólares o barril, mais que o dobro do patamar atual.

O relatório aponta, contudo, que medidas paliativas podem ser tomadas para contornar as dificuldades. “Até no cenário mais temido, do fechamento do estreito de Ormuz, pensamos que exportações alternativas e os estoques da IEA (Agência Internacional de Energia) poderiam servir para contrabalancear até que as ações diplomáticas e militares liberassem as rotas de exportação”, diz o documento.

Fonte:Exame