Pecuária – Reposição tem leve queda em Mato Grosso

26/07/2015 00:26

Essa situação começou a mudar no início deste mês. Nos últimos 30 dias, os preços da arroba do boi à vista recuaram 2,14%, em média. Também baixou a cotação dos animais para reposição, com oscilações negativas de 0,65% a 1,41%, pela mesma base de comparação.

Estatísticos do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam que o preço médio da arroba do boi caiu de R$ 134,82 para R$ 132,02, desde o início de junho. Neste mesmo intervalo, a média de preços do bezerro nelore de 8 meses com 165 quilos passou de R$ 1,180 mil para R$ 1,164 mil. Com essa idade, o bezerro nelore atinge atualmente o valor máximo de R$ 1,4 mil no Estado. Os animais machos com 12 meses e 210 quilos são negociados ao valor médio de R$ 1,327 mil, ante R$ 1,342 mil no início de junho, redução de 1,11%.

No município de Cáceres, no noroeste mato-grossense e onde está concentrado o maior rebanho bovino municipal do Estado – aproximadamente 1 milhão de cabeças -, os pecuaristas passaram a vender o gado a preços menores há 15 dias, diz o presidente do Sindicato Rural, Márcio Paes da Silva de Lacerda. “É a tendência no Estado. Os planos econômicos do governo, a dificuldade no acesso ao crédito, essa instabilidade no abate e redução no consumo contribuem para essa situação”. No município, 1 frigorífico foi fechado há 4 anos e os pecuaristas passaram a enviar o gado para ser abatido em Cuiabá e Pontes e Lacerda.

Em Juara, no norte mato-grossense, os pecuaristas também vendem os animais a preços menores há 15 dias, confirma o vice-presidente do Sindicato Rural, Carlos Sirena. No município, a arroba do boi gordo alcançava R$ 138 e agora está cotada a R$ 130, com queda de 5,79%. O preço do bezerro de 9 meses, cotado na média de R$ 1,4 mil a R$ 1,3 mil, baixou para R$ 1,2 mil. O município detém o 2º maior rebanho municipal de Mato Grosso, com 925 mil cabeças. Sirena lembra que ao reduzir a cotação do boi gordo, o preço do gado de reposição diminui automaticamente. “O cálculo do pecuarista é mais ou menos esse: para cada boi gordo que vende, coloca 2,3 bezerros no lugar. Mas, com a baixa no preço do gado para abate, o poder de compra diminui e ele (pecuarista) não procura esse bezerro para reposição, então vem a baixa no preço”.

Conforme ele, a recessão econômica no Brasil e o menor crescimento econômico de países importadores de carne bovina reduziu o consumo interno e internacional. Outro ponto elencado por ele é o período de estiagem em Mato Grosso, quando os pecuaristas reduzem o número de bovinos no pasto e, consequentemente, disponibilizam mais animais para o abate. No Estado, o rebanho está estimado em 28,5 milhões de cabeças.

Abates – De acordo com os dados do Imea, nos últimos 30 dias a escala de abates nas indústrias frigoríficas aumentou 7%, com média atual de 5,6 dias, ante 5,2 dias na 2ª semana de junho, apesar do fechamento de 7 frigoríficos nos últimos 4 meses. As unidades paralisadas em 2015 estão localizadas em São José dos Quatro Marcos (1), Cuiabá (1), Sinop (1), Rondonópolis (2), Mirassol D’Oeste (1) e Matupá (1). Este último, pertencente ao grupo JBS/Friboi, teve o encerramento das atividades confirmado na terça-feira (14). Da multinacional, 3 unidades tiveram as atividades suspensas este ano. Elas funcionavam em São José dos Quatro Marcos, Cuiabá e Matupá. No total, 20 indústrias frigoríficas estão com os abates de bovinos interrompidos em Mato Grosso. Dos 26 frigoríficos aptos à exportação em Mato Grosso e que continuam em operação, 11 são administradas pela multinacional JBS S/A.

O vice-presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo), Paulo Bellincanta afirma que o setor tenta reduzir custos e diminuir a ociosidade das indústrias com a suspensão das atividades em alguns municípios. O principal motivo para a paralisação das indústrias é a diminuição do rebanho disponível para abate em 2015. A queda, confirmada pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), deve ser revertida a partir de 2017.

“A realidade é que nós tínhamos indústrias trabalhando com prejuízo, bancando uma situação de oferta muito aquém da capacidade de abate”, observa Bellincanta. Para ele, essa situação “inflacionou” os preços do gado em Mato Grosso e no restante do país. “O rebanho nacional encolheu e alguns estados sentiram essa defasagem mais fortemente, como é o caso de Mato Grosso”. Bellincanta diz que houve um acréscimo artificial nos preços e agora está havendo uma correção dessa distorção. Para ele, com menos indústrias disputando a matéria-prima e com a diminuição da capacidade ociosa, o mercado ficará mais equilibrado. “Os agentes envolvidos no processo passam a trabalhar com alguma margem dentro do que o mercado determina”.

O superintendente da Acrimat, Olmir Cividini, relembra que a crise sobre a atividade pecuária em 2010 impulsionou o abate de matrizes e isso reduziu a disponibilidade de animais para engorda e abate. Ele diz que o aumento de indústrias frigoríficas paralisadas no Estado preocupa os produtores, mas não é possível mensurar ainda o impacto desse processo nos preços pagos aos pecuaristas. “Não sabemos se essa diminuição nos preços é motivada pelo fechamento das indústrias. É preciso checar como está a demanda”.

Em Mato Grosso do Sul, os preços da arroba do boi e da vaca voltaram a cair na última semana, com cotações médias de R$ 136,56 e R$ 127,55, respectivamente. Para o analista do Departamento de Economia da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Luiz Eliezer, vários fatores estão pressionando as cotações. “Primeiro há uma escassez de oferta de animais terminados para o abate visto que os frigoríficos estão trabalhando com aproximadamente 39% de capacidade ociosa. Este problema afeta pequenos, médios e grandes frigoríficos, uma capacidade ociosa maior implica em aumento de custos, no Estado são 9 unidades paralisadas”. O Estado mantém o 2º maior rebanho bovino do país, superado apenas por Mato Grosso. “Outro fator para a redução do preço da arroba do boi é a chegada do inverno que melhora a oferta de animais terminados para o abate, visto que o pasto começa a secar e o animal a perder peso”. Para ele, o cenário para o 2º semestre não é animador, não há perspectiva de melhora dos indicadores macroeconômicos, e o consumo deverá continuar retraído. “O que poderá amenizar as dificuldades do setor e impulsionar o mercado é a expectativa de vendas para a China e Estados Unidos que recentemente habilitaram unidades industriais brasileiras a exportar. Já em relação à oferta de animais terminados para o abate a expectativa é que somente em 2016 este cenário comece melhorar”.

Atacado e varejo- Quanto ao volume de abates, o vice-presidente do Sindifrigo/MT diz que a concentração em menos unidades, mas com uma escala mais alta, permitirá manter a oferta da carne no atacado e no varejo e a preços menores. Segundo Bellincanta, algumas indústrias frigoríficas repassaram a carne com redução de 5% nas últimas duas semanas. Esse barateamento também é consequência da diminuição do consumo, confirma ele. “A economia está muito debilitada, o desemprego aumentou e isso influencia no poder de compra da população”.

Varejistas de Cuiabá afirmam ter notado queda no consumo dos cortes de primeira, mas crescimento na procura pelos cortes menos nobres. “Isso começou há uns 2 meses, antes o cliente precisava deixar encomendado, com antecedência de 2 dias os cortes como picanha e alcatra, mas agora está sobrando”, diz o proprietário de um açougue na Capital. Ele acrescenta que no varejo, o preço vem recuando muito pouco nos últimos 20 dias.

Ainda conforme o levantamento de preços do Imea, houve recuo nos preços da carne bovina no atacado estadual para os cortes de ponta de agulha (-0,22%) e carcaça casada (-0,075%), nos últimos 30 dias. No varejo, o preço médio acumula alta mensal de 1,12%, apesar da redução na cotação de 6 cortes dos 16 pesquisados pela entidade. As maiores variações no período são registradas nos preços da costela (-6,04%) e cupim (-2,98%).

Fonte.: A Gazeta

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