Recessão Técnica – PIB acumula retração de 2,28% nos últimos 12 meses

16/10/2015 14:21

A economia brasileira teve nova contração em agosto, segundo indicou o Banco Central nesta sexta-feira (16). O chamado Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), calculado pelo BC e que busca ser uma espécie de “prévia” do Produto Interno Bruto, registrou contração de 0,76% no mês retrasado.

Neste ano, somente os meses de fevereiro (+0,57%) e maio (+0,03%) não tiveram contração mensal do nível de atividade, de acordo com os números revisados do Banco Central.

A queda do nível de atividade já era esperada para agosto, uma vez que indicadores mensais já apontavam para um cenário ruim. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial teve, em agosto, queda de 1,2%, a maior para o mês desde 2011, ao mesmo tempo em que o volume do setor de serviços recuou 3,5% – no que foi o pior agosto da série da pesquisa, iniciada em janeiro 2012. Já as vendas no varejo recuaram 0,9%, a maior queda para meses de agosto desde 2000.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

Os economistas do mercado financeiro acreditam que o PIB terá retração de 2,97% neste ano. Se confirmada, será a maior contração em 25 anos – desde 1990, quando foi registrada uma queda de 4,35%.

Segundo dados oficiais, a economia brasileira está atualmente em recessão técnica – que se caracteriza por dois trimestres consecutivos de queda do PIB.

Acumulado do ano e em 12 meses

Os números do Banco Central mostram que, de janeiro a agosto deste ano, o indicador sem ajuste sazonal (pois considera períodos iguais de tempo) mostrou queda de 2,99% na atividade. E, no acumulado em 12 meses até agosto, o indicador (dessazonalizado) do Banco Central registrou contração de 2,28%.

Resultados do IBC-Br x PIB

O IBC-Br foi criado para tentar ser um “antecedente” do PIB. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos. Os últimos resultados do IBC-Br, porém, nem sempre têm mostrado proximidade com os dados oficiais do PIB, divulgados pelo IBGE.

Em 2012, por exemplo, o IBC-Br mostrou um crescimento de 1,6%. Posteriormente, o resultado oficial do PIB mostrou uma alta menor, de 1%. Em 2013, o BC acertou. Previu uma alta de 2,5%, que foi depois confirmada com a revisão feita pelo IBGE. Em 2014, o BC estimava uma retração de 0,15% no PIB, mas os dados oficiais mostraram uma alta de 0,1% no ano passado.

O Banco Central já informou, em 2013, que o IBC-Br não seria uma medida do PIB, mesmo que tenha sido criado para tentar antecipar o resultado, mas apenas “um indicador útil” para o BC e para o setor privado.

Definição dos juros

O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros (Selic) do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária. Atualmente, os juros básicos estão em 14,25% ao ano, o maior nível em 9 anos.

Pelo sistema de metas de inflação que vigora no Brasil, o BC precisa ajustar os juros para atingir as metas preestabelecidas. Quanto maiores as taxas, menos pessoas e empresas dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços baixem ou fiquem estáveis.

Para 2015 e 2016, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Desse modo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país e medida pelo IBGE, pode ficar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida.

Neste ano, tanto o mercado financeiro quanto o Banco Central acreditam que inflação oficial ficará acima do teto de 6,5% do sistema de metas. Para os analistas dos bancos, a inflação somará 9,7% em 2015. O Banco Central projeta um IPCA de 9,5% para este ano e tem dito que trabalha para trazer a inflação para o centro da meta, de 4,5%, em 2016.

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