Impeachment – Dilma mais perto do fim

Mercado segue acompanhando Temer e vê Dilma mais perto do fim. Renúncia pode ocorrer até sexta-feira, diz O Globo. Banco Central amplia leilão de swaps. A movimentação de Michel Temer para garantir governabilidade e retomada do crescimento econômico em uma eventual Presidência segue no radar dos mercados nesta segunda-feira (2), enquanto o rumor de que …

02/05/2016 12:35



Mercado segue acompanhando Temer e vê Dilma mais perto do fim. Renúncia pode ocorrer até sexta-feira, diz O Globo. Banco Central amplia leilão de swaps.

A movimentação de Michel Temer para garantir governabilidade e retomada do crescimento econômico em uma eventual Presidência segue no radar dos mercados nesta segunda-feira (2), enquanto o rumor de que Dilma Rousseff quer antecipar eleições para outubro ganha força.

Segundo informação do jornal O Globo, a presidente deve enviar ao Congresso uma proposta de emenda constitucional que estabelece novas eleições para outubro desse ano. A cartada final da petista não é consenso entre ministros e tem resistência de movimentos sociais.

Para a equipe de Temer chegou a informação de que, na sexta-feira (6), Dilma fará um pronunciamento no rádio e na televisão para lançar a proposta de eleição direta. A presidente renunciaria e pediria que Temer fizesse o mesmo. A reação de Temer teria sido taxativa: a chance de ele aceitar é nula.

Enquanto isso, o vice-presidente tenta garantir que o PT não seja um empecilho em sua governabilidade. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, Temer deve procurar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assim que o processo de impeachment de Dilma seja admitido pelo Senado.

Temer tem dito que a ajuda do PT “seria de extrema importância” para fornecer estabilidade à nova gestão, uma vez que Lula poderia acalmar a pressão das ruas. Além disso, o petista teria dificuldade para criticar as propostas econômicas do vice, já que ele defendia Henrique Meirelles na Fazenda há bastante tempo.

No campo econômico, Temer afastou a possibilidade de que ocorra um aumento dos impostos em seu possível mandato. Entretanto, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, interlocutores não descartam, em um segundo momento, nem mesmo a volta da CPMF para ajudar a reequilibrar as contas do governo. A avaliação é que não será possível evitar o rombo fiscal apenas com corte de despesas.

Quanto ao juro básico, recentemente mantido em 14,25% pela diretoria atual do Banco Central, a estratégia de Temer é priorizar medidas que acelerem os cortes na Selic por meio da sinalização de que a trajetória da dívida no médio prazo será de queda.

Nos mercados internacionais, as bolsas asiáticas recuaram pressionadas pelo tombo de mais de 3% no índice Nikkei, de Tóquio. Os mercados de Hong Kong, China, Taiwan, Malásia e Cingapura não abriram nesta segunda-feira.

No mercado de câmbio, o Banco Central volta a intervir nos negócios na tentativa de elevar a moeda acima de R$ 3,50. Serão ofertados 40 mil contratos de swap reverso – equivalente a uma compra futura de dólares – em leilão entre 9h30 e 9h40.

As bolsas europeias operam em alta após indicadores de atividades não trazerem surpresas. O preço do petróleo recua.

Essa política cambial deve ser ainda mais forte em um eventual governo Temer. O vice disse que vai tentar evitar uma desvalorização maior do dólar, segundo o jornal Folha de S.Paulo.

Na visão dele, a moeda norte-americana “está caindo muito” e pode afetar negativamente as exportações do país, que seriam uma das alavancas para a retomada do crescimento econômico.

 

Da Redação com informações de Marcelo Ribeiro, Weruska Goeking e Gustavo Kahil, jornalistas especialistas em mercado.