Governo Temer pode ‘nascer morto’

A Lava Jato pode por em check o governo Temer. Prestes a sentar na cadeira presidencial, Temer  assiste velhos e novos aliados serem denunciados. Se você acompanha a política brasileira com menos paixão e mais senso crítico, deve se lembrar de quantos alertas os especialistas já deram sobre a capacidade de a Operação Lava Jato carcomer …

04/05/2016 03:41



A Lava Jato pode por em check o governo Temer. Prestes a sentar na cadeira presidencial, Temer  assiste velhos e novos aliados serem denunciados.

Se você acompanha a política brasileira com menos paixão e mais senso crítico, deve se lembrar de quantos alertas os especialistas já deram sobre a capacidade de a Operação Lava Jato carcomer a base de um eventual governo de Michel Temer. A investigação do bilionário esquema de corrupção na Petrobras ganhou vida própria e o apoio da população, a ponto de se tornar virtualmente intocável por qualquer poderoso de plantão.

O ponto é que ninguém é ingênuo de pensar que os citados pela Lava Jato não cobrarão providências de Temer, em troca de apoio. Três personagens fundamentais para sustentar o futuro governo estão cada vez mais no radar da operação: os presidentes do Senado, Renan Calheiros; da Câmara, Eduardo Cunha; e do PSDB, o senador Aécio Neves. Supremo Tribunal Federal (STF) para investigá-los, com base na delação premiada do ainda senador Delcídio do Amaral, ex-petista e ex-líder do governo Dilma no Senado.

Temer gastou muita saliva para atraí-los para seu provável governo. Renan viu o Senado ser forçado, pela pressão popular, a autorizar a prisão de um senador em exercício pela Polícia Federal (Delcídio) e alertou, na ocasião, de que o aval seria um precedente preocupante. É claro que ele não deseja, nem de longe, passar pelo mesmo. Já Cunha, como se sabe, só colocou em marcha o processo de impeachment de Dilma, porque a culpa por permitir que a Lava Jato chegasse a ele. Nunca é demais lembrar que o peemedebista fluminense guarda, na gaveta, um pedido de impeachment de Temer, apresentado por um advogado mineiro.

E o PSDB de Aécio é visto como um partido importante demais para ficar fora da nova coalizão no Congresso. Foi necessária muita conversa para Temer amolecer os tucanos, a ponto de começar a ouvir declarações promissoras de caciques da legenda sobre uma eventual participação no governo. Agora, tudo isso pode ir por água abaixo – e a jato.

Veja as principais notícias sobre o processo de impeachment desta terça-feira (3):

Mesma tecla – Dilma afirmou nesta terça-feira que está sendo vítima de uma fraude, de um “impeachment sem causa”, e reafirmou que não irá renunciar a seu mandato, durante discurso na cerimônia de lançamento do Plano Safra para a agricultura familiar.

Check list – O PSDB entregou a Temer um conjunto de propostas que o partido considera fundamentais para um eventual novo governo. Entre os pontos, estão o apoio à continuidade da Operação Lava Jato, combate à corrupção, reforma política, simplificação do sistema tributário, controle da inflação com preservação do poder de compra do salário mínimo e manutenção e “qualificação” de programas sociais.

Repeteco – O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), manifestou preocupação com a maneira como vem sendo constituído o ministério de um provável governo liderado pelo vice-presidente Michel Temer, e afirmou que a posição dos tucanos é de não indicar nomes, embora o partido não se oponha em participar caso receba convites. Segundo Aécio, o governo Temer pode ficar com a cara…de Dilma.

Inocente – Juristas convidados por senadores contrários ao impeachment de Dilma sustentaram nesta terça-feira que a chefe do Executivo não cometeu crime de responsabilidade e, portanto, não deveria sofrer o processo.

 

Por Márcio Juliboni em O Financista