Opinião – Brasil na ressaca do impeachment e de olho nos juros dos EUA

País entra no período de ressaca “pós-pré” impeachment e mercado aguarda com ânsia o afastamento definitivo de Dilma e elevação dos juros nos EUA Iniciamos o 2º semestre do ano com grandes expectativas para os mercados no Brasil e no exterior. Ao longo das últimas semanas, passei a comentar sobre o marasmo que poderíamos ter …

21/07/2016 12:29



País entra no período de ressaca “pós-pré” impeachment e mercado aguarda com ânsia o afastamento definitivo de Dilma e elevação dos juros nos EUA

Iniciamos o 2º semestre do ano com grandes expectativas para os mercados no Brasil e no exterior. Ao longo das últimas semanas, passei a comentar sobre o marasmo que poderíamos ter tido nos meses de junho e julho diante da perspectiva de não haver mudanças relevantes no panorama em geral. No entanto, ao final de junho fomos surpreendidos com o referendo realizado no Reino Unido. O “Brexit” gerou grande volatilidade nos mercados, levantou e ainda levanta muitas dúvidas, especialmente se esta saída será prejudicial ao bloco formado na Europa e a outras economias de países relevantes no cenário global. Excluindo esse fato relevante e que alterou determinadas perspectivas, principalmente quanto a possibilidade de postergação da elevação da taxa de juros nos EUA, o jogo seguiu conforme o previsto.

Entrando no cenário nacional, com a nova equipe econômica liderada pelo ministro Henrique Meirelles e pelo presidente do Banco Central Ilan Goldfajn, a princípio, já conseguimos visualizar uma melhora nos indicadores de confiança, o que sinaliza, ao menos, um voto de confiança.

No campo político-econômico, a revisão da meta fiscal proposta pelo governo interino com a expectativa de incremento de receita através de novas concessões, venda de ativos e abertura de capital de empresas ligadas ao Governo Federal podem ser considerados méritos. As perspectivas de novas vitórias no Congresso Nacional em virtude da entrada de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a presidência da Câmara dos Deputados, além da expectativa pelo êxito na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita os gastos públicos animam os próximos passos.

Ademais, ingressando no tema Banco Central, ao que tudo indica, teremos menos intervenções no mercado de câmbio, um dos fatores que justifica o dólar atingir o patamar abaixo dos R$3,30 e já recuar cerca de 20% no ano. Para a inflação, atingir o centro da meta em 4,5% ao ano me parece uma obsessão neste mandato, que nos planos da autarquia poderá ser atingida ao final de 2017 ou no mais tardar 2018.

Enfim, falar de cenários em momentos como esses nos parece difícil, visto que as situações podem mudar radicalmente com algum acontecimento inesperado, seja ele em qualquer país e em qualquer continente. Realmente estamos em compasso de espera. Aguardamos a elevação na taxa de juros dos EUA, cada vez mais postergada, esperamos a decisão no Senado Federal pela saída definitiva da presidente afastada Dilma Rousseff, que poderá destravar uma série de pautas relevantes ao país e que poderá corroborar para a volta dos recursos do investidor estrangeiro, mesmo com o fluxo destes já estar fortemente positivo na Bolsa no ano. A taxa Selic e a inflação também são variáveis que seguem no aguardo destas e de outras definições para iniciar uma trajetória de queda. No entanto, vale lembrar que neste segundo semestre de 2016 ainda teremos as Olimpíadas no Brasil além de eleições municipais, eventos que certamente “jogarão” para frente as decisões de pautas relevantes e necessárias para o país, dentre as quais podemos citar as reformas da previdência, tributária, política e até mesmo trabalhista, que certamente demandarão muito estudo e muita negociação no Congresso.

Mesmo que ansiosos pela espera por todos estes acontecimentos, não podemos deixar de lado os principais riscos existentes para o êxito deles, como a já citada possível volta da presidente afastada, a continuidade da operação Lava Jato que ainda poderá respingar em autoridades ligadas ao governo Temer, eleições nos EUA, que a depender do resultado poderão alterar a visão de política monetária do país e, obviamente, uma disruptura na política nacional deste país devido ao conflito entre parlamentares.

 

roberto indechPor Roberto Indech, analista de investimentos da corretora Rico desde 2011, é graduado em Relações Internacionais pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Responsável pela elaboração e recomendação de operações nos mercados de renda fixa e variável da corretora e pelo análise de cenário político-econômico, também participa dos comitês de indicações de ativos para as carteiras recomendadas mensais e semanais da Rico.